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sábado, 3 de abril de 2010

OLHANDO A PÁSCOA COM UMA ESPERANÇA QUE NÃO MORRE

José de Arimatéia tomou a iniciativa, junto com mais algumas pessoas, de tirar o corpo de Jesus Cristo da cruz. Dura tarefa não é mesmo? Obtida a autorização, lá foram eles.
A Bíblia nos diz que José de Arimatéia esperava o reino de Deus. Era uma esperança espiritual, não uma esperança relacionada com assuntos terrenos! O que será que passava por sua cabeça, que emoções sentiu ao realizar tão triste projeto?
Imagino que eles devem ter tirado a cruz de dentro do buraco que servia de base, e uma vez que ela estava no chão, começaram o trabalho de soltar Jesus, das cordas, dos cravos, e livrá-lo da coroa de espinhos. Pegaram o corpo e o envolveram em um linho limpo, já com as especiarias que se costumava aplicar nos cadáveres, colocaram na gruta que Lhe serviria de túmulo e rolaram a grande pedra para fechá-lo.
O que será que aconteceu com a esperança de José de Arimatéia quando a pedra fechou o sepulcro de Jesus?
Existem situações na vida da gente em que as circunstâncias nos convencem totalmente de que determinadas esperanças são impossíveis. Eu me deparo com momentos assim quase que todo dia lá no HC-UNICAMP. Parte do meu trabalho é pegar uma "ampola" e injetar a "dose" necessária de "ESPERANÇA" direto no coração da pessoa que padece de alguma dor ou mal. E funciona, sabia!?
Já vi Deus usar a medicina para fazer milagres tais como pessoas voltarem a andar, a não sentir dor, a se alegrar e também alguns casos de pacientes desenganados pelos médicos, dormirem e acordarem para abrir os olhos e verem, não seus parentes, mas o próprio Senhor, pois antes de falecerem foram contemplados com o milagre da Salvação em Jesus!!!!
As circunstâncias podem dizer que é impossível, mas o nosso Deus é o Deus do impossível. Em Jesus a esperança nunca morre.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

OLHANDO A PÁSCOA COM O PENSAMENTO NA RESSURREIÇÃO

Os médicos já tinham dito para a esposa que não havia mais nada a fazer por ele a não ser os cuidados paliativos. Tanto ele quanto a esposa eram cristãos evangélicos. Ele tinha câncer.
Deitado no seu leito do hospital, aquele homem com 56 aos, estava tendo uma grave crise; ao seu lado a equipe de médicos e enfermagem fazia o que podia para lhe aliviar o sofrimento, enquanto que aos pés da cama sua mulher e eu esperávamos impotentes. Gritando, ele virou para a esposa e disse:
- Querida, não me deixa morrer, faz alguma coisa, eu não quero ir.
A mulher, chorando, respondeu:
- Calma, meu bem, fica calmo.
Ele não estava nervoso. Estava desesperado.
Olhando para mim ele disse:
- Pastor ...
E morreu.
Já ouvi diversas pessoas afirmarem que os evangélicos encaram a morte com mais tranqüilidade. Mas não é bem assim. Já vi ali no hospital muitos cristãos, tanto os que se vão quanto os enlutados, entrarem em desespero na hora final.
Não gostamos da morte, nem de falar dela. Se não gostamos de tocar nesse assunto, é porque não pensamos nisso.
E se não pensamos na morte é porque não pensamos na ressurreição. Nem no que vem depois dela, ou seja, a vida eterna na presença de Deus. Não sei porque, mas nos apegamos demais a essa vida terrena.
Paulo pensava diferente:
“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.” (Romanos 8:18)
Em algum momento da sua existência, Jesus Cristo optou por passar pela morte física. Os motivos para Ele ter tomado essa decisão são vários, e um deles é porque Ele sabia que não existe Glória sem dor.
“Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.” (Hebreus 2:10)
Não haveria o Domingo de Páscoa se não tivesse havido a Sexta-feira da Paixão.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

OLHANDO PARA O INVISÍVEL

É claro que me lembro da época da morte do meu pai. No dia do funeral, ao lado do caixão, cheguei a pedir para Deus trazê-lo de volta. Embora só fui me conscientizar totalmente dessa perda uns 2 meses depois, tenho bem vívida a imagem de como estava a sala de casa quando chegamos do cemitério. O lugar em que meu pai costumava sentar naquele sofá ainda tinha o afundado feito por ele na almofada; na mesinha ao lado ainda estava o livro que ele estava lendo, uma revista de Palavras Cruzadas, uma caneta e os óculos. Tudo dele. Aquilo doeu.
Remexi em tudo isso para tentar imaginar como Maria Madalena deve ter sofrido diante do túmulo de Jesus. Lembranças, tristeza, medo, dúvidas e desesperança. Foi o que senti com a morte do meu pai, e ela deve ter sentido numa intensidade muito maior diante daquela pedra rolada.
Acho que esse turbilhão colaborou para ela não o reconhecer e achar que era o jardineiro. Mas Ele, Jesus, deve ter pronunciado o nome dela de uma tal forma particular que possibilitou que ela visse o que antes estava invisível.
“Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer Mestre)!” (João 20:16)
Que alegria, caramba!
Mas agora congele essa imagem em sua mente e pense comigo.
Para fins didáticos, vamos fazer uma distinção entre crença e fé. A crença necessita de uma constatação, a fé não. A crença exige que se “veja”, enquanto a fé espera confiando que vai ver.
“Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:29)
“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hebreus 11:1)
Tomé teve “crença”, os heróis da galeria de Hebreus 11 tiveram “fé”.
Descongele a imagem lá de cima. Maria Madalena teve crença ou fé? O que você acha?
Imagine-se na cena. Penso que se lá estivéssemos sabendo o que sabemos hoje, teríamos fé e esperaríamos para ver o Senhor ressurreto por ali! Isso altera a forma de você comemorar a Páscoa esse ano?

quarta-feira, 31 de março de 2010

OLHANDO PARA OS PÉS DE JESUS

Não sei a razão, mas sempre que penso no episódio em que Jesus aparece já ressurreto a Maria Madalena e ela o segura, eu imagino que naquele momento ela olhava para baixo, para os pés do Senhor.
Mas vamos ao texto:
“Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer Mestre)! Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus. Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor! E contava que ele lhe dissera estas coisas.” (João 20:15-18)
Muita coisa se tem falado a respeito de Maria Madalena, ou seja, que ela era a prostituta que ungiu os pés de Jesus, que dela foram expulsos vários demônios e algumas outras coisas que de tão absurdas não vale a pena nem reproduzir. Mas nada disso é provado. São só especulações. Mas tanto faz. O que interessa mesmo é o que a pessoa é e o que quer ser.
“Não me detenhas”.
Essa palavra, “deter”, poderia ser traduzida do grego de diversas formas: atear fogo, aderir, toque sensual, agarrar, mas a melhor escolha para o contexto é “reter”, no sentido de impedir que alguém vá embora.
Pode ser que Maria Madalena agiu assim por não querer perder Jesus de novo. Eu pessoalmente acho que não. Penso que ela queria reter Jesus só para si. Temos que considerar que esse sentimento de posse não é amor, muito embora constantemente é confundido com tal. O verdadeiro amor compartilha, legitimamente é claro, suas bençãos e alegrias. Pedro não sabia o que dizia quando quis construir tendas no monte da transfiguração. Somos luz para ficarmos em posição que possamos proporcionar iluminação para todos, e não para nos trancarmos em um quarto.
Não existe o “MEU Deus”. É só “DEUS”. Já me peguei falando algo parecido com “O meu Deus não é assim”, ou “Meu Deus é assim”. Isso dá a idéia de eu estar me referindo a um deus que concebi ou capturei, não é mesmo?
Se somos capazes de querer nos apossarmos do próprio Deus, quanto mais não o seremos de desejarmos possuir nossos semelhantes!

terça-feira, 30 de março de 2010

OLHANDO PARA JESUS

A Ana Júlia (ou TXU-TXU), que vai fazer 3 anos, já foi citada por mim aqui no Blog. Ela é filha do André e da Luciana, meus sobrinhos “postiços”, ou “por adoção”, como preferem alguns. Pois essa pequena fez eu passar um constrangimento daqueles em que se quer desaparecer. Domingo passado, após a Escola Bíblica Dominical, essa menina, que amo muito mesmo, desceu do colo da tia Caró e veio correndo na minha direção. Eu abri um sorriso daqueles enormes, segurei o pacotinho de pipoca doce que separei para ela e esperei. Ela abriu um sorriso maravilhoso naquele rostinho lindo e quando chegou perto, desviou de mim e correu para o abraço de uma senhora que cuidou dela no berçário da Igreja. Só de raiva não vou citar o nome dessa senhora. Não, estou brincando, foi a Rose quem ganhou o abraço.
Imagina a vergonha que passei! Tinha muita gente olhando.
Muitas vezes agimos assim com Deus. Ele está esperando que corramos para seus braços e nosso olhar está voltado para outra direção. Ou para uma outra pessoa, um entretenimento, para o trabalho, uma necessidade ou um problema, é para aí que volvemos nossos olhar. Mas não para Jesus. E assim nos desviamos dele.
Não quero com isso dizer que nosso Senhor fique enganado, iludido e constrangido. Ele nunca é pego de surpresa, mas que fica triste eu acredito.
Voltando ao trecho da Bíblia visto ontem:
“Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés. Então, eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela lhes respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Tendo dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer Mestre)!” (João 20:11-16)
Reparou como ela estava olhando para o lado errado? Quantas e quantas vezes me concentrei na realidade natural sem considerar a realidade espiritual! E sempre Deus ficou sem poder me ter em “seus braços”, com uma benção na mão, que tanto pode ser uma pipoca doce ou algo infinitamente mais valioso!
O agricultor que trabalha com um arado tem que dirigir o animal ou trator na direção de um ponto de referência estabelecido, para evitar um ziguezague da vala com menor aproveitamento do terreno.
Da mesma forma, espiritualmente, nossa referência é Jesus:
“Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.” (Lucas 9:62)
Só para completar: depois a TXU-TXU veio ficar comigo. Ela é linda demais.

segunda-feira, 29 de março de 2010

OLHANDO PARA FORA DO TÚMULO


O Cemitério da Saudade aqui de Campinas é muito rico em túmulos antigos, estátuas, esculturas, frases e datas antigas. Certa vez, após um funeral que assisti, parei em frente a um daqueles mausoléus que são uma construção quase que do tamanho de uma pequena casa. Pelas placas fiquei sabendo que os restos de muitas pessoas estavam depositados ali. Cada placa uma história. Ou o fim de uma história.
Posso afirmar quase que com certeza que houve choro no enterro de cada uma daquelas pessoas. Mas por que choro? Morreu acabou? Note que na vida tudo faz sentido: a natureza, o homem, Deus. Se “morreu acabou”, só a morte fica sem sentido. A tristeza seria decorrente de ver um sentido maravilhoso em tudo, e com a morte, tudo acabar como uma bola de sabão que estourou.
“Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.” (1 Coríntios 15:19)
Veja esse outro versículo: “Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo,” (João 20:11) Esse túmulo aí citado é o de Jesus. Ele estava vazio. Por que ela, Maria Madalena, chorava? Penso que ela não sabia da ressurreição, ou não tinha entendido isso.
Sem considerar a ressurreição de Cristo, ao olharmos para a morte, só nos resta chorar. É por isso que Paulo orou para que os efésios tivessem uma luz sobre seu entendimento espiritual.
“Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,” (Efésios 1:18-20)
Ela olhava para dentro do túmulo mas devia olhar para fora. É o que veremos no próximo texto.