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quarta-feira, 15 de junho de 2011

DEPOIS DAQUELA VIAGEM

Li um livro muitíssimo interessante. Chama-se “DEPOIS DAQUELA VIAGEM”, de Valéria Piassa Polizzi (editora Ática). É o relato do drama da autora desde que ficou sabendo que contraiu o vírus da AIDS durante uma relação sexual feita sem a camisinha. Antes de comentar alguns aspectos desse livro, quero compartilhar algumas idéias a respeito do assunto que me vieram à mente durante a leitura (diga-se de passagem, fácil e gostosa) das aventuras e desventuras da autora.
Há algum tempo atrás um amigo meu, que na época trabalhava em uma firma que é grande fabricante de preservativos, me contou que quando o governo divulga alguma campanha para combater e prevenir a AIDS, as vendas de camisinhas sobem e muito. Se o governo deixa de vincular a tal campanha, as vendas diminuem consideravelmente.
Com certeza você já teve a oportunidade de ver uma dessas propagandas ou na televisão ou mesmo nos jornais, nas quais a ênfase é sempre no uso da camisinha. É, por exemplo, um pai perguntando ao filho antes de o rapaz sair, se ele está levando o preservativo. Note que nada é falado sobre relações sexuais ilícitas e fora do casamento. Tem uma até que alerta as mulheres a terem uma conversa séria sobre o assunto com o próprio marido. Podemos dizer com certeza que as campanhas do governo não são imorais, elas são amorais. Essas propagandas não objetivam ensinar o que é certo e aceitável em termos de relacionamento sexual e muito menos o que é imoral. Elas visam somente orientar as pessoas a não contraírem o vírus da AIDS. Só que tem um detalhe: A camisinha não é 100% garantida! A abstinência sexual para os solteiros e a fidelidade conjugal (para quem é casado) é totalmente garantida na prevenção à AIDS. Note que até a informação amoral do governo não contém toda a verdade! Ela também não é confiável!!
Algumas perguntas: é obrigação do governo ensinar moral para o povo? É obrigação do governo zelar pelos bons costumes?
O povo não votaria em um candidato ao governo se soubesse que o mesmo é imoral (note como nas campanhas eleitorais os candidatos procuram explorar os “podres” dos adversários), mas não acataria a orientação moral de um governo já eleito.
A responsabilidade de ensinar a moral é nossa, isto é, dos cristãos.
Por que? Porque não podemos ficar esperando o governo fazer uma coisa que nós mesmos podemos fazer! As pessoas precisam saber o que sabemos (e que é tão precioso!), se não, ficam como a Valéria do livro que eu li. Para tanto, nós precisamos ter autoridade para falarmos, ensinarmos e sermos respeitados, isto é, precisamos primeiramente vivermos aquilo que pregamos, precisamos provar com a nossa própria vida que os princípios morais contidos na BÍBLIA são válidos e 100% garantidos!
Deixe-me compartilhar uma idéia de um dos capítulos que mais gostei. O capítulo tem como título “Todo mundo devia subir no Empire State Building” e ali há o relato do dia em que ela foi visitar esse que já foi o maior edifício do mundo, com mais de cem andares. Olhando para baixo ela pôde constatar que lá de cima não era possível se enxergar as pessoas que transitavam pela rua. Ao olhar para cima e ver o céu ela questionou se DEUS, “lá de cima”, estaria vendo o que se passa aqui na terra. Indo direto ao “xis” da questão, será que DEUS é sensível ao que acontece de ruim a cada um de nós? A Bíblia diz que sim: “O que fez o ouvido, acaso, não ouvirá? E o que formou os olhos será que não enxerga?” Claro que sim!! E além de a Bíblia afirmar isso, eu o tenho experimentado todos os dias, desde que me converti!
O trabalho de Capelania que realizamos lá no hospital, já me proporcionou a oportunidade de acompanhar alguns portadores do HIV até a sua morte. Algumas dessas pessoas me deixaram tranqüilo quanto ao seu destino eterno (foram direto para o céu, pois entenderam a obra de CRISTO por eles e se entregaram aos cuidados divinos), enquanto que outros negaram-se até o último instante a ter um relacionamento pessoal com DEUS. Precisamos trabalhar mais para orientarmos as pessoas espiritual e moralmente antes que elas se contaminem.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

UM CAUSO

Seu moço vou lhe contá,
Um causo comigo acontecido.
Causo de verdade. Não é desses de enganá.
Coisa que me deixô, de alma mais inriquecido.

Tem uns pedaço em que a história é triste,
Mas lhe garanto que ela tem um finar feliz.
Por isso, meu amigo, desse causo não disisti,
Tudo acaba bem, pois foi Deus que assim quis.

Eu era bem criança, tarveis com 5 aninho,
Já tinha pegado essa tar de paralisía,
Hoje não, mas por causa dela, eu era bem magrinho.
E atrás de tudo que podia me curar, meu pai e minha mãe, ia.

Certa veis fumo passar férias no interior,
Coisa que sempre acontecia;
Eu gostava de ir lá, o pessoar era um amor.
Ficávamos na casa de uns primo, e de uma tia.

Esses parente, não querendo parpitar,
Pensavam em fazê um favor.
Queriam mesmo é me curar,
Então falaro de um benzedô.

Acho que foi na hora do lanche, tomando café,
Que os parente falaro do tar hóme.
Apesar de pequeno, eu tava cas oreia im pé,
Mas num intendí muito, pois naquela hora, eu tava mesmo é cum fome.

Naquela mesma noite nóis fumo lá,
Afinar, mar num pudia fazê.
Fumos então o hóme procurá,
Mór di ele mi benzê.

O benzedô era peão de uma fazenda,
Lembro da estrada di terra alumiada pelos farór,
A mulher e as filhas com vestidos de renda,
Cê percisa vê, era uma pobreza de dar dó.

Dispois dos cumprimento, fui levado prum quarto ao lado,
Onde na parede tinha um quadro de Jesus.
Como toda casa, por uma lamparina o quarto era alumiado.
Benze daqui, benze dali, e me deram preu beijar uma cruz.

Eu beijei. Mas hoje fico encafifado,
Pois tinha um ponto certinho prá se beijar,
Fico então aqui cismado,
Quantos é qui num beijaram antes aquele lugar?

Vortemo prá casa cheios de esperança,
Queríamos ver o resurtado da benzedura.
A verdade é que num aconteceu nada cumigo, aquela pobre criança,
E isso prus meus pais foi uma realidade dura.

Prá fazê um registro importante, faço uma parada agora.
Meus pais são uns presente maravioso que Deus me deu!
Todos os meus comprexos eles jogaru fora,
Eles me ensinaro a, mesmo sendo paralítico, a eu gostá di eu!

Mas cumo intendê pruque Deus não mi curô?
Pruque Ele deixô isso acontecê?
Prá cabeça de meus pais, foi um horror,
Isso tudo podia me fazê enlouquecê.

Ou Ele pudia fazê mas não tinha querê,
Então péraí, Ele não tem amor!
Ou queria mas não tinha poder,
Então Ele não é Deus, faça-me o favor!

Acredito em dois ditados bem popular:
Um diz que Deus escreve certo por linhas torta,
O outro cê deve se alembrar,
Deus sempre abre uma janela, mesmo que tenha fechado a porta.

Mas será que essas idéias também tão escritas nas Escrituras Sagradas?
Será que em Deus nóis podemo confiar?
Se tiver, vou seguir por esse estrada,
Toda minha vida prá Jesus vou entregá.

Tem na Bíblia um bunito verso,
Que diz que tudo que nos acontece é pro nosso bem.
Nosso qui eu digo, não é pro perverso,
É prus qui são convertido, e amam a Deus também.

Deus quis que eu seja diferente,
Isso me torna especiar.
Não posso andar como toda a gente,
Mas acredite, isso é motivo preu me alegrá.

Me alegro pruquê a Ele posso serví,
Me alegro pruquê d’Ele posso falá.
Me alegro pruquê Ele me faz sorrí,
Me alegro pruquê com Ele, prá sempre no céu eu vou andá.

terça-feira, 7 de junho de 2011

UM HOMEM EM CIMA DA MARQUISE

Imagine uma dessas ruas de comércio extremamente movimentadas. Como a "25 de março" lá em São Paulo. Você já deve ter visto, é muita gente.
Pois bem, agora imagine que ali naquela calçada, no meio da multidão, haja um homem querendo falar alguma coisa para as pessoas que por ali passam. Ele gesticula, fala alto, tenta pedir para um ou outro parar, grita, e nada, todos apressados seguem seu caminho sem prestar atenção naquele sujeito.
Mas ele não desiste. Ao ver uma marquise que serve de cobertura para uma loja, pensa que falando lá de cima as pessoas lhe darão atenção. Sobe lá (não me pergunte como) e tenta dar sua mensagem. Nada novamente, só uma ou outra pessoa deu uma rápida olhada para cima e continuou seu caminho.
Desanimado, ele sentou em uma pilha de tijolos que estavam ali e pensou: "Se eu jogar essas moedas que tenho no bolso, eles vão querer me ouvir". Dito e feito, só que ninguém olhou para cima da marquise, todos ficaram olhando para o chão querendo mais moedas.
Frustrado, aquele homem ia se sentar quando teve outra idéia: "Vou dar umas tijoladas neles". E assim fez.
Todos se voltaram para ele!
Parece Deus querendo falar conosco, não parece?!
Estamos, muitas vezes, apressados demais para ouvir o que Deus tem para nos dizer.
Quando Ele nos manda bençãos, só olhamos para as mesmas ou "para baixo", querendo mais.
Só vamos nos voltar para Ele quando nos manda aflições.
Medite sobre o seguinte versículo:
“Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.” (Jó 2:10)

domingo, 5 de junho de 2011

A COBRA SÓ FICOU OLHANDO

Tudo começou com um fiapo minúsculo de pensamento. Se ele tivesse banido essa idéia da sua mente, não teria morrido. Não havia ninguém em casa. Esse pedacinho de pensamento consistiu em imaginar o prato de rabanetes saturnianos. Ele sabia que era proibido comer dessa iguaria de manhã, mas se tinha uma coisa que o fazia salivar de tanto que gostava, eram aquelas bolotas pequenas, verdes por fora e brancas por dentro.
Continuou fazendo o que estava fazendo e com isso se distraiu, mas não demorou muito e lá estava ele pensando nos “rabassatus” como eram chamados os rabanetes saturnianos. Só que dessa vez ele os imaginou já com o molho à base de manteiga e sal, que era a sua paixão gastronômica. Dessa vez não foi só um fiapo de idéia, mas um pensamento mais elaborado. Tentou continuar o que estava fazendo, mas o pensamento o atraia mais e mais.
Foi até a geladeira só para ver se tinha rabassatus, só para ver, imagine que ele iria comer uma coisa proibida! E se podia comer à noite por que teria que esperar até lá? Mas ele só ia ver se tinha. Quando abriu a geladeira, lá no fundo, atrás das frutas, havia um prato cheio de rabanetes saturnianos! E com molho de manteiga e sal!! Sem perceber (ou será que percebeu?) ele puxou o prato para a frente e empurrou as frutas para o fundo.
Fechou a porta da geladeira e começou a pôr os talheres, guardanapo, tudo na mesa, racionalizando que deixaria as coisa já adiantadas para o jantar.
Mas não deu 10 minutos e lá estava ele comendo os rabassatus, e ainda se lambuzando com o molho.
Quando acabou, ou melhor, quando parou de comer, pois não teve vontade de comer tudo, sentiu uma frustração inesperada. Embora a comida estivesse perfeita, sua expectativa tinha sido maior. E ainda havia aquela incômoda sensação de culpa.
Quando tirou o prato e os talheres para lavá-los na pia, viu que teria que limpar também a mesa. Depois de deixar tudo arrumado ele foi para a sala. Só que ele não viu que ficou uma mancha de molho no chão.
Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos.” (Tiago 1:13-16)
Agora pensa e responda: qual é seu prato predileto?

sábado, 4 de junho de 2011

ADORADO MONSTRO

Talvez você não acredite, mas no sótão lá de casa tem um monstro. Como todo monstro ele é horrível, mas eu gosto de brincar com ele. Esse incrível morador do meu sótão é daqueles monstros que de tão feios acabam sendo bonitinhos. É agradável estar lá em cima, gostoso mesmo.
No começo eu brincava só um pouquinho e estava bom, depois eu ia querendo sempre mais, e mais. No fim eu acabo gastando tempo demais ali; deixo de fazer um monte de coisas importantes só para brincar com ele. Depois só fica aquele como se fosse um gosto amargo na boca.
E para subir é tão fácil! Basta subir a escadinha. O primeiro degrau é lembrar que “todo mundo faz, por que eu não posso?”; o segundo é só pensar que “eu mereço”; o terceiro degrau é afirmar com convicção que “essa vai ser a última vez”, e assim por diante.
Já cansaram de me falar que um dia esse monstro vai me matar, e eu acredito nisso, mas eu gosto tanto de brincar com ele que tenho pena de matá-lo.
Você pode estar se perguntando quem é que alimenta o monstrengo. Pode parecer incrível mas ... sou eu mesmo. É isso mesmo, tenho que reconhecer, quem dá comida para ele, regularmente, sou eu.
Quando me falavam que eu estava viciado nisso eu negava, enganando só a mim mesmo. Eu afirmava que poderia parar a hora que quisesse. Doce ilusão!
Diversas vezes decidi que não subiria mais lá. Cheguei a contar quanto tempo fiquei sem subir. Se não me engano meu recorde foi 2 meses, 3 dias e 14 horas. Agora imagina a frustração quando não aguentei mais e brinquei com ele.
Hoje eu não conto para ninguém que vou lá. Tenho vergonha e medo. Já tentei, mas os que ficaram sabendo me trucidaram. Acabaram comigo com acusações, broncas, sermões e desprezo. Nenhum deles confessou que tem lá seu adorado monstrinho, ou no sótão ou no porão de sua casa. O pior é que eu sei que todos possuem um, maior ou menor do que o meu. Se pelo menos um deles tivesse compartilhado essa falha mais íntima comigo, eu não me sentiria tão só, e assim não precisaria me esconder no sótão e brincar com meu adorado monstro.
Você tem sótão na sua casa? E porão?
E um ... nem preciso perguntar, pois eu sei que tem.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

É COMPLEXO NÃO TER COMPLEXO

Eu tinha na sala do apartamento onde moro um porta-retrato com uma fotografia de quando eu era menino. Ali eu devo ter uns 6 ou 7 anos. Estou na praia lá de Santos, cidade onde nasci, com meus dois irmãos.
Estou sentado no carrinho que usava antes de ter minha primeira cadeira de rodas. Nós 3 estamos sem camisa e só de calção de banho.
Esses detalhes podem parecer dispensáveis, mas o assunto que vamos abordar é mais complexo do que a foto pode revelar, por essa razão é que cada detalhe tem sua importância.
Minha mãe me ensinou a não ter complexo por ser paralítico. Por algumas outras pessoas, amigos e até parentes, eu viveria sem sair de casa, e dependendo da ocasião, por eles, quando recebêssemos visitas, nem do quarto eu deveria sair.
Ela, a minha mãe, sempre me tratou da mesma forma que tratava meus irmãos.
Eu usava shorts, apesar de um parente chegado achar que minhas pernas deveriam ficar cobertas para esconder as seqüelas da poliomielite e também as cicatrizes das cirurgias às quais me submeti.
Quando merecia ser disciplinado eu apanhava, apesar de a minha avó declarar que só os outros dois deveriam ser castigados.
Como meus irmãos, eu ia à praia (tem a foto para você ver), passeava, estudava, tinha responsabilidades e convivia naturalmente com todo mundo. Eu era (e sou) como todas as pessoas, só que com limites de locomoção.
No momento em que “me vi assim”, quando me conscientizei da minha realidade, resolvi ser como os outros e superar de algumas formas meus limites. E foi assim que fiz.
Quando Jesus Cristo viu um homem paralítico que desceu do telhado para estar bem na frente d’Ele, disse primeiramente que os seus pecados estavam perdoados. E Jesus o fez assim porque o maior problema daquele homem era espiritual. Problema espiritual é toda e qualquer coisa que nos separa de Deus. Só depois de isso resolvido é que o Senhor tratou do seu problema físico, curando-o.
Me lembro direitinho do dia em que percebi que o meu maior problema era espiritual. Uma limitação que por meios humanos não pode ser superada. Graças a Deus pela cruz. Só Cristo podia fazê-lo por mim. E foi assim que Ele o fez.
Não é maravilhoso? Aquilo que não posso fazer, Deus o faz!
Você é igual aos outros. E você é igual a mim.
Quais são seus limites?
Qual seu maior problema?

terça-feira, 17 de maio de 2011

UMA MÃE, UM FILHO E DEUS

A esperança de que aquele paciente portador do vírus da AIDS se recuperasse era bem pequena. Geralmente, os pacientes que se encontram nesse estágio da doença apresentam grandes variações em seu estado de saúde. Estão bem num dia, e no dia seguinte a situação se agrava; logo em seguida eles melhoram novamente para depois apresentarem outra piora. O problema é que a cada piora, a situação do paciente se agrava e fica cada vez mais difícil a recuperação. Essa era a situação de José. Ele estava enfrentando uma de suas piores crises. Mais tarde, como veremos, ele conseguiu se recuperar, mas naquele momento a situação era gravíssima.
Assim que fiquei sabendo do agravamento da doença de José, fui até o quarto para conversar com ele e com sua mãe, Dona Maria, que sempre estava ao lado dele. Minha intenção era prepará-los para o que viria depois da crise, e isso tanto poderia ser morte como recuperação.
Procurei trazer a mãe do paciente para um lugar mais sossegado para podermos conversar, e lá perguntei se ela estava precisando de alguma orientação. Imediatamente ela respondeu:
— Não quero saber dessa conversa sobre Deus. Fiz um acordo com Ele: se Ele não curar meu filho, não quero mais saber de Deus. Se Ele não pode me dar o que mais quero, para que eu preciso de Deus?
Se alguém perde um dos pais, é chamado de órfão; se perde o cônjuge, é chamado de viúvo ou viúva. Mas não existe palavra para designar alguém que perde um filho ou uma filha.
Embora reconhecendo o fato de que aquela mãe estava na iminência de sofrer a que talvez seja a pior dor emocional que uma pessoa é capaz de suportar, procurei argumentar que a imagem que ela tinha de Deus era bastante deturpada. Tentei mostrar a ela que sua concepção de Deus estava longe de ser real, isto é, ela queria um deus de acordo com sua conveniência, um deus que fosse uma mistura de Papai Noel e Gênio da Lâmpada, pronto para satisfazer os seus desejos. Ao ouvir isso, ela reagiu com palavras duras, dizendo:
— Eu o proíbo de falar sobre Deus comigo ou com meu filho. Será um prazer continuar recebendo suas visitas, mas não para falar de Deus. Se você insistir, vou pedir à direção do hospital para impedir suas visitas.
Não obedeci ao seu pedido, ou melhor, obedeci em parte. José se recuperou admiravelmente. Não toquei mais no assunto com Dona Maria, mas todas as vezes que eu ficava a sós com seu filho, procurava lhe falar de Deus e do seu maravilhoso plano de amor. A reação dele era de ceticismo. Até que certo dia um missionário americano foi até o Hospital das Clínicas para conhecer o nosso trabalho, e algo incrível aconteceu... mas antes considere esse versículo:
Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina (2 Tm 4.2).
Esse missionário norte-americano estava no Brasil para participar de uma conferência missionária, e demonstrou interesse em conhecer nosso trabalho no Hospital das Clínicas. Enquanto caminhávamos pelos corredores do hospital, lembrei-me que José, o paciente com AIDS era professor de inglês. Fomos imediatamente ao seu quarto, e ali chegando, expliquei ao missionário que poderia falar com ele em inglês. Os dois conversaram animadamente por longo tempo, observados por Dona Maria, que apesar de não entender uma palavra do que falavam, estava feliz e orgulhosa por ver o filho conversando com um americano. O que ela não sabia é que o americano estava falando de Jesus para ele. No fim da conversa, o missionário fez menção de orar, mas tive que impedi-lo, senão a Dona Maria não iria gostar. Depois que saímos do quarto, expliquei o que estava acontecendo e ele entendeu por que eu havia agido daquela forma.
Não sei dizer se José se converteu. O missionário acredita que sim, conforme me confidenciou mais tarde. Mas, uma coisa é certa: José teve a oportunidade de ouvir a mensagem do Evangelho de forma clara e objetiva. Essa é a nossa tarefa. O resto é com o Senhor.
Mas, a história ainda não terminou.
Depois de algum tempo, José apresentou uma boa melhora e recebeu alta do hospital. Não tive mais notícias dele até que certo dia, casualmente, soube através de um outro paciente que José havia falecido.
Tentei entrar em contato com a mãe dele, mas só consegui falar com ela seis meses depois da morte do filho. Ela ainda estava muito abalada com a sua grande perda, o que é compreensível, pois havia vivido os últimos anos em função do José. Dona Maria estava cumprindo o terrível "acordo" que havia feito com Deus: como Ele não havia curado seu filho, ela não queria mais nada com Deus.
Lembro-me de algumas coisas que ela disse quando nos encontramos:
"Não perdôo Deus pelo que Ele fez".
"Prefiro acreditar que Deus não existe a pensar que Ele fez isso comigo".
"Se Ele quiser me mandar para o inferno, pode mandar; sei bem o que é inferno, pois já vivo nele aqui mesmo".
Quanta amargura havia no coração daquela mãe! Quanta falta de sabedoria! Dona Maria tinha transformado o filho no seu "deus". Para ela, ele só tinha qualidades. Ela chegou a afirmar que o filho havia contraído a doença porque amava muito as pessoas. Pelo que conheci da vida do José, pude perceber que essa era uma forma equivocada de disfarçar seu estilo de vida promíscuo. Mas a mãe só conseguia enxergar o que queria ver!!
Com a morte do filho, uma parte dela também morreu. Mais do que isso: para ela, Deus também havia morrido.
Que diferença das palavras proferidas por Jó em meio ao sofrimento:
"Porque eu sei que o meu Redentor vive" (Jó 19.25).
Às vezes, chego a pensar que Deus evangelizou o filho de Dona Maria bem na sua frente, mas através de uma língua desconhecida para aquela empedernida mulher porque ela já tinha tido a oportunidade de ouvir o Evangelho, mas o rejeitou.
Preste atenção ao que a Bíblia diz: [...] o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os seus ouvidos e fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados (Mateus 13.15).
Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados (João 12.40).
E você, o que pensa sobre isso?

DEZ ANOS DEPOIS
Semana passada tive uma dessas experiências que só Deus mesmo para nos proporcionar. Quando já me encaminhava para ir embora, passando em frente à Capela do HC-UNICAMP, avisto a Dona Maria, ela mesmo, a mãe do José. De pijama do hospital, ao me ver ela se mostrou extremamente feliz pelo encontro. Ela fez uma cirurgia no coração, acabara de receber os papéis de alta e ia para o quarto se trocar para ir embora.
Como sou péssimo para guardar datas, foi ela que me situou no tempo: já se passaram 10 anos desde a época em que convivemos, convivência essa que foi interrompida pela morte do seu filho.
Conversamos um pouco e eu não deixei escapar a oportunidade de lhe perguntar: “A senhora se reconciliou com Deus?” e pode dar glórias a Deus pois a sua resposta foi um emocionado SIM.

terça-feira, 3 de maio de 2011

PRATICANDO A TEORIA

Certa vez fui visitar, ali no HC-UNICAMP, um determinado paciente, que deve ter entre 35 a 40 anos. Sua internação estava quase a completar um mês. Ele é um cristão que leva Deus a sério. Seu problema de saúde não é dos mais fáceis.
Para evitar que ele desanimasse ou entrasse em depressão, li com esse paciente os seguintes versículos:
Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.” (Tiago 1:2-3)
Após a leitura perguntei se ele acreditava naquilo que acabáramos de ler. Sua resposta foi rápida e previsível: "É claro que eu acredito, pois está na Bíblia!". Mas quando lhe perguntei se ele tinha os seus sofrimentos como motivo de alegria, após gaguejar e engasgar um pouco, ele honestamente admitiu que isso era difícil.
Dali em diante o nosso bate-papo girou em torno de confiarmos ou não em Deus. Mas, quando mais tarde eu pensei um pouco mais profundamete sobre esse assunto, pude ver que o ponto principal, que está além da confiança, é a perspectiva pela qual olhamos as aflições.
Um versículo um pouco adiante do que lemos nos faz olhar os sofrimentos pela perspectiva da eternidade:
“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1:12)
Não podemos perder de vista que tudo o que fazemos ou deixamos de fazer aqui na terra tem repercussão na eternidade. Um exemplo: se não aprendermos a amar aqui na Terra, vamos entender bem menos do amor de Deus lá no céu.
As aflições consolidam em nossos corações valores que serão fundamentais lá no céu. Como disse São Francisco de Assis, devemos deixar Deus ser Deus e fazer conosco o que é melhor.
Como nos portamos nos momentos de crise? Veja a advertência que a Bíblia nos faz: “ Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena.” (Provérbios 24:10)
A força nos vem quando olhamos para Deus.
“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.” (Colossenses 3:1-4)

segunda-feira, 7 de março de 2011

DEUS NÃO CASTIGA 3

Quando ouvi o choro de uma criança, naturalmente me virei para ver o que era. Isso aconteceu em frente ao HC-UNICAMP na hora de eu ir embora. Era uma menininha com mais ou menos 2 anos de idade e sua mãe, que ali estavam esperando alguém. A mãe falou o seguinte para a filha: “Eu estou muito triste com você, não fala comigo”. Com uma perceptível tristeza angustiante na voz, a criança respondeu assim: “Mamãezinha, não faz isso comigo”.
Não sei o que a menina fez, e tanto faz, ela errou, e sua punição seria a quebra de relacionamento com a mãe, e isso foi terrível para a pequena. (Quase chorei ali na frente do HC. Estou ficando mais sensível. Será que é por estar ficando mais velho?)
Quando chegou a pessoa que elas estavam esperando, a mãe só estendeu a mão a qual a garotinha segurou e foram embora, a menininha pulando e cantando.
Essa quebra da comunhão também acontece com o nosso relacionamento com Deus quando pecamos e o deixamos triste. Porque Ele é Santo e não tem como se relacionar com o que não é puro, mas Ele também está sempre pronto a estender a mão ao pecador angustiado.
O amor de mãe é o amor de Deus Pai por nós. Ou poderia ser que (e agora estou só fazendo uma divagação) temos, como uma família, o amor de Deus Pai representando a figura masculina, o do Deus Espírito Santo talvez figurando a mãe, e o do Deus Filho. Teríamos aí a Trindade a apresentar todas as dimensões do amor. Isso equilibraria a conceituação que temos que ter do verdadeiro amor, que pode ser deturpada por frases tais como “ESPERA SÓ O SEU PAI CHEGAR ...”. Conheci uma moça que aos 15 anos de idade foi estuprada pelo próprio pai bêbado! Falar de Deus como Pai é afastar emocionalmente essa moça do Divino. Ela precisa de ver que Deus é capaz de amar também com o amor materno.
A maior lição que aprendi no HC foi ver como é o amor de mãe. Com raríssimas exceções, todas dariam a vida pelos filhos.
O cuidado pastoral foi exemplificado por Paulo com o amor de mãe:
No entanto, tínhamos o direito de exigir de vocês alguma coisa, por sermos apóstolos de Cristo. Mas, quando estivemos com vocês, nós fomos como crianças, fomos como uma mãe ao cuidar dos seus filhos.” (1 Ts 2:7 NTLH)
Um Pai que nos sustenta, uma mãe que cuida de nós e um irmão como nós.
Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3:16-17)
Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mateus 28:19)

domingo, 6 de março de 2011

DEUS NÃO CASTIGA 2

Uma das coisas que me fez pensar bastante foi descobrir que a escultura “O Pensador”, de Rodin, faz parte de uma obra maior, na realidade uma escultura de 12 metros de altura chamada “A Porta do Inferno”.
O Pensador, olhando para o inferno, pensa.
Fiquei pensando sobre o que é que poderia lhe estar passando pela cabeça. Ele pensa no Inferno.
Eu acredito na existência do Inferno, que não é material, nem espacial e nem dentro do tempo (temporal). Inferno é a condição de quem não quer viver com Deus.
Por que vamos à Igreja? Por amor a Deus ou por medo do castigo?
Amar a Deus por medo do castigo não é amor. O verdadeiro amor exige, por essência, a espontaneidade.
No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” (1 João 4:18)
Eu quero estar entre aqueles poucos cristãos que entendem isso. É um passo além na maturidade cristã viver o amor sem medo do castigo.
Amar porque Ele é digno de todo amor. Não pelo que Ele pode nos fazer ou dar, e sim pelo que Ele é.
Deus não quer que ninguém vá para o Inferno.
E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:39)
O Inferno é a opção escolhida por muitos. E já que a pessoa assim o quer ...
De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hebreus 10:29-31)
Releia esses versículos pelo prisma da índole amorosa de Deus. Para ajudar, eis mais alguns versículos:
Ezequiel 18:23 Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? —diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?
Ezequiel 18:32 Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei.
Ezequiel 33:11 Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?

sábado, 5 de março de 2011

DEUS NÃO CASTIGA 1

Peço que você pense comigo, assim como tenho trocado idéias com o Venâncio e com a Célia enquanto tomamos o que chamamos de “O café”, que é feito por ela.
O que me levava a pensar que Deus castiga (é, estou começando a mudar de idéia) se apoiava no fato de Deus ser justo. Mas, veja o seguinte versículo:
E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.” (1 João 4:16)
A justiça em Deus é absoluta, e ainda em Deus, tudo o que se absolutiza, se transforma em amor, e quando se ama, a maneira mais natural de se olhar para os outros é com graça e misericórdia.
Deus é fiel a si mesmo, e essa fidelidade o leva a perdoar a todo aquele que quer ser perdoado. Nós é que nos castigamos a nós mesmos ao optarmos por nos afastarmos de Deus. Por Deus, por fidelidade, por amor, por misericórdia e graça, Ele não castiga ninguém.
Nós gostamos de castigar, aos outros e a nós mesmos; mas Deus não.
Note porém, as seguintes conceituações: eu entendo o castigo como vingativo, enquanto que a disciplina é didática.
Nós vamos voltar a falar sobre isso, mas por enquanto, o que você acha?

terça-feira, 1 de março de 2011

O CARNAVAL ESTÁ ACABANDO?

Minha família sempre gostou muito do Carnaval. Desde criança eu ia aos bailes. Cresci e continuei indo.
Quando eu era moço nós morávamos em um apartamento na Francisco Glicério (aqui em Campinas) e era naquela avenida que se realizavam os desfiles das Escolas de Samba e Blocos. Meus amigos vinham até lá para ficarmos vendo o desfile da varanda e beber, beber ... Lá pelas 11 horas íamos para o baile para brincar, namorar e beber, beber ... Eu bebia em demasia todas as 4 noites do Carnaval, e durante o dia passava muito mal. Enjoo, dor de cabeça, tontura. Era horrível.
Em um determinado ano resolvi experimentar passar aqueles 4 dias de folia sem beber. Quer saber de uma coisa? Me diverti muitíssimo mais!
Aí no ano seguinte, resolvi experimentar aqueles 4 dias sem o Carnaval. Foi extremamente mais prazeroso!! Foi quando descobri que não gostava, e ainda não gosto, dessa festa.
Mas por que não gosto? Porque, obviamente, é só coisa que não presta que tem ali. Eu “ia meio que no embalo”. Sempre fui e sempre achava que tinha que ir. Então ia.
Certa vez um rapaz me falou que “o Carnaval para ele era sagrado”, ele tinha que ir. Chamei-o de lado e pedi que ele não usasse o termo “sagrado”, para não misturar as coisas. O Carnaval não tem nada de sagrado, muito pelo contrário, é mundano e demoníaco.
Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.” (1 João 5:19)
Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.” (1 João 2:15-17)
O Carnaval é o mundo se apresentando descaradamente. Me preocupam mais as suas manifestações sutis e disfarçadas fora desse período. O Carnaval, como a “festa da carne”, anda mais fantasiado durante o ano inteiro do que nos 4 dias de reinado do Rei Momo. Os Retiros de Carnaval deveriam durar pelos outros 361 dias do ano.
Mas o que vemos é um constante desfile.
Como “Comissão de Frente”, vem o alcoolismo fantasiado de Beber Socialmente.
Depois vem a ala da grosseria fantasiada de Sinceridade e Transparência.
Em seguida tem o destaque da desonestidade fantasiada de Sinal de Inteligência.
A promiscuidade, semi-nua, aparece em seguida fantasiada de Aproveitar a Vida.
A futilidade vem fantasiada de Etiqueta.
O bloco chamado de Valores é composto por pessoas tais como o Desamor, a Desunião, o Desprezo aos Outros, etc..., todos fantasiados de atores de novela.
Encerrando o desfile vem o carro alegórico chamado Religião, cujo destaque lá em cima é a hipocrisia, com uma deslumbrante fantasia de Espiritualidade.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

SEM VOLTA

Um dos escritos do Henri Nouwen que mais gostei é um em que ele relata como o ter que cuidar de um rapaz com paralisia cerebral o levou a um entendimento do que é o amor verdadeiro. Aquele rapaz não poderia devolver, de forma alguma, o amor e o cuidado que Nouwen lhe dedicava.
Outro dia eu brinquei um tempão com o Nino (9 anos) e com o João Vitor (8 anos) lá no hospital. Ambos sào pacientes crônicos que não podem sair do seu leito hospitalar devido à dependência do respirador mecânico, e seus movimentos são limitadíssimos. Não esperava receber nada em troca do carinho e do amor que lhes dediquei, mas na hora de ir embora, os dois me mandaram um beijo. Dá para imaginar a alegria que tomou conta de mim? Mas e se eles não tivessem mandado os beijos?
Eu tenho um problema: quando sei que alguém pode “devolver” o meu amor, fico esperando que ele retribua o que dei!
Não consigo acertar o alvo: acredito que necessito mais ser amado do que amar! O querer ser amado é tão forte, às vezes, que me impede decidir amar. E olha que estou em um ponto da minha vida em que sinto imensa alegria e satisfação em amar. Aprecio muito amar. Mas, às vezes ...
Não vou desistir de buscar o verdadeiro amor.
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13:4-7)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

É COMPLEXO NÃO TER COMPLEXO

Tenho na sala do apartamento onde moro um porta-retrato com uma fotografia de quando eu era menino. Ali eu devo ter uns 6 ou 7 anos. Estou na praia lá de Santos, cidade onde nasci, com meus dois irmãos.
Estou sentado no carrinho que usava antes de ter minha primeira cadeira de rodas. Nós 3 estamos sem camisa e só de calção de banho.
Esses detalhes podem parecer dispensáveis, mas o assunto que vamos abordar é mais complexo do que a foto pode revelar, por essa razão é que cada detalhe tem sua importância.
Minha mãe me ensinou a não ter complexo por ser paralítico. Por algumas outras pessoas, amigos e até parentes, eu viveria sem sair de casa, e dependendo da ocasião, por eles, quando recebêssemos visitas, nem do quarto eu deveria sair.
Ela, a minha mãe, sempre me tratou da mesma forma que tratava meus irmãos.
Eu usava shorts, apesar de um parente chegado achar que minhas pernas deveriam ficar cobertas para esconder as seqüelas da poliomielite e também as cicatrizes das cirurgias às quais me submeti.
Quando merecia ser disciplinado eu apanhava, apesar de a minha avó declarar que só os outros dois deveriam ser castigados.
Como meus irmãos, eu ia à praia (tem a foto para você ver), passeava, estudava, tinha responsabilidades e convivia naturalmente com todo mundo. Eu era (e sou) como todas as pessoas, só que com limites de locomoção.
No momento em que “me vi assim”, quando me conscientizei da minha realidade, resolvi ser como os outros e superar de algumas formas meus limites. E foi assim que fiz.
Quando Jesus Cristo viu um homem paralítico que desceu do telhado para estar bem na frente d’Ele, disse primeiramente que os seus pecados estavam perdoados. E Jesus o fez assim porque o maior problema daquele homem era espiritual. Problema espiritual é toda e qualquer coisa que nos separa de Deus. Só depois de isso resolvido é que o Senhor tratou do seu problema físico, curando-o.
Me lembro direitinho do dia em que percebi que o meu maior problema era espiritual. Uma limitação que por meios humanos não pode ser superada. Graças a Deus pela cruz. Só Cristo podia fazê-lo por mim. E foi assim que Ele o fez.
Não é maravilhoso? Aquilo que não posso fazer, Deus o faz!
Você é igual aos outros. E você é igual a mim.
Quais são seus limites?
Qual seu maior problema?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

DELIANE

A primeira vez que a vi foi no começo do meu trabalho lá no HC. Ela tinha 2 anos e pouco. Uma criança linda. Foi a primeira vez que tive contato com um paciente que foi acometido pela Síndrome de Werdnig-Hoffman. Essa doença paralisa de forma progressiva e irreversível, a começar pelos membros, todos os músculos do corpo, menos os da face. Acomete crianças com até 2 anos, e chega ao ponto em que o paciente precisa até do auxílio de um respirador mecânico.
Nosso primeiro encontro foi na UTI-PEDIÁTRICA do HC-UNICAMP. Era uma visita para eu conhecer aquela unidade e ela estava lá, no seu berço. Olhos negros e grandes, ela me acompanhava com um olhar curioso e simpático. Me apaixonei na hora.
A mãe, que era de Indaiatuba, uma cidade aqui perto de Campinas, vinha vê-la toda segunda, quarta e sexta-feira. Ela não podia dormir com a filha no hospital porque tinha outros filhos, não lembro quantos, e vinha nos dias em que a Prefeitura oferecia o transporte. Eu ia vê-la todo dia.
A Deliane era muito vaidosa. Ela gostava de escolher a roupa que ia usar. A enfermeira antes do banho mostrava para ela os vestidinhos e, através de caretas ou sorrisos, ela determinava qual iria usar quando já estivesse cheirosinha.
Aí eu chegava. Com a ajuda de uma enfermeira, que me ajudava a lavar as mãos, forrava meu colo com uma fralda, pegava a Deliane e, com muito jeito por causa dos tubos aos quais ela ficava ligada, eu a pegava no colo. Brincava com ela. Cantava com ela. Ou simplesmente ficávamos nos olhando.
A mãe disse que ela me ouvia chegando; quando eu falava com alguém na entrada da Pediatria, ela virava os olhinhos na direção da porta e sorria. Eu a chamava de minha Princesa.
Uma noite, uma moça da limpeza encontrou a Deliane totalmente cianótica, roxa devido à falta de oxigênio. Houve uma falha do aparelho, que parou e não disparou o alarme. Os médicos tentaram reanimá-la, mas não adiantou, ela morreu.
Na tarde daquele dia eu percebi que todos me cumprimentavam e rapidamente se afastavam, ou mesmo me evitavam. Até que a minha amiga Rosângela, fisioterapeuta, me contou e explicou que as pessoas estavam sem coragem de me dar a má notícia. Foi a minha primeira perda significativa dentro daquele hospital. Confesso que naquele dia eu cheguei a pensar em largar aquele trabalho, mas Deus me ajudou a administrar minhas emoções e estou lá até hoje.
A curta vida da minha Princesa, apesar de limitada e sofrida, não foi em vão, de forma alguma. Ela foi a primeira a me ensinar a viver o verdadeiro amor, que é dar sem esperar nada em troca. “Amai (...), fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga (...).” (Lucas 6:35)
Não esperava, mas recebi muitíssimo amor, alegria e felicidade da Deliane.
Estou com muitas saudades dela.

domingo, 30 de janeiro de 2011

ARQUITETURA DOS RELACIONAMENTOS

Se nós repararmos bem, "a gente" não se fala mais.
Antigamente as casas tinham varandas enormes onde as famílias se reuniam para conversar e estar juntos. Havia também a sala de visitas, hoje substituída por uma edícula com churrasqueira, só usada quando há visitas. A cozinha também servia para a família conviver, já que as mesmas (cozinha e família) eram grandes. A cozinha era aconchegante e todos comiam as refeições juntos ali.
Já não há mais varandas nem sala de visitas. Há a sala de televisão, que tende a desaparecer, pois os aparelhos de TV estão indo para os quartos. Cada um tem que ter o seu. Dá para calcular o prejuízo que essa mudança nos hábitos causa nos relacionamentos interpessoais.
Vejamos os casados, por exemplo: os poucos momentos de intimidade física, emocional e de conversas no quarto, pode ser atrapalhado porque acabou a propaganda e recomeçou o programa ou a novela. Isso sem falar nos filhos que pegaram o prato de comida na pequena cozinha e foram comer cada um no seu quarto, na frente da TV ou do computador. Logo, logo os pais vão desejar boa noite para os filhos por e-mail.
Com isso nós não sabemos mais conversar. É possível perceber isso lá no HC-UNICAMP, onde fazemos o trabalho de Capelania hospitalar. As pessoas que cercam o paciente, seja da equipe de saúde, ou parentes, amigos ou quaisquer outros, não sabem exatamente o que falar para aquele que padece, e muito menos ouvi-lo! Parece que existem paredes de alvenaria que os rodeiam, e quando percebem que elas não existem, constroem "muros" de outro tipo, tais como "Tenho que sair para telefonar", lugares-comuns, representações quase que teatrais ou mesmo um sumiço como por mágica!!!!
Note: às vezes, ou quase sempre, aquela é a hora em que a pessoa mais precisa conversar!
Se nós não sabemos mais nos relacionar uns com os outros, também não o sabemos com Deus! Esse princípio está bem colocado no seguinte versículo:
Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê (1 João 4:20 RA).
Isso é coisa séria!
Gostaria de conversar sobre isso com vocês. Mesmo que seja pela INTERNET.

sábado, 29 de janeiro de 2011

DUAS POESIAS

AMAR SEM SER AMADO
É lavar as mãos sem as ter sujado.
É chover no molhado.
É ser um desgraçado.
É fazer o já feito.
É ter uma dor no peito.
É saber que não tem mais jeito.
É viver de lágrimas banhado.
É dos outros ser caçoado.
É se sentir desnorteado.
É chorar no leito.
É não receber o devido respeito.
É ouvir: eu o rejeito.
Mas amar sem ser amado,
É o que nos foi exemplificado,
Por quem foi crucificado.

AMAR E SER AMADO
É olhar infinitas vezes o já olhado,
e ainda assim ficar maravilhado.
É compartilhar o medo,
é não ter segredo.
É sentir tudo reprimido,
e explodir com o consentido.
É o amor como um todo,
cômodo.
É falar tudo,
mesmo quando se está mudo.
É conseqüência do amor,
extremado,
sem medo,
sofrido,
oferecido no todo,
acima de tudo,
de quem foi crucificado.

domingo, 23 de janeiro de 2011

METEOROLOGIA AVANÇADA

Os episódios narrados aqui se passaram há alguns anos. Hoje, por estar mais maduro, certamente não agiria da forma como agi. Mas serviu de experiência e como exercício de fé. As coisas aconteceram mais ou menos assim:
Depois de passar o dia trabalhando em uma igreja distante, eu voltava para casa junto com alguns rapazes que me acompanhavam nesse ministério. Como nenhum de nós tinha carro naquela época, estávamos fazendo o percurso a pé, ou melhor, eles caminhavam e empurravam minha cadeira de rodas. Enquanto andávamos, íamos conversando.
De repente, sem que nós percebêssemos, caiu uma chuvarada tremenda. Sem ter como escapar, procuramos nos abrigar debaixo da marquise de uma loja. Ficamos ali por um bom tempo, e nada da chuva parar, ou nem mesmo diminuir. Começamos a ficar preocupados, pois o hora passava.
Foi então que eu tive a idéia de orar para que a chuva parasse. Todos concordaram, e começamos a orar ali mesmo. Assim que terminei a oração, tive a ousadia de afirmar que logo que saíssemos dali, a chuva pararia. Bem, não preciso dizer que chegamos em casa encharcados e totalmente confusos (e eu ainda por cima envergonhado)!
Não muitos dias depois, eu deveria ir pregar numa outra igreja, e estava à espera da pessoa que viria me buscar (um dos rapazes que haviam me acompanhado no programa citado acima). Assim que o rapaz chegou, acho que você pode adivinhar o que aconteceu ... Isso mesmo, começou a cair uma forte chuva! O local da reunião ficava a três quadras de distância da minha casa, e como da outra vez, ainda não tínhamos um automóvel e a chuva era cada vez mais forte. O jeito era esperar. Mas o tempo foi passando e o rapaz já estava ficando aflito. Fiquei quieto, pois já havia passado por aquela experiência que me envergonhara, mas o rapaz, preocupado, olhou para mim e perguntou:
— Por que nós não oramos?
— Porque eu não quero me molhar!— respondi.
Ao que ele retrucou:
— Vamos orar assim mesmo, mesmo sem a gente acreditar.
Concordei com ele, oramos e saímos para a rua. Começamos a caminhar pela calçada, e enquanto andávamos percebemos, espantados, que do lado oposto da rua a chuva continuava a cair.
Nunca consegui entender direito o que aconteceu naquele dia. A única coisa que sei é que chegamos ao local da reunião totalmente secos, sem nenhuma gota de chuva em nós!
A Bíblia diz que Elias era um homem como nós, e assim mesmo ele foi capaz de confundir o serviço de meteorologia da época. Deus o usou de maneira fantástica! Você crê que Deus pode fazer a mesma coisa comigo, ou com você? Por que?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UMA VISITA QUE NÃO ACONTECEU E OUTRA QUE ACONTECEU

Aquele homem, o Jorge, sofria de câncer mas, por mais incrível que pareça, não era isso que mais o afligia. Ele estava internado há muito tempo e uma amizade sólida se formara entre nós. Eu acredito que, na maior parte das vezes, para darmos um testemunho individualmente, é necessário que exista uma amizade entre o cristão e aquele que vai ser evangelizado. Fazer amizade nos dá o direito de sermos ouvidos. A minha amizade com o Jorge abriu as portas para eu falar-lhe de Jesus e assim ele foi convertido.
Doente terminal, o Jorge só queria uma coisa: rever e abraçar o filho que era viciado em drogas e morava lá no Rio de Janeiro. Numa sexta-feira entramos em contato com o rapaz, conseguimos dele a promessa de que viria visitar o pai no domingo, falamos para o Jorge se preparar (ele garantiu que estava preparado), e só voltamos ali no hospital na segunda-feira. O rapaz não veio e nem deu satisfação.
Depois de chorar muito, o Jorge virou para mim (que estava quieto e calado ao seu lado) e disse: “OK, Chico. Estou pronto para morrer. Já me acertei e me despedi de todos aqui na Terra, menos desse meu filho, porque ele não quis. Já me acertei com Deus pois vi a salvação em Jesus, que na cruz pagou todos os meus pecados. Já posso ir para o céu em paz”.
Ele estava pronto. Com um leve toque de tristeza por causa do filho, mas feliz e em paz, o Jorge morreu no dia seguinte, terça-feira.
Tudo isso me voltou à mente devido ao fato de estar estudando o relato do encontro de Simeão com o menino Jesus, quando este foi apresentado no Templo.
“Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação,” (Lucas 2:25-30)
Por ele orar dizendo que já podia morrer pois tinha visto o Messias prometido, eu imaginava que era velho, mas diz a tradição judaica que ele era moço ainda. Um moço que estava pronto e em paz para se encontrar com Deus. Ele aguardava a visita do Cristo e Ele, o Deus Filho, veio.
Veio para nos trazer a Salvação. Você está pronto?
PARA REFLETIR:
“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 3:20-22)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL, LIXEIROS!

Quando eu era jovem, na época do Natal, costumava me juntar a um grupo de moças e rapazes cristãos para ensaiar algumas músicas natalinas. Cada um participava da ceia de Natal do dia 24 de dezembro com seus familiares, e depois saíamos para cantar nas casas de amigos e parentes. Como “cachê”, eles nos ofereciam algo para comer e beber. Sentíamos grande prazer em fazer isso, não só pela companhia da turma, mas também pelo carinho com que éramos recebidos por todos. Além disso, sempre havia a possibilidade de conhecer alguém interessante. Mas nossa maior motivação era realmente o clima natalino.
Numa dessas ocasiões, estávamos indo de carro de uma casa para outra, quando cruzamos com o caminhão de coleta de lixo. Assim que avistamos os lixeiros trabalhando, na noite de Natal, nós ingenuamente acenamos para eles e dissemos bem alto: “Feliz Natal a todos!”. Mas eles entenderam aquilo como uma provocação e começaram a nos ofender. Não os culpo por isso, pois a impressão que demos é que realmente estávamos nos divertindo às custas deles. Quando percebemos o mal-entendido, nos calamos imediatamente. Naqueles momentos de silêncio, fiquei meditando... Percebi então que muitas pessoas, por mais que queiram, não podem desfrutar de um “Feliz Natal”. Era o caso dos lixeiros: suas obrigações de trabalho os impediam de passar a noite de Natal ao lado de seus familiares e amigos.
Há situações em que as pessoas são obrigadas a passar as festas de Natal e Ano-Novo em um leito de hospital, ou em um asilo, ou até mesmo na prisão, e muitas vezes nem percebem a chegada do Natal. Em meu trabalho no Hospital das Clínicas da UNICAMP, sempre que se aproxima a época do Natal acontece a mesma coisa: diversas (digo “diversas” porque são realmente muitas) pessoas se caracterizam de Papai (ou Mamãe) Noel e vão andando pelos corredores distribuindo presentes às crianças internadas. Atitudes assim são muito importantes! Antes isso do que nada, já que a maioria das pessoas não faz esse tipo de coisa nem nessa época do ano! Mas, minha pergunta é: por que só no Natal? Obviamente não estou sugerindo que as pessoas vistam uma roupa vermelha, coloquem travesseiros na barriga, barba postiça, chapéu vermelho, botas pretas e saiam andando pelos corredores do hospital em pleno mês de junho.
O que gostaria de propor é uma atitude de amor bem mais abrangente. Não tenho certeza, mas acho que foi Millôr Fernandes quem fez o seguinte comentário: “Visitar uma favela uma vez por semana é chique, morar nela não”. O verdadeiro amor requer mais do que investimento de tempo, energia e dinheiro. Precisamos nos envolver com as pessoas e assumir um compromisso com elas. Foi essa a atitude de Cristo para conosco. Você é capaz de imaginar um amor maior do que este? Um envolvimento e comprometimento maior do que o próprio Deus ter se tornado homem para morrer por nós na cruz e levar nossos pecados?
Natal é isso: Deus se fazendo homem para pagar os nossos pecados.
No próximo Natal e ano novo, em vez de dar presentes às pessoas, dê um pouco de si mesmo a elas.