segunda-feira, 26 de novembro de 2007

PENSE NISSO 3


É fácil saber qual é a vontade de Deus. Difícil é cumprí-la.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

COMEMORANDO O NATAL SEJA LÁ ONDE FOR


Desde ontem estou começando a me preparar espiritualmente para o Natal.

Tem uma brincadeira que faço lá no HC. Quando o paciente reclama que está cansado de estar internado, eu me ofereço para conversar com os médicos e estender a internação até o Natal; e digo que estamos em promoção, ou seja, quem ficar no hospital no Natal ganha "de graça" o Ano Novo. Até hoje ninguém quis aproveitar essa oferta, embora inúmeros pacientes tenham passado tanto uma festa quanto outra ali dentro. E não poucos passaram as duas! Quase que a totalidade deles não esperava por isso.

O importante não é o que você vai fazer no Natal, mas sim o que o Natal vai fazer com você.

Vamos atentar para esses dois versículos que dizem uma coisa importantíssima sobre um jovem (pelo menos é assim que uma tradição judaica o descreve) chamado Simeão:

“Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor.” (Lucas 2:26)

“Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação,” (Lucas 2:29-30)

Depois de constatar que o nosso Salvador havia realmente nascido (ele segurou o menino Jesus no colo!), Simeão estava pronto até para morrer.

Ora, o nascimento de Jesus, o Cristo, é um fato histórico incontestável, atestado até por fontes não cristãs. Resta então saber como isso afeta a minha (e a sua também) história.

O nascimento de Cristo é o cumprimento de uma promessa feita pelo próprio Deus. Promessa de SALVAÇÃO. Salvação para uns e perdição para outros. Vejamos o que o próprio Simeão falou para Maria:

“Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição” (Lucas 2:34)

Como vimos, ninguém passa incólume pelo Natal.

Pode até parecer que é só mais um Natal, mas não é! O que está em jogo é não só se vamos para o céu mas também como lá viveremos caso formos para lá.

Se por um problema qualquer eu estivesse internado em um hospital em estado grave, e o médico me dissesse que não me daria alta antes do Natal pelo fato de ele não saber nem se eu passaria desse 25 de dezembro, uma coisa eu sei: a minha vida na Eternidade está garantida pelo que Jesus Cristo fez na cruz por mim.

E você, onde vai passar o Natal?

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

PRATICANDO A TEORIA

Certa vez fui visitar, ali no HC-UNICAMP, um determinado paciente, que deve ter entre 35 a 40 anos. Sua internação estava quase a completar um mês. Ele é um cristão que leva Deus a sério. Seu problema de saúde não é dos mais fáceis.
Para evitar que ele desanimasse ou entrasse em depressão, li com esse paciente os seguintes versículos:

“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.” (Tiago 1:2-3)

Após a leitura perguntei se ele acreditava naquilo que acabáramos de ler. Sua resposta foi rápida e previsível: "É claro que eu acredito, pois está na Bíblia!". Mas quando lhe perguntei se ele tinha os seus sofrimentos como motivo de alegria, após gaguejar e engasgar um pouco, ele honestamente admitiu que isso era difícil.

Dali em diante o nosso bate-papo girou em torno de confiarmos ou não em Deus. Mas, quando mais tarde eu pensei um pouco mais profundamente sobre esse assunto, pude ver que o ponto principal, que está além da confiança, é a perspectiva pela qual olhamos as aflições.

Um versículo um pouco adiante do que aquele que lemos nos faz olhar os sofrimentos pela perspectiva da eternidade:

“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1:12)

Não podemos perder de vista que tudo o que fazemos ou deixamos de fazer aqui na terra tem repercussão na eternidade. Um exemplo: se não aprendermos a amar aqui na Terra, vamos entender bem menos do amor de Deus lá no céu.

As aflições consolidam em nossos corações valores que serão fundamentais lá no céu. Como disse São Francisco de Assis, devemos deixar Deus ser Deus e fazer conosco o que é melhor.

Como nos portamos nos momentos de crise? Veja a advertência que a Bíblia nos faz: “ Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena.” (Provérbios 24:10)

A força nos vem quando olhamos para Deus

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.” (Colossenses 3:1-4)

sábado, 17 de novembro de 2007

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

DEPOIS NÃO DÁ MAIS PARA CONSERTAR


Veja a confissão desse homem:
"Pastor, naquela época eu tinha uns 17 ou 18 anos, só estudava, e meu pai trabalhava em uma outra cidade para nos sustentar. Ele saia na quarta-feira de madrugada e só voltava na sexta-feira. A semana inteira minha mãe e eu ficávamos sozinhos.
Quando meu pai chegava, minha mãe o atormentava o tempo todo, brigava e implicava com ele, fazia história por qualquer coisa, criava em casa um clima insuportável, o qual contrastava radicalmente com a tranqüilidade que eu desfrutava durante a semana.
É importante ressaltar, pastor, que era ela quem tumultuava nossa casa.
Certa vez, meu pai tinha chegado todo animado e saudoso, e como sempre ela começou a atormentá-lo, a dizer que ele era um inútil, ofendeu-o com alguns palavrões, e, aos berros, disse que a melhor coisa que ele podia fazer no momento era deixar o dinheiro e voltar para o lugar de onde veio. Para terminar, falou que não era só ela que pensava assim, que podia perguntar a minha opinião pois eu daria razão a ela.
Meu velho pai viu naquele momento uma grande chance de ser apoiado, compreendido e justiçado. Ele olhou confiante para mim, e perguntou: 'Você quer que eu faça isso?'
Eu olhei para minha mãe e a vi olhando para mim com ódio em seu rosto. Era como se dissesse: 'Se você o apoiar, vou infernizar sua vida nesse fim de semana e durante toda a semana'. Até hoje não sei porque ela agia assim. Sei com certeza que meu pai não deu motivos para tal. Ela era muito má.
Pastor, naquele momento, só pensando em mim, virei para o meu pai e disse: 'Para termos paz nessa casa, eu prefiro que você vá'. Pois é, fiz isso.
Tenho gravadas até hoje na minha mente as expresões que meu pai e minha mãe fizeram. Ele depois pegou a carteira, colocou o dinheiro em cima de uma mesa, pegou a mala que ainda não tinha sido aberta, e se foi. Voltou na outra sexta-feira.
Voltei a conversar com o velho várias vezes; ele nunca tocou no assunto, mas o nosso relacionameto passou a ser frio e distante, e assim foi até ele morrer.
Sei que Jesus Cristo pagou por aquele pecado, mas há uma tristeza enorme no meu coração, a qual não tem jeito de sair. E olha que já tentei de tudo!
Hoje já sou pai, e tento desesperada e inutilmente ser amigo do meu filho. O senhor mesmo, pastor, me ensinou que o pai ou é pai ou é amigo. Segundo seus conselhos, para cumprir a função de paternidade, ou seja, educar o filho, temos que abdicar da amizade com aqueles que mais amamos. Desculpe pastor, mas eu não posso concordar.
Eu não fui amigo do meu pai por egoísmo e ingratidão. E o meu filho está fazendo o mesmo comigo.
Temo que vá chegar uma hora que não dá mais para consertar".
Com lágrimas nos olhos eu não soube o que dizer para aquele homem. Eu também perdi a chance de ser amigo do meu pai.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

DIFICULDADES PARA ORAR


Uma situação comum lá no HC-UNICAMP é as pessoas me procurarem para orar por algum paciente ou até por elas mesmas. Talvez por achar que a oração de um pastor seja mais poderosa! Nunca me recusei a fazê-lo, mas eu sempre pergunto se a tal pessoa já o fez.
Lembro-me de uma ocasião em que uma mãe, evangélica, pediu que eu orasse pela filhinha dela e quando lhe perguntei se ela já havia feito isso, aquela senhora me disse que sim, mas que a minha intercessão seria diferente, e alegou que ela não sabia orar direito,
É claro que li com ela o seguinte versículo:
"Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.” (Romanos 8:26 RA)
Por outro lado, não me furtei de orar com ela pela menina. Devemos “orar uns pelos outros”. Mas note que esse orar exige envolvimento e compromisso, com o próximo e com Deus. Não adianta me envolver e ter compromisso com o próximo se não o tiver com Deus, da mesma forma não faz sentido eu pensar que tenho envolvimento e compromisso com Deus se não o tenho com o próximo.
Atente agora para um trecho de uma carta que recebi:
"Confesso a você, Chico, que nos últimos tempos, orar não tem sido fácil para mim. Enfrentando grandes lutas, com meus próprios pedidos em standby, sinto que talvez o Senhor esteja trabalhando em mim primeiramente, ensinando-me a paciência, a perseverança e a obediência, para que eu venha a tornar-me uma intercessora. Isto não quer dizer que eu não ore. Sim, eu oro, e vou orar por seus pedidos (...)".
Já me senti assim! E tenho a impressão que você também.
Penso que as orações de quem tem dificuldades para orar chegam a Deus como “aroma suave”. O reconhecimento das dificuldades já é uma oração.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

COSTUMES X DOUTRINAS


Há cristãos, firmes com Deus, dentre os quais as mulheres não cortam o cabelo, não usam calça comprida, eles não bebem bebidas alcoólicas, os homens vão ao culto de terno, não deixam a barba crescer e por aí afora. Outros há, também sérios com Deus, que vão aos cultos de bermudas, bebem uma cervejinha, vão a bailes e por aí afora.
Talvez a motivação do primeiro grupo seja o se vangloriar do que é capaz de fazer, enquanto a motivação do segundo pode ser um estreito e comprometedor envolvimento com o mundo.
Ou a motivação de ambos seja fazer a vontade de Deus.
Quem está certo?
O primeiro grupo pode tentar mostrar uma vida diferente com objetivos evangelísticos (mas os não cristãos podem não se sentirem atraídos por um modo de vida antiquado!).
Já o segundo grupo pode alegar tentar uma identificação com o mundo para alcançá-lo com o evangelho (as pessoas não evangelizadas podem não se interessar por não ver nada de diferente!).
É possível que nos dois ou em nenhum desses grupos encontremos pessoas capazes de preferir morrer a desobedecer a Deus.
O meio termo é a resposta?
Acho que não. A resposta é ter uma comunhão real e profunda com Deus. Isso sim, atrai as pessoas.
“Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.” (Jeremias 9:24 RA)
Ao buscarmos conhecer profundamente a Deus, automaticamente fazemos com que a discussão sobre os dois extremos expostos acima se torne irrelevante.
É ou não é?

sábado, 10 de novembro de 2007

DESDE MENINO

Eu estou só, deitado em um leito de hospital
Não consigo imaginar para alguém pior sorte
Tenho consciência de que, por dentro, me corrói um grande mal
E que dentro de dois minutos me encontrarei co´a morte.

Parentes e amigos, comigo não há ninguém
Todos devem pensar que é melhor que eu morra logo
Como eles, por que não confessar? Assim eu penso também
E vendo tudo isso, em lágrimas eu me afogo.

Mas antes... preciso acertar algo para o qual nunca tive calma
Como será que eu vou encarar... o Ser Divino?
Para onde será que... vai... a minha alma?
Por... que será que eu fui rebelde des...
(04.mar.86)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

UM HOMEM EM CIMA DA MARQUISE

Imagine uma dessas ruas de comércio extremamente movimentadas. Como a "25 de março" lá em São Paulo. Você já deve ter visto, é muita gente.
Pois bem, agora imagine que ali naquela calçada, no meio da multidão, haja um homem querendo falar alguma coisa para as pessoas que por ali passam. Ele gesticula, fala alto, tenta pedir para um ou outro parar, grita, e nada, todos apressados seguem seu caminho sem prestar atenção naquele sujeito.
Mas ele não desiste. Ao ver uma marquise que serve de cobertura para uma loja, pensa que falando lá de cima as pessoas lhe darão atenção. Sobe lá (não me pergunte como) e tenta dar sua mensagem. Nada novamente, só uma ou outra pessoa deu uma rápida olhada para cima e continuou seu caminho.
Desanimado, ele sentou em uma pilha de tijolos que estavam ali e pensou: "Se eu jogar essas moedas que tenho no bolso, eles vão querer me ouvir". Dito e feito, só que ninguém olhou para cima da marquise, todos ficaram olhando para o chão querendo mais moedas.
Frustrado, aquele homem ia se sentar quando teve outra idéia: "Vou dar umas tijoladas neles". E assim fez.
Todos se voltaram para ele!
Parece Deus querendo falar conosco, não parece?!
Estamos, muitas vezes, apressados demais para ouvir o que Deus tem para nos dizer.
Quando Ele nos manda bençãos, só olhamos para as mesmas ou "para baixo", querendo mais.
Só vamos nos voltar para Ele quando nos manda aflições.
Medite sobre o seguinte versículo:
“Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.” (Jó 2:10 RA)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

PENSE NISSO 2


Ou do jeito de Deus, ou do jeito de Deus.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

GOSTOSURAS, TRAVESSURAS OU NENHUM DOS DOIS?

Estávamos só a Denise e eu no nosso apartamento quando a campainha tocou. Como a portaria não havia anunciado ninguém, só podia ser alguém do próprio condomínio. Ao abrirmos a porta vimos as crianças fantasiadas de bruxos e monstros declarando “gostosuras ou travessuras”. Era 31 de outubro, dia de Halloween.
Comentei com a Denise que eu não via problema em deixar as crianças cristãs participarem dessa “brincadeira”, ao que ela comentou que são essas pequenas concessões que vão dando espaço para os jovens se afastarem de Deus. Quando eles querem ir a uma festa onde tem bebida alcoólica, um passeio com pessoas não confiáveis, uma balada onde tem drogas, ou encetar um namoro com não cristãos, é mais fácil, a princípio, nós racionalizarmos achando que são coisas inofensivas. Não são. São pequenos desvios sedutores que podem levar nossos jovens ao pecado. E todo pecado afasta as pessoas de Deus.
“Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.” (Mateus 5:13)
A primeira explicação que me deram sobre o que o Senhor Jesus quis dizer com esse termo “sal da terra” é que a principal função do sal, para as pessoas dos tempos bíblicos, era a conservação de alimentos. Por exemplo, eles salgavam o peixe e ele demorava muito mais para se deteriorar.
Isso é certo, mas há uma explicação que faz muito mais sentido.
Era comum nos tempos de Cristo, aqueles homens que tinham que caminhar ou trabalhar ao sol, levar com eles umas pedrinhas de sal, as quais eles dissolviam na boca com o propósito de provocar sede, forçando-os a tomar água, cuidado que podia ser facilmente esquecido. Assim eles eliminavam o risco de uma desidratação. Só que era comum junto com as pedras de sal ter uma ou outra pedra comum, logicamente insípida e que só servia para ser jogada fora pelo caminho.
Nós somos sal para que o mundo tenha sede de Deus!
Quando as pessoas nos olham, e aos nossos filhos, elas ficam com sede de Deus?

PENSE NISSO 1


O cuidado com os cães está tomando o lugar de muitas crianças.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

COMUNHÃO DELICIOSA


“Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? Porque sabiam que era o Senhor.” (João 21:12 RA)
Certa vez eu estava conversando com dois homens que, na Igreja que freqüentam, são líderes. Ambos compartilhavam a dificuldade que tinham de ter um encontro diário com Deus.
Conheço esses homens. Até onde eu sei, não há nada de errado com eles.
Cansaço, falta de tempo, preguiça e alegação de serem muito chatos tais tempos a sós com o Senhor, esses foram os motivos levantados.
Ou há alguma coisa errada com Deus, o que eu não acredito de forma alguma, ou errado com a maneira de eles fazerem sua Hora Silenciosa.
Depois de conversarmos um pouco vimos que o que eles faziam não era mais do que um estudo bíblico. Um encontro diário com Deus é comunhão. Como nosso Deus é maravilhoso, as emoções que sentimos ao nos colocarmos diante Dele podem ser muitas e variadas, menos difíceis e tediosas.
Foi o deão acadêmico do seminário que fiz que me alertou para a necessidade de fazermos uma clara distinção entre nossos encontros pessoais com Deus e os estudos bíblicos. Nem todas as pessoas gostam de estudar, embora reconheçemos que isso é fundamental mas todos os cristãos devem amar a Deus e ter prazer ao estar em Sua presença.
Quão preciosas são as horas,
Na presença de Jesus,
Comunhão deliciosa,
De minha alma com a luz!

sábado, 27 de outubro de 2007

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

HONRA & GRAÇA


A Cíntia, minha filha, devia ter na época, uns 10 anos. Ela estava brincando com umas amiguinhas no quintal de casa. A mãe dessas meninas foi quem as trouxe e, antes de ir embora me perguntou porque eu deixava a Cíntia usar shorts.
Pensei que poderia estar indecente a roupa que ela estava usando. Verifiquei e vi que não estava. Então perguntei àquela senhora a razão da sua pergunta. Fiquei admirado com o que ela respondeu: "Por vocês serem crentes pensei que não fosse permitido".
Além da roupa. o evangélico tem que "vestir" o estereótipo que lhe é imposto, de ser sempre alegre e que nunca peca. O pior é que vestimos essa máscara!
Nos ensinam que a mensagem tem que ser coerente com a vida, e isso é uma verdade, só que pregamos que somos sempre alegres e que não pecamos. Mas temos nossas inconstantes e muitas vezes acentuadas variações de humor e, por sermos humanos, erramos o alvo muitas vezes.
Somos humanos e perdoados. Essa é a verdadeira mensagem.
Querendo fazer a mensagem ser coerente com a vida que vivemos, somos hipocritamente incoerentes.
Já se sentiu assim?
No sistema cujo valor máximo é a honra, não se admitem falhas. Uma falha e perde-se definitivamente a honra. Onde impera a exaltação da honra, não existe perdão nem tolerância. O peso disso pode ser intolerável, não poucas vezes levando o indivíduo que falhou ao suicídio. O regime monárquico é assim, por isso não fuciona.
O que rege o cristianismo é a graça. Graça é aceitar a pessoa com suas falhas. As falhas não são aceitas, são perdoadas. Isso é possível graças ao fato de Jesus ter morrido naquela cruz para assumir como dele o ônus do nosso pecado.
Só que muitas vezes o cristão vive na "honra" e não na GRAÇA.
A honra torna as pessoas legalistas (não pode fazer isso nem aquilo, não pode se vestir de tal forma, etc ...); a graça faz com que elas sejam amorosas.
O que realmente importa é sermos honrados por Deus, e isso nada mais é do que a GRAÇA.

sábado, 20 de outubro de 2007

ÚLTIMA CHANCE

A primeira vez que eu a vi foi numa quarta-feira. Eu procurava por uma outra paciente, e ao olhar para dentro de um quarto vi a Renata chorando. Uma jovem senhora com pouco mais de 30 anos, que não era quem eu buscava, chorando! Quem me conhece sabe que se há uma coisa que me deixa sem saber o que fazer é ver uma mulher chorar. Timidamente falei "Não sei se cheguei em boa ou má hora". Ela, enquanto se recompunha, pediu que eu entrasse. Conversamos mais ou menos por meia hora.
Chorava de saudade dos pais e do irmão. Estava internada há 8 dias. Nunca havia ficado doente. Dois meses antes começou a sentir uma dor de cabeça terrível, fez os exames e foi constatado um tumor no cérebro.
Ela se abriu bastante comigo. Contou, por exemplo, que há 3 anos o marido a traiu, e isso fez com que ela voltasse a morar com a família, aos quais se apegou muito.
Disse-me que fez de tudo para segurar o marido. Quando ela falou isso, eu lhe disse que não é tudo que devemos fazer para segurar alguém (marido, filho, amigo ...) ao nosso lado. Amor demais ou de menos é egoísmo.
Lhe declarei que Deus nos ama na medida certa. Mesmo sabendo que corre o risco de sofrer. Assim é o verdadeiro amor.
Esse conceito a fez afirmar, maravilhada, que antes não via mais possibilidade de pensar em um outro amor que não fosse para o pai, mãe e irmão, mas agora seu horizonte se expandia. Até mesmo para com Deus!
Com a nossa conversa ela acalmou e disse que gostou bastante do papo.
Quinta-feira. A vi rapidamente, pois ela ia conversar com a mãe sobre a cirurgia que faria no dia seguinte. Deixei um folheto evangelístico. Ela se mostrou extremamente receptiva, e prometeu que o leria à noite.
Sexta-feira. A Renata amanheceu com uma cefaléia fortíssima. Com isso, a cirurgia teve que ser adiada. Estava tomando morfina. Só lhe falei que ia orar por ela.
Sábado. Ela passou por uma cirurgia.
Domingo. Me informaram que seu estado era crítico.
Segunda-feira. Com pesar, a enfermeira me informou que tinha sido “Aberto Protocolo". Como eu não soubesse o que era isso, perguntei, e ela me ensinou que havia suspeita de morte encefálica, e que seriam feitas as investigações necessárias.
Será que a Renata leu o folheto? Foi sua última chance.
Terça-feira. Quadro clínico inalterado. Estavam dando banho nela. Me passou pela cabeça questionar a razão de se dar banho nela. Isso demonstra o cuidado e o respeito da equipe de enfermagem pela paciente.
Quarta-feira. Uma semana depois de eu a ter conhecido, ela morreu.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

VASSOURA NO MEIO DO CAMINHO

Li, se não me engano numa Seleções, a história de uma mulher que precisava contratar uma pessoa para os serviços domésticos. Depois de colocar um anúncio em um jornal, ela pôs uma vassoura atravessada no caminho pelo qual as prováveis candidatas teriam que passar. Aquelas que pulavam a vassoura caída no chão ela já dispensava, e aquela que pegou a tal da vassoura e a colocou em um canto, apoiada no batente da porta, essa foi contratada.
Você tiraria a vassoura do caminho?
Devo a Leonardo Boff o ter atentado para o fato de que o “tamagoshi”, aquele bichinho virtual, é um símbolo de uma geração que se diverte cuidando de um ser que não existe, mas que nasce, cresce, se alimenta, faz suas necessidades, chora, ri, fica doente, sara e até morre. Só que pode ressuscitar no momento que se quiser. Essa mesma geração não se diverte cuidando do próximo, seja uma criança, um avô ou avó, um pobre ou rico que precise de atenção. E olhe que essa criança, avô, avó, pobre ou rico morrem de verdade!
Cuidar é servir. Se no nosso caminho tiver alguma coisa fora do lugar, devemos nos abaixar e dar um jeito para arrumar da melhor forma possível. Não podemos passar por cima como se não tivéssemos nada com isso, ou esperar sermos pagos para fazê-lo.
Alguém (foi o Carlito Maia?) já disse com razão que “Nessa vida, uns vieram a passeio, outros para servir”.
“( ... ) o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. (Marcos 10:45 RA)
Estamos aqui para servir.
Serviço não falta: idosos, doentes, meninos de rua, orfanatos, presídios. analfabetos, deficientes, parentes (é isso aí, cunhado também!), vizinhos, é só olhar à sua volta.
Agora deixe-me fazer uma observação: no nosso trabalho de visitação lá no Hospital das Clínicas da UNICAMP, você pode não acreditar, mas quem visita ganha mais do que quem é visitado!
Quem serve é superior a quem é servido.
Concorda?

sábado, 13 de outubro de 2007

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O QUE APRENDI COM O XADREZ


Recentemente, em uma festa de aniversário uma determinada pessoa, citando um humorista famoso, me disse que o xadrez é excelente para desenvolver a capacidade de … jogar xadrez.

Não concordo. Estou mais afinado com o pensamento de Garry Kasparov: "O xadrez é uma imagem adeqüada p/ as lutas da vida!".

Obviamente eu não perdi de vista que a vida não é só "preto no branco". Existem as áreas "cinzas", que são, por exemplo, os valores éticos não absolutos, gostos diferentes, etc., mas o xadrez, como toda prática desportiva, nos ensina lições profundas e valiosas para a vida. Quem pratica sabe.

Para começar, uma das maiores lições dessa modalidade é treinar a concentração. Prestar atenção no que se está fazendo aumenta a qualidade da realização e diminui o risco de erros.

A concentração aliada ao treino nos permite realizar coisas fantásticas. Veja, por exemplo, as performances dos artistas do Cirque du Soleil.

Podemos aprender ainda a saber perder, a ter paciência, a vislumbrar e analisar cada possibilidade de uma determinada situação.

Uma outra lição extremamente valiosa que absorvi de um enxadrista chamado Tartakower é nunca desistir, ter perseverança. Veja o que ele disse: "Ninguém jamais ganhou uma partida abandonando-a".

Mas a maior de todas a lições que aprendi com o xadrez foi a que está brilhantemente dita nessa frase de Vassily Smyslov: "No xadrez, como na vida, seu adversário mais perigoso é você mesmo".

Note o seguinte: eu posso ganhar uma partida sem ter sido melhor do que o meu adversário, e posso perdê-la sem ter sido o pior! Tudo vai depender se eu dei, ou não, o melhor de mim. O problema é eu achar, baseado nos resultados que podem não serem a expressão exata da realidade, que eu sou um sucesso, ou não.

Podemos até enganarmos a nós mesmos.

Mas Deus não se engana nunca.