
Religião é a tentativa do homem de se reconciliar com Deus. Cristianismo é a iniciativa de Deus de reconciliar o homem com Ele mesmo.
Assisti a uma cena de um filme (que não vale a pena indicar) em que um chefe da Máfia, para mostrar ao mocinho a fidelidade de seus seguidores, chama um segurança do tamanho de um guarda-roupa, manda-o estender o braço e o queima com um charuto aceso. O segurança agüenta. O mafioso não faria isso com um guarda-costas sob suspeita de traição ou que fosse sabidamente fraco à dor.
O que Deus fez com Jó foi isso? Com certeza não. O caráter de Deus não é igual ao do mafioso. Seria algo parecido com um "amigo" deixar dinheiro em cima da mesa para ver se o companheiro rouba ou é de confiança.
“Pelo que vós, homens sensatos, escutai-me: longe de Deus o praticar ele a perversidade, e do Todo-Poderoso o cometer injustiça. Pois retribui ao homem segundo as suas obras e faz que a cada um toque segundo o seu caminho. Na verdade, Deus não procede maliciosamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.” (Jó 34:10-12)
Devemos definir o que é bem e mal. O que Jó sofreu foi um bem.
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28)
Quanto maiores e difíceis as coisas que Deus nos pede, maior é o elogio que Ele nos está fazendo.
E sempre dá para suportar:
“Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” (1 Coríntios 10:13)
O QUE NÃO PODEMOS CONCLUIR:
Que todas as aflições que sofremos é castigo pelos nossos pecados. Foi justamente essa acusação que os "amigos" de Jó fizeram contra ele.
Que basta orarmos com fé e a aflição será removida por Deus.
Que Deus há de nos dar em dobro aqui na terra as perdas sofridas.
O QUE PODEMOS CONCLUIR:
Que todo sofrimento e aflição que passamos é uma chance que Deus dá aos outros de serem bons.
E quando os outros passam por dificuldades? É a nossa chance de sermos bons.
Finalmente, mal é a aflição inutil, da qual não tiramos proveito algum.
Então, que proveito Jó obteve com todas aquelas aflições? Com certeza não foi o receber o dobro de volta. Absolutamente não. Aliás, há até quem diga que esse final do livro é um acréscimo posterior. O que Deus fez na vida de Jó foi amadurecer a fé desse paciencioso homem. Ele obteve um conhecimento mais concreto e profundo de Deus. Benditas aflições!
Há uns tempos atrás, um grupo de pessoas da minha Igreja teve vontade de começar um trabalho de, com uma certa periodicidade, fazer e distribuir sopa para moradores de rua. Já haviam até conseguido legumes de graça de um grande comerciante. Até que um irmão "colocou água fria na fervura", dizendo que todos que moram na rua vivem assim porque querem. Foi uma generalização sem fundamento que contribuiu para desmotivar aquelas pessoas a ponto de abortarem o projeto!
Por outro lado, atente para esse episódio real. Um padre, ao tomar conhecimento de que um alcólatra mendigo abandonou a instituição de acolhimento a moradores de rua, dirigida por aquele religioso, foi atrás do pedinte. Encontrou-o dormindo numa calçada. Quando passou a bebedeira e o homem acordou, encontrou o padre dormindo ao seu lado no chão. Foi o suficiente para fazer o mendigo voltar para o abrigo.
De acordo com a Bíblia, devemos amar independente da resposta de quem é amado. O amado pode até rejeitar o amor.
“Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus.” (Lucas 6:35)
Minha avó já dizia que nós devemos "fazer o bem sem olhar a quem".
Por motivos compreensíveis, todas as pessoas muito rejeitadas duvidam do amor oferecido. Por exemplo, alguns filhos adotivos podem ter diversas atitudes e ações indesejadas querendo ver se "é agora que eles me mandam de volta para o orfanato". Quando se convencem do amor incondicional e permanente dos pais que os escolheram, o comportamento muda.
Muitas vezes as pessoas não conseguem ter certeza do amor que lhe dedicamos por estarmos amando errado.
" Não basta fazer o bem, importa saber se o bem que eu faço é o bem que eu sou chamado a fazer. Se o bem que eu faço é o bem que Deus quer que eu faça. Não basta ser bom, é preciso saber ser bom, ter uma caridade discernida." (pe. Contiéri, SJ)
Quando fazemos o bem, ou melhor ainda, quando amamos, devemos fazê-lo para satisfazer as necessidades dos outros, não as nossas. Já me pediram para levar uma senhora a ser voluntária lá no HC pois a mesma tinha depresão e precisava se ocupar. Eu disse não.
Muitas vezes vejo pessoas querendo ajudar os outros sem se envolverem para saber qual e quanto a pessoa precisa ser ajudada. Com isso corre-se o risco de se oferecer sopa para quem precisa de um abraço, ou conselhos para alguém que só quer desabafar, ou ainda um beijo para quem precisa de remédios.
Veja os destaques que fiz nos seguintes versículos:
"Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade". (Atos 2:45)
"E depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade". (Atos 4:35)
Mãos à obra, gente.
“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.” (Colossenses 3:1-4)
Considerando o que Paulo nos exorta a fazer no trecho acima, fiz um exercício que me foi muito estimulante, ou seja, recordar o que sei sobre como seremos e onde estaremos depois de mortos. Não fiz uma pesquisa, simplesmente fui anotando o que ia lembrando.
Me acompanhe nessa reflexão.
A primeira coisa que me veio à mente foi a certeza de que veremos a Deus (já pensou?!!); depois me lembrei de que não pecaremos mais, não morreremos mais, não haverá mais doença, teremos gozo completo e permanente, atravessaremos paredes, nos reconheceremos, comeremos, o próprio Senhor enxugará nossas lágrimas, Ele mesmo nos dará a Coroa da Justiça, teremos uma morada em uma cidade, a Nova Jerusalém, cidade essa que será de ouro puro, semelhante a vidro límpido. cuja estrutura da muralha será de jaspe,e as doze portas serão doze pérolas, e cada uma dessas portas, de uma só pérola. A praça dessa cidade será de ouro puro, como vidro transparente. Não sentiremos nem frio nem calor em excesso.
Isso tudo e o mais que não me lembrei nos foram descritos em uma linguagem antropomórfica para que pudéssemos entender. Mas há mais, muitíssimo mais, que nós não podemos nem imaginar!
“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (1 Coríntios 2:9)
E assim mesmo nós nos apegamos às coisas aqui da Terra!
Uma última observação: nunca vi ninguém, nem mesmo eu, usar essa descrição na evangelização.