terça-feira, 12 de janeiro de 2010
PELO MENOS EU FALEI
Quando a Cíntia, minha filha, era adolescente, uma amiga me criticou (ou alertou?) dizendo que eu era rigoroso demais na sua educação. Como ela era uma pessoa muito ponderada (essa amiga já morreu), fiquei pensando naquilo que ela falou. Depois argumentei: “Nesse assunto, prefiro ser cobrado por Deus por ter sido rigoroso demais do que por ter sido omisso”.
Vi no noticiário o caso de uma moça que planejou com o namorado o assalto contra a própria mãe, e me lembrei do outro caso, esse mais antigo, em que a jovem, também com o namorado, matou os pais. Como tentar ao menos contrabalançar a influência que uma pessoa mal-intencionada, ou mesmo da bandidagem, vai ter sobre nossos filhos? É lhes ensinando o que é certo, às vezes até com rigor.
Já acompanhei lá no hospital o caso de uma moça de 25 anos que teve uma perna amputada por ter sofrido um acidente enquanto andava de moto com o namorado, escondida dos pais, que não concordavam nem com o namoro nem com o andar de moto. Atualmente acompanho o caso de uma menina de 11 anos (!) que teve o braço amputado pelo mesmíssimo problema.
Observe esses versículos da Bíblia:
“Para ser sábio, é preciso primeiro temer a Deus, o SENHOR. Os tolos desprezam a sabedoria e não querem aprender. Meu filho, escute o que o seu pai ensina e preste atenção no que a sua mãe diz. Os ensinamentos deles vão aperfeiçoar o seu caráter, assim como um belo turbante ou um colar melhoram a sua aparência.” (Provérbios 1:7-9 NTLH)
Veja ainda o exemplo que Jesus, ainda criança, nos deixou, quando José e Maria o encontraram no Templo assentado com os mestres:
“E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração.” (Lucas 2:51)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
DOR GOSTOSA
Outro dia eu postei uma frase (PENSE NISSO 92) que acredito pode ser explorada numa reflexão mais profunda. É uma frase de apenas duas palavras: “Amar dói”.
A Cíntia, minha filha, em seu comentário, nos lembrou a dor que causa amar sem ser amado. Eu lhe respondi com uma frase de Albert Camus: “Não ser amado é uma simples desventura. A verdadeira desgraça é não saber amar”.
Realmente, amar é uma coisa que precisa ser aprendida. Gostar de alguém esperando receber algo em troca não é amor. Colocar-se no lugar de alguém para saber e satisfazer as necessidades legítimas do outro, independente da reação da pessoa amada, é algo que precisa ser incorporado à nossa vida pela aprendizagem.
Algumas versões mais antigas da Bíblia, traduzem a palavra “amor” por “caridade”. Ora, ninguém dá uma esmola pensando em receber do mendigo aquele dinheiro de volta com juros e correção monetária. Mas se alguém o fizer, ou ainda se o fizer querendo ganhar “pontos no céu”, ou que seja um simples muito obrigado, então isso não é caridade, não é amor.
Mesmo amando de uma forma altruísta, amar pode doer muito. É quando temos compaixão. Compaixão é quando sentimos como se fosse em nós mesmos a dor que uma outra pessoa sofre.
Certa vez falei para uma grande amiga que devemos amar sempre, e declarei que nunca me arrependi de amar. Nunca. Disse-me ela que isso mudou seu pensar sobre o amor.
Agora, preste atenção nisso a seguir:
“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1 João 4:20)
E agora?
sábado, 9 de janeiro de 2010
AMAR SEM SER AMADO (Re-postagem)
É lavar as mãos sem as ter sujado.
É chover no molhado.
É ser um desgraçado.
É fazer o já feito.
É ter uma dor no peito.
É saber que não tem mais jeito.
É viver de lágrimas banhado.
É dos outros ser caçoado.
É se sentir desnorteado.
É chorar no leito.
É não receber o devido respeito.
É ouvir: eu o rejeito.
Mas amar sem ser amado,
É o que nos foi exemplificado,
Por quem foi crucificado.
É chover no molhado.
É ser um desgraçado.
É fazer o já feito.
É ter uma dor no peito.
É saber que não tem mais jeito.
É viver de lágrimas banhado.
É dos outros ser caçoado.
É se sentir desnorteado.
É chorar no leito.
É não receber o devido respeito.
É ouvir: eu o rejeito.
Mas amar sem ser amado,
É o que nos foi exemplificado,
Por quem foi crucificado.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
COMPENSAÇÕES
Outro dia eu estava conversando com a Celinha, secretária do Serviço de Capelania do HC-UNICAMP, enquanto ela montava o presépio ali na Capela. De repente ouço alguém gritar “É o Pastor Chico!”, e quando me dei conta já estava envolto em um abraço bem gostoso e ganhando um beijo daqueles bem estalados. Era a Mayara, de 10 anos, paciente do hospital.
Em um outro dia ainda, foi na Enfermaria de Pediatria, foi a mesma coisa, só que com a Melissa, de 11 anos.
E hoje (04/01/10), então, só não chorei porque não consigo fazer isso. Quando entrei na brinquedoteca da Maura, a pedagoga do HC, o Átila, que tem 2 anos, estava pegando uns biscoitos de um pacote. Logo que me viu, pegou um biscoito em cada mão, veio na minha direção, passou por cima dos estribos da minha cadeira de rodas, acomodou-se entre meus dois joelhos de costas para mim, apoiou os bracinhos nas minhas pernas e ficou assim, comendo enquanto eu acariciava sua carapinha.
Quando a Maura e algumas mães de outros pacientes viram aquilo acharam e falaram que ele era lindo. Ouvindo isso, a Vitória, também com 2 anos, veio ao meu lado, se enroscou em meu braço, encostou a cabecinha em mim e também ficou ali, saboreando os seus biscoitos.
E eu? Eu não queria sair mais dali.
“Jesus disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.” (Mateus 19:14)
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
SENSAÇÃO DE ABANDONO
Dia de Natal. Fim de tarde, início de noite. A Denise, a Cíntia e eu chegávamos do almoço de Natal em família. Assim que desço do carro, isso já no estacionamento do nosso prédio, avisto o carro da Gabriela manobrando para estacionar na sua vaga. Essa nossa vizinha está com o marido internado lá no HC-UNICAMP. Ele está muito mal. Falei para a Denise e a Cíntia irem subindo e esperei para conversar com ela.
Depois dos cumprimentos, perguntei como está o Jossimar, e ela me respondeu o que eu já sabia, ou seja, mal e sofrendo bastante com as muitas dores. E contou também que o que mais doía nele era não poder ver a filhinha de 3 anos. Fomos conversando e nos dirigindo até o vestíbulo do elevador. Foi ali mesmo naquele lugar, em abril ou maio desse ano, que ele me falou das dores no joelho. Na época ele pensava que fora alguma contusão no futebol, mas os exames revelaram o pior: câncer.
Primeiro ele mancava, depois usava um par de muletas, depois uma cadeira de rodas. Teve que amputar aquela perna. Hoje, diversos outros focos da doença já surgiram.
Parados ali naquele “hall”, perguntei como estava a sogra dela, pois na conversa que tive com a mãe dele vi muito sofrimento. A Gabriela respondeu que ela, a sogra e mãe, desde a amputação não estava bem. Não se conforma. Eu entendo.
“E você, Gabriela, como está?” perguntei. Ela compartilhou que foi tudo muito rápido, pegou-os de surpresa, mas que já haviam conversado, ela e o marido, sobre o futuro incerto e com certeza sofrido. Eu imagino quão angustiante deve ter sido essa conversa!
Depois eu lhe dei um conselho: “Você tem que estar pronta para tudo, para o que pode acontecer de pior, e ao mesmo tempo não pode perder a esperança, que significa lutar até o fim”. Depois em casa fiquei pensando que o pior para ela pode ser o melhor para ele.
Tenho conversado muito com o Jossimar em seu leito hospitalar. Quando lhe perguntei se tinha medo, ele disse que sim e me perguntou se isso era normal. Claro que é. Expliquei-lhe então que “3 medos” podem acometer uma pessoa numa situação dessa, que são, primeiro o medo de a família ficar desamparada, depois o medo do momento da morte e por fim, medo do pós-morte. Estamos trabalhando esses três pontos.
Hoje quero ler com o Jossimar os versículos abaixo e mostrar que Deus sabe o que ele está sofrendo e que tem compaixão.
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.” (Salmos 22:1-2)
“À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Marcos 15:34)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
RESTAURAÇÕES
Qual de nós nunca passou pela amarga experiência de ter pecado e se sentir, depois, a pior das criaturas? Nossa maior necessidade nesses momentos, quer consciente ou inconscientemente, é sermos restaurados.
Imagine como Pedro se sentiu no episódio registrado no versículo seguinte:
“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.” (Lucas 22:61)
Estou certo de que aquele olhar de compaixão que Pedro desfrutou também está à nossa disposição nos momentos em que carecemos de restauração espiritual. Foi uma batalha sobrenatural que até o próprio Diabo se meteu, e isso fez Jesus orar por Pedro, o qual, acredito eu, não viu nada!
“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos. Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte. Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante.” (Lucas 22:31-34)
Isso é fantástico! Bem antes Jesus já intercedia pelo teimoso discípulo. Agora, pense comigo: quantas vezes será que isso aconteceu na minha vida e só saberei na Eternidade?! E na sua vida?
Jesus ainda fez mais por Pedro: fez-lhe uma aparição exclusiva depois de ressurreto.
“E apareceu a Cefas e, depois, aos doze.” (1 Coríntios 15:5)
Depois de meditar sobre tudo isso, o seguinte episódio ganhou, para mim, cores mais fantásticas:
“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me.” (João 21:15-19)
Isso é graça.
Imagine como Pedro se sentiu no episódio registrado no versículo seguinte:
“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.” (Lucas 22:61)
Estou certo de que aquele olhar de compaixão que Pedro desfrutou também está à nossa disposição nos momentos em que carecemos de restauração espiritual. Foi uma batalha sobrenatural que até o próprio Diabo se meteu, e isso fez Jesus orar por Pedro, o qual, acredito eu, não viu nada!
“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos. Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte. Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante.” (Lucas 22:31-34)
Isso é fantástico! Bem antes Jesus já intercedia pelo teimoso discípulo. Agora, pense comigo: quantas vezes será que isso aconteceu na minha vida e só saberei na Eternidade?! E na sua vida?
Jesus ainda fez mais por Pedro: fez-lhe uma aparição exclusiva depois de ressurreto.
“E apareceu a Cefas e, depois, aos doze.” (1 Coríntios 15:5)
Depois de meditar sobre tudo isso, o seguinte episódio ganhou, para mim, cores mais fantásticas:
“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me.” (João 21:15-19)
Isso é graça.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
OLHARES
Lembro-me de uma ocasião em que uma moça me garantiu que iria namorar um rapaz que ela acabara de conhecer. Desconfiado, eu lhe perguntei como, e ela me respondeu: “Você ainda não ouviu falar do meu olhar?”. E em menos de uma semana estavam namorando. Aquele relacionamento foi um desastre.
Estou contando isso para nos lembrarmos da força que tem um olhar. Jó sabia disso: “Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?” (Jó 31:1)
Note o que Jesus falou:
“São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” (Mateus 6:22-23)
E mais:
“Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.” (Mateus 18:9)
Não existe só um tipo de olhar. Ele pode ser de sedução, reciprocidade, reprovação, cumplicidade, rejeição, amor, ódio, simpatia, antipatia, empatia, gratidão, amizade, consentimento, indiferença e muitos outros. O pior de todos, para mim, é o de indiferença. O melhor? O de amor correspondido.
Visto isso, deixe-me compartilhar um versículo que mexe com a minha imaginação:
“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.” (Lucas 22:61)
Pedro acabara de negar que conhecia o Senhor, isso pela terceira vez, e Jesus o olha fixamente! Como será que foi esse olhar? Com certeza não foi um olhar que dizia (é isso mesmo, dizemos muito coisa só com um olhar!): “Eu avisei”. Não, não foi assim. Eu olharia assim, mas Jesus não. A Denise acha que foi o mesmo olhar que Ele nos lança quando pecamos, pois todo pecado é um “negar a Cristo”, ou seja, voltar-Lhe as costas. Acredito que podemos definir tal olhar como cheio de compaixão, que é sentir a dor que um mal causa em uma outra pessoa.
Ainda volto outro dia nesse tema, mas quero agora finalizar ressaltando que, ontem e hoje o olhar de Cristo é como será no futuro, ou seja, purificador, como mostra esse versículo:
“A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo;” (Apocalipse 1:14)
Para onde você tem olhado?
Como você tem olhado para as pessoas?
Como Jesus Cristo tem olhado para você?
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
ENCONTROS
Devo sempre buscar a Deus simplesmente para ter um encontro com Ele, e não para obter bençãos. O que eu quero dizer com “encontro” não é algo casual, acidental. É o resultado de uma busca (ou em certas ocasiões, uma espera) consciente, querida, persistente. Por amor.
“Buscai, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33).
Lembrei-me agora de uma paciente do HC-UNICAMP, Dona Antonieta, 76 anos, que há um bom tempo passado estava ali internada. Todo dia ela punha uma cadeira na porta do seu quarto e ficava me esperando para conversarmos. Se me atrasasse 5 minutos eu levava bronca. Eu também gostava muito de estar com ela, para compartilharmos nossas vidas e falarmos de Deus. Gostávamos de ficar juntos, era um encontro para vivenciarmos o amor cristão. E ambos ansiávamos por esse encontro e o buscávamos. Ou o esperávamos.
É o que Deus quer de nós.
“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13)
A maior parte das pessoas cristãs que convivo confessa ter grandes dificuldades para ler a sua Bíblia diariamente. É que seu devocional acaba sendo um tempo de estudo bíblico bem acadêmico, e nem todo mundo gosta de estudar. Não é um momento a sós com nosso maravilhoso Deus. Acaba sendo a realização de uma enfadonha tarefa, e não um encontro de amor. Ou então as pessoas O procuram como se Deus fosse um gênio da lâmpada para satisfazer nossos desejos.
Ah, antes que eu me esqueça, tenho um recado para você: Deus quer ter um encontro com você.
“Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?” (Tiago 4:5)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
ME AJUDE POIS PERDI AS FORÇAS
Ontem conversei com um homem que vai morrer em breve e sabe disso.
Mas antes de falarmos sobre isso, deixe-me compartilhar algo:
“Então, se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi, a Horesa, e lhe fortaleceu a confiança em Deus,” (1 Samuel 23:16)
Há muito tempo me dei conta desse versículo, e ontem novamente me deparei com ele. O que me impacta nessas poucas palavras é considerar que uma amizade pode nos ajudar a encontrar forças em Deus! Meditando sobre isso, me lembrei dos amigos de Jó, que foram ajudá-lo depois que ele perdeu tudo o que tinha, família e bens:
“Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo. Levantando eles de longe os olhos e não o reconhecendo, ergueram a voz e choraram; e cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça. Sentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.” (Jó 2:11-13)
Duas coisas nesse trecho são dignas de nota: a primeira é a predisposição à solidariedade, e em segundo, é que o consolo pode ser em silêncio. Eles ficaram 7 dias e 7 noites sem abrir a boca, não falaram nada, e nem precisava. Antes tivessem continuado calados. Eles acusaram Jó de estar sofrendo todas aquelas perdas devido a algum pecado não confessado. Note o que Jó lhes diz:
“Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras e vós todos sois médicos que não valem nada. Tomara vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria!” (Jó 13:4-5)
Observe ainda a seguir, como essa falsa teologia que eles criam, quando aplicada, pode ser perniciosa:
“Então, respondeu Jó: Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos. Porventura, não terão fim essas palavras de vento? Ou que é que te instiga para responderes assim? Eu também poderia falar como vós falais; se a vossa alma estivesse em lugar da minha, eu poderia dirigir-vos um montão de palavras e menear contra vós outros a minha cabeça; poderia fortalecer-vos com as minhas palavras, e a compaixão dos meus lábios abrandaria a vossa dor.” (Jó 16:1-5)
A amizade tanto pode fortalecer quanto abater.
Voltando, então, ao que eu estava começando a contar: ontem conversei com um homem (35 anos!) que vai morrer em breve e sabe disso. Foi com um paciente do HC-UNICAMP.
A primeira coisa que pensei foi em como ajudá-lo a encontrar forças em Deus?
Comecei perguntando-lhe se está com medo. Sua resposta foi sincera, com uma afirmação seguida de uma pergunta: “Tenho medo sim. Você acha isso natural?”. Respondi que é natural, por se tratar de algo acionado pelo instinto de auto-preservação.
Deixei claro que é imprescindível que ele esteja pronto para o “pior”, ou seja, a morte (que nem sempre é o pior), sem perder a esperança, que é o que o motivará a continuar lutando.
Na hora de nos encontrarmos com a morte, 3 medos podem ocorrer: o de deixar a família desamparada, o da hora da morte e o do pós-morte. Quanto ao primeiro, que é o caso desse homem que conversei, como vivemos como se não fôssemos morrer, sempre há o que fazer. O segundo medo é o da passagem. Gosto dessa expressão, pois costumo descrever a morte como passar por uma janela (não digo porta porque pela janela há um grau maior de dificuldade); do lado de cá, ajudando na passagem, ficam os parentes e amigos, e do lado de lá quem ajuda são os anjos e, não tenho muita certeza, o próprio Senhor Jesus. Isso, é claro, no caso de ser uma pessoa convertida, que é o caso desse meu amigo que estou citando. Já o caso de um não convertido “passar pela janela”, não quero nem lembrar o que um outro homem, que recusou o perdão em Cristo, me contou sobre o que ele viu do lado de lá.
PARA REFLETIR:
“Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Filipenses 1:21)
Mas antes de falarmos sobre isso, deixe-me compartilhar algo:
“Então, se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi, a Horesa, e lhe fortaleceu a confiança em Deus,” (1 Samuel 23:16)
Há muito tempo me dei conta desse versículo, e ontem novamente me deparei com ele. O que me impacta nessas poucas palavras é considerar que uma amizade pode nos ajudar a encontrar forças em Deus! Meditando sobre isso, me lembrei dos amigos de Jó, que foram ajudá-lo depois que ele perdeu tudo o que tinha, família e bens:
“Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo. Levantando eles de longe os olhos e não o reconhecendo, ergueram a voz e choraram; e cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça. Sentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.” (Jó 2:11-13)
Duas coisas nesse trecho são dignas de nota: a primeira é a predisposição à solidariedade, e em segundo, é que o consolo pode ser em silêncio. Eles ficaram 7 dias e 7 noites sem abrir a boca, não falaram nada, e nem precisava. Antes tivessem continuado calados. Eles acusaram Jó de estar sofrendo todas aquelas perdas devido a algum pecado não confessado. Note o que Jó lhes diz:
“Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras e vós todos sois médicos que não valem nada. Tomara vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria!” (Jó 13:4-5)
Observe ainda a seguir, como essa falsa teologia que eles criam, quando aplicada, pode ser perniciosa:
“Então, respondeu Jó: Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos. Porventura, não terão fim essas palavras de vento? Ou que é que te instiga para responderes assim? Eu também poderia falar como vós falais; se a vossa alma estivesse em lugar da minha, eu poderia dirigir-vos um montão de palavras e menear contra vós outros a minha cabeça; poderia fortalecer-vos com as minhas palavras, e a compaixão dos meus lábios abrandaria a vossa dor.” (Jó 16:1-5)
A amizade tanto pode fortalecer quanto abater.
Voltando, então, ao que eu estava começando a contar: ontem conversei com um homem (35 anos!) que vai morrer em breve e sabe disso. Foi com um paciente do HC-UNICAMP.
A primeira coisa que pensei foi em como ajudá-lo a encontrar forças em Deus?
Comecei perguntando-lhe se está com medo. Sua resposta foi sincera, com uma afirmação seguida de uma pergunta: “Tenho medo sim. Você acha isso natural?”. Respondi que é natural, por se tratar de algo acionado pelo instinto de auto-preservação.
Deixei claro que é imprescindível que ele esteja pronto para o “pior”, ou seja, a morte (que nem sempre é o pior), sem perder a esperança, que é o que o motivará a continuar lutando.
Na hora de nos encontrarmos com a morte, 3 medos podem ocorrer: o de deixar a família desamparada, o da hora da morte e o do pós-morte. Quanto ao primeiro, que é o caso desse homem que conversei, como vivemos como se não fôssemos morrer, sempre há o que fazer. O segundo medo é o da passagem. Gosto dessa expressão, pois costumo descrever a morte como passar por uma janela (não digo porta porque pela janela há um grau maior de dificuldade); do lado de cá, ajudando na passagem, ficam os parentes e amigos, e do lado de lá quem ajuda são os anjos e, não tenho muita certeza, o próprio Senhor Jesus. Isso, é claro, no caso de ser uma pessoa convertida, que é o caso desse meu amigo que estou citando. Já o caso de um não convertido “passar pela janela”, não quero nem lembrar o que um outro homem, que recusou o perdão em Cristo, me contou sobre o que ele viu do lado de lá.
PARA REFLETIR:
“Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Filipenses 1:21)
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
NOSSO PAI VÊ EM SECRETO
A conversão ao cristianismo é uma conscientização de que o Jesus histórico é o Messias, o Cristo, é Deus que se fez homem e, condição sine que non e por isso mesmo de importância equivalente à conscientização, fruto de um real e emocionante encontro pessoal e contínuo com o próprio Senhor Jesus. Sem essa conscientização e sem esse encontro não há conversão. Antes de ser cristão eu pensava que o era; existe essa possibilidade. Veja esse trecho da Bíblia:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.” (Mateus 7:21-27)
Note que os alicerces não são visíveis. Isso pode ser uma figura do nosso relacionamento com Deus. É só entre ele e eu. Ninguém vê. Só na hora da tribulação, das adversidades, é que se vê a firmeza da espiritualidade.
Me dói pensar que inúmeras pessoas, após reconhecerem que Jesus é o Cristo, só assumem o perfil de “crente”, nunca tiveram um encontro pessoal e particular com nosso Senhor. E o pior, acreditam que estão salvos e não estão!
Avaliamos (o que em si já é uma coisa errada, mas que assim mesmo o fazemos) a espiritualidade dos outros por seu perfil externo, por sua aparência, o que nos leva a muitas vezes fazer mal juízo dessas pessoas; não achando que elas são ruins, muito pelo contrário, pensando serem elas firmes com Deus quando na realidade não o são.
“Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.” (1 Samuel 16:7)
Acredito que no céu teremos muitas surpresas.
“Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos [porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos].” (Mateus 20:16)
PARA REFLETIR:
“(...) a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:4)
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:6)
“(...) com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:18)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
ANO NOVO, VIDA NOVA
Outro dia, tomando cafezinho na Capelania do HC, perguntei aos que ali estavam se 2009 foi um bom ano para eles. Um amigo respondeu: “Sei lá. Eu não costumo dividir a minha vida em períodos”. É jovem, quer ser diferente, eu entendo. Estou escrevendo isso porque para mim o fim do ano é uma excelente oportunidade para me avaliar e planejar minha vida a curto, médio e longo prazo. E com isso posso glorificar a Deus: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.” (Salmos 103:2)
Como um conhecido me falou, esse ano que passou foi uma montanha-russa. Eu só acrescentaria a isso que notoriamente esse ano aprendi muito mais nas “descidas” do que nas “subidas”. Mais nas profundidades do que nas alturas.
E o Ano Novo? Como alguém, que não sei quem foi, bem disse “Quem falha em planejar, planeja falhar”, estou planejando. Sem perder de vista, é claro, esses dois trechos da Bíblia:
“Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” (Salmos 127:1-2)
“Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.” (Tiago 4:13-16)
É claro que nesse planejamento também avalio se posso “construir essa torre ou enfrentar o exército inimigo” (Lucas 14). Conheço inúmeras pessoas que sempre fazem promessas para o Ano Novo, resolução essa que não chega a março.
Mas o meu maior plano para 2010 é sair do meu “porto seguro” e me aventurar em “águas mais profundas”.
PARA REFLETIR:
“Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes. Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes.” (Lucas 5:4-6)
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
UMA VISITA QUE DOEU
Quando cheguei ontem, 23 de dezembro, ao escritório da Capelania do HC-UNICAMP, só estava ali a Celinha, a secretária daquele serviço, a qual é a “espinha dorsal” do nosso trabalho. Ficamos conversando e, num dado momento ela virou para mim e disse que todo ano ela passa por um problema (ou apuro, não lembro a expressão que ela usou), e que esse ano não foi diferente: desejar um feliz Natal e um bom Ano Novo para a Dulce e para a Efigênia, que haviam passado por lá para lhe darem um abraço.
A Dulce é a vó que cuida do Nino e a Efigênia é a mãe do João Vitor. Essas duas crianças, de 8 e 6 anos respectivamente, são pacientes crônicos que dependem do respirador mecânico e devido à sua debilidade não vão sair mais do hospital. Essas duas mulheres vão passar o Natal no quarto das suas crianças, que é onde elas moram.
Deixe-me descrever o quarto deles para vocês. Logo que se entra, à esquerda, é a porta do banheiro. Mais para dentro, tudo à esquerda, tem a poltrona que à noite vira cama, da Dulce, o leito do Nino, dois criados-mudos, o leito do João Vitor e por fim a poltrona/cama da Efigênia. Na parede do fundo à esquerda há 2 janelas e à direita um armário embutido. Encostado à parede da direita de quem entra há um armário que as duas “repartem”. É espaçoso, tanto que a minha cadeira de rodas circula por tudo ali. É nesse quarto que eles vão passar o Natal! Em cima do armário que fica encostado à parede, a Maju, a fisioterapeuta, montou uma árvore de Natal. Ela a montou a pedido do Nino, pois ele disse que queria ver a que está montada no pátio da pediatria e, como ele não pode sair, que se montasse uma no quarto.
Depois que me despedi da Célia, fui visitar aqueles moradores daquele quarto que me são tão queridos. Quando cheguei lá elas estavam se despedindo de duas pessoas que já iam embora e só voltarão em janeiro. Todas com lágrimas nos olhos.
Passei a tarde com elas e com os meninos. Quer dizer, quase toda a tarde, pois reservei uma parte do tempo para conversar com um homem de 35 anos que está lutando sem sucesso contra um câncer que já está se espalhando por todo o seu corpo e faz com que ele sinta muitas e fortes dores. Quando voltei para a Pediatria cruzei com a Júlia, uma menina de 6 anos que tinha acabado de ser internada (lembre-se, era 23 de dezembro!). Essa menina recebeu um rim transplantado e volta e meia tem que ser internada. Ela gosta de ficar lá, por causa da brinquedoteca, dos palhaços, dos contadores de histórias, mas como essas atividades só voltam em janeiro, ela estava muito triste.
De volta ao quarto do Nino e do João, a Dulce me contou que o Nino perguntou em um outro dia, o porquê de ele não andar, se era por não ter pé. Ela disse que pé ele tem, mas não tem força. “Mas por que?” o Nino perguntou, e a vó disse que não sabia responder, e que “só Deus é que sabe”. Depois a Efigênia falou que sabe que o filho dela está piorando e que logo vai morrer. Depois o assunto mudou e conversamos um monte de outras coisas. Olhando e falando com aquelas mulheres, me lembrei de Maria, a mãe de Jesus. Ela foi a única pessoa do mundo que esteve com Nosso Senhor toda a Sua vida, desde o nascimento até a morte na cruz. Simeão profetizou isso:
“Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.” (Lucas 2:34-35)
Na hora de eu ir embora, beijei-as e desejei um bom Natal e um ótimo Ano Novo.
A frase me soou meio doida. Doida e doída.
PARA REFLETIR:
“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hebreus 13:5)
A Dulce é a vó que cuida do Nino e a Efigênia é a mãe do João Vitor. Essas duas crianças, de 8 e 6 anos respectivamente, são pacientes crônicos que dependem do respirador mecânico e devido à sua debilidade não vão sair mais do hospital. Essas duas mulheres vão passar o Natal no quarto das suas crianças, que é onde elas moram.
Deixe-me descrever o quarto deles para vocês. Logo que se entra, à esquerda, é a porta do banheiro. Mais para dentro, tudo à esquerda, tem a poltrona que à noite vira cama, da Dulce, o leito do Nino, dois criados-mudos, o leito do João Vitor e por fim a poltrona/cama da Efigênia. Na parede do fundo à esquerda há 2 janelas e à direita um armário embutido. Encostado à parede da direita de quem entra há um armário que as duas “repartem”. É espaçoso, tanto que a minha cadeira de rodas circula por tudo ali. É nesse quarto que eles vão passar o Natal! Em cima do armário que fica encostado à parede, a Maju, a fisioterapeuta, montou uma árvore de Natal. Ela a montou a pedido do Nino, pois ele disse que queria ver a que está montada no pátio da pediatria e, como ele não pode sair, que se montasse uma no quarto.
Depois que me despedi da Célia, fui visitar aqueles moradores daquele quarto que me são tão queridos. Quando cheguei lá elas estavam se despedindo de duas pessoas que já iam embora e só voltarão em janeiro. Todas com lágrimas nos olhos.
Passei a tarde com elas e com os meninos. Quer dizer, quase toda a tarde, pois reservei uma parte do tempo para conversar com um homem de 35 anos que está lutando sem sucesso contra um câncer que já está se espalhando por todo o seu corpo e faz com que ele sinta muitas e fortes dores. Quando voltei para a Pediatria cruzei com a Júlia, uma menina de 6 anos que tinha acabado de ser internada (lembre-se, era 23 de dezembro!). Essa menina recebeu um rim transplantado e volta e meia tem que ser internada. Ela gosta de ficar lá, por causa da brinquedoteca, dos palhaços, dos contadores de histórias, mas como essas atividades só voltam em janeiro, ela estava muito triste.
De volta ao quarto do Nino e do João, a Dulce me contou que o Nino perguntou em um outro dia, o porquê de ele não andar, se era por não ter pé. Ela disse que pé ele tem, mas não tem força. “Mas por que?” o Nino perguntou, e a vó disse que não sabia responder, e que “só Deus é que sabe”. Depois a Efigênia falou que sabe que o filho dela está piorando e que logo vai morrer. Depois o assunto mudou e conversamos um monte de outras coisas. Olhando e falando com aquelas mulheres, me lembrei de Maria, a mãe de Jesus. Ela foi a única pessoa do mundo que esteve com Nosso Senhor toda a Sua vida, desde o nascimento até a morte na cruz. Simeão profetizou isso:
“Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.” (Lucas 2:34-35)
Na hora de eu ir embora, beijei-as e desejei um bom Natal e um ótimo Ano Novo.
A frase me soou meio doida. Doida e doída.
PARA REFLETIR:
“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hebreus 13:5)
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
RELÓGIO
Outro dia, fim de tarde, eu estava lendo em um lugar perto do parque infantil do condomínio do meu prédio quando um dos vizinhos veio conversar comigo. Ele estava chegando de uma atividade que faz parte da sua agenda diária, ou seja, correr para se exercitar.
Como ele também trabalha no HC-UNICAMP, em um dos laboratórios, a conversa começou pelo serviço em comum, o contato com os pacientes. Por ser fim de ano, falamos sobre férias iminentes. Comentei ali que para mim, uma das coisas mais gostosas das férias, é não ter compromisso com horário. Aí ele falou uma coisa que me deu pena dele: “Sou escravo do relógio! Vivo indo de lá para cá tudo com horário marcado. Até quando estou de folga. No laboratório tudo tem que ser cronometrado. Até para correr fazendo exercício eu marco o tempo”. Compartilhei nesse ponto que a primeira coisa que faço quando estou de folga ou férias é tirar o relógio e colocá-lo na mesinha do telefone da sala de casa. E só o pego quando volto a trabalhar.
Estou certo ou estou errado?
Aí você pode virar para mim e me lembrar do que Paulo falou:
“Vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.” (Efésios 5:15-16)
Remir o tempo é diferente de contar o tempo. Remir o tempo é aproveitar cada oportunidade para fazer o que é certo e agrade a Deus, glorificando-O assim. Não é ser escravo do relógio e da agenda, vivendo um ativismo maluco que pode muito bem impressionar os outros, mas quase nunca agrada a Deus. Se pensarmos bem, vamos lembrar que Jesus Cristo não tinha nem relógio nem agenda, mas mesmo assim não perdia nem desperdiçava tempo. E também não tinha úlcera por causa de stress. Ele pagava o preço para ter o tempo a seu serviço.
PARA REFLETIR:
“Estai de sobreaviso, vigiai [e orai]; porque não sabeis quando será o tempo.” (Marcos 13:33)
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
SUTILEZAS
Uma jovem mãe está com a filha internada, em estado terminal, ali no HC-UNICAMP. Pessoas bem intencionadas lhe disseram que a filha não está sofrendo pois está sedada, e que Deus fez com que a criança ficasse assim para ensinar e corrigir alguma coisa na vida da mãe. Agora veja bem: toda mãe se sente responsável pela saúde e bem estar dos filhos. Como vai se sentir essa mulher que ouve que é alguma coisa errada na vida dela, da própria mãe, que está causando o sofrimento e até a morte da filha? Com certeza vai sentir culpa. Observe agora a sutileza: acredito que devemos aprender com o sofrimento, mas isso não nos torna causadores das aflições. E Deus não faria um sofrer para outro aprender algo. Aproveitar o sofrimento inevitável para crescimento interior é uma coisa, e acreditar que a aflição de alguém foi causada com o objetivo de nos ensinar algo é outra coisa.
Outra sutileza: uma menina de 14 anos dá à luz uma criança. Mãe solteira. Vamos chamar essa menina de Estela, o bebê vamos chamar de Yara, e a mãe da Estela vamos chamar de Sheila. A estela é filha única e sempre foi criada com muita atenção e carinho. Muito rapidamente ela passou do papel de filha, dependente e recebendo cuidados, para o papel de mãe, responsável e tendo que cuidar de alguém. Seu primeiro pedido de socorro, velado e talvez inconsciente, é demonstrar ciúmes reclamando que a Dona Sheila “só liga para a Yara”. Esses papéis a serem cumpridos na vida dentro do tempo devido, quando interpostos fora da hora certa, pode causar sérios conflitos internos e externos.
Como entender e lidar com esses problemas sutis da natureza humana? Creio que a Bíblia, além da sua função primordial de nos levar a conhecer a Deus, também nos ensina a conhecer o ser humano.
“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” (Hebreus 4:12-13)
PARA REFLETIR:
“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.” (Tiago 1:5-6)
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
UMA VISITA MOVIDA PELO VERDADEIRO ESPÍRITO DO NATAL
Uma velha e boba piada começa perguntando “por que o cachorro entra na igreja?” e tem como resposta “porque encontra a porta aberta”. Embora sem graça, essa anedota pode nos levar a questionar se muitas pessoas vão às igrejas por qualquer outro motivo que não seja a adoração a Deus. Não quero, de forma alguma, nos comparar a cachorros, mas, por que vamos à Igreja?
Por que você vai à Igreja?
Uma pesquisa nos revela que a maior parte das pessoas vão à Igreja através do convite feito por um amigo. Acredito nisso, mas essa é a forma que Deus usa para levar as pessoas até lá. Veja essa afirmação que Jesus fez aos seus conterrâneos:
“Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:44)
Sábado passado tivemos na nossa Igreja um programa especial, uma Cantata de Natal. Penso que havia umas 1500 pessoas ali. Todas, mas todas mesmo, convertidos e não convertidos, todos foram levados até ali pelo Espírito Santo.
Veja como Simeão, o profeta que segurou o menino Jesus no colo foi ao Templo em Jerusalém:
“Movido pelo Espírito, foi ao templo (...).” (Lucas 2:27)
No exato momento em que Simeão profetizava a respeito do Filho de Deus recém nascido ...
“Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.” (Lucas 2:36-38)
Coincidência? Não. Ação do Espírito Santo.
Que tal nesses dias tão corridos você ir à Igreja movido pelo verdadeiro Espírito do Natal?
Eu creio que você até pode não ir. É uma opção sua. Mas se você não for, saiba que a porta vai estar sempre aberta.
PARA REFLETIR:
“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, (...).” (Mateus 6:33)
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