sábado, 13 de fevereiro de 2010

PENSE NISSO 96

Há autores que em dados momentos são demoníacos, mas na maior parte das vezes são geniais. Desses, não gosto nem concordo com tudo o que publicam, mas gosto de ler tudo o que escrevem.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

MEU REI

“Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado. Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a coorte. Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça. Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.” (Mateus 27:26-31)
Aqueles soldados estavam diante do Rei do Universo! Eles não sabiam o que estavam fazendo. Se soubessem ...!
Às vezes estamos na mesma situação. Nós sabemos que Jesus é o Rei do Universo, mas será que não fazemos uma paródia do Cristo como nosso Rei? Podemos ser soldados escarnecedores, súditos fiéis, cortesões bajuladores, escravos de outros, filhos do Rei.
Como temos nos colocado diante de nosso Senhor? Não estou querendo trilhar aqui o caminho obscuro muitas vezes ensinado que devemos estar (ou sermos!) santos para nos colocarmos diante do Deus 3 vezes Santo. Inácio de Loyola nos ensina que podemos e devemos nos colocar a Seus pés tal como somos e estamos.
Deus é amor:
“E nós mesmos conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor. Deus é amor. Aquele que vive no amor vive unido com Deus, e Deus vive unido com ele. Assim o amor em nós é totalmente verdadeiro para que tenhamos coragem no Dia do Juízo, porque a nossa vida neste mundo é como a vida de Cristo. No amor não há medo; o amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo. Portanto, aquele que sente medo não tem no seu coração o amor totalmente verdadeiro, porque o medo mostra que existe castigo. Nós amamos porque Deus nos amou primeiro.” (1 João 4:16-19 NTLH)
Se nós imaginamos Deus cujo poder é militar e que está de olho só para punir todos nossos erros, ao vislumbrarmos que “ELE É AMOR” nos decepcionamos, colocamos em suas mãos um cetro de bambu, um trapo à guiza de manto e uma coroa de espinhos. E sarcasticamente nos ajoelhamo diante d'Ele.
Tal como você é e está, volte-se para Ele. Ele tem todo o amor por você.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

APERTEM OS CINTOS PORQUE PARECE QUE O PILOTO SUMIU

Sexta-feira passada fui ao casamento do filho de um amigo e irmão. Esse rapaz ia se casar no meio desse ano, mas a firma fez uma proposta para ele mudar e trabalhar na Europa, mas ele teria que ir agora, então o casamento foi adiantado. Pois não é que ele foi despedido na quinta-feira, véspera do casamento?!
Agora, observe o que aconteceu, sábado passado, em uma cidade do Rio Grande do Sul. Um rapaz estava indo para o seu próprio casamento e, no carro que o levava para a igreja onde se realizaria a cerimônia, ele teve um ataque de asma, foi levado para um hospital, onde morreu!
Diante dessas duas histórias fiquei meditando algumas coisas. A primeira, é óbvio, antes perder o emprego do que a vida.
E depois outra coisa; podemos estar com muitos planos, mas a realização dos mesmos depende totalmente de Deus.
“O coração do homem traça o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos.” (Provérbios 16:9)
Agora pensa comigo: existem muitos momentos na vida da gente em que fazemos tudo certinho, confiamos real e totalmente em Deus e sem esperarmos, vem um desastre. Como reagir então? Há um texto que por diversas vezes já me ajudou. Leia.
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3:17-18)
É interessante ficarmos remoendo isso na cabeça: “eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação”.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

ADÍLSON

Certa tarde, eu percorria um dos corredores do Hospital das Clínicas da UNICAMP quando fui abordado por uma fisioterapeuta que me fez a seguinte pergunta: — Você já orou pelo Adilson, o paciente que está no quarto 25?
— Não —, respondi. –- Por quê? Ele está precisando de oração? (Que pergunta tola! Quem não precisa?)
— Sim, e de muita oração — respondeu ela. — Ele sofreu um trauma neurológico irreversível.
Eu não sabia exatamente o que ela queria dizer com “trauma neurológico irreversível”, mas sabia da gravidade do problema, por isso fui imediatamente até o quarto 25. Assim que entrei, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a grande quantidade de aparelhos em volta do leito. Ao chegar mais perto percebi que esses aparelhos estavam conectados ao paciente, que parecia estar dormindo. Ele respirava através de um tubo introduzido em sua traquéia por uma traqueostomia, e recebia alimento por meio de sondas. Durante todo o tempo ele era monitorado por vários aparelhos, que informavam imediatamente qualquer alteração em seu estado.
Posteriormente, fiquei sabendo um pouco do que havia acontecido com aquele rapaz. Ele havia se submetido a uma cirurgia no estômago, mas algo saiu errado durante os procedimentos cirúrgicos, provocando uma parada respiratória. Durante cinco minutos seu cérebro ficou sem oxigenação, o que causou a destruição de alguns neurônios (células do cérebro cuja perda é irreversível), gerando então o tal de "trauma neurológico irreversível". Resumindo: ele estava condenado a permanecer naquele estado para o resto da vida!!
Logo após essa visita, fui até o escritório do Serviço de Capelania e compartilhei com a secretária, Célia, o quanto essa experiência havia me impressionado. Depois de ouvir atentamente, ela me perguntou:
— Você orou com ele em voz alta?
— Não — respondi. — Orei silenciosamente, por quê?
— Porque é bem possível que pessoas em estado de coma sejam capazes de ouvir.
Fiquei admirado, pois não tinha idéia dessa possibilidade.
— Quando você for visitá-lo novamente, converse com ele e ore em voz alta — ela sugeriu.
No dia seguinte, lá fui eu visitar o Adilson. A não ser pelo fato de estar virado para o outro lado, ele permanecia do mesmo jeito. Pedi então à pessoa que me acompanhava na visita (a minha filha Cíntia, que na época era estudante de enfermagem) que fechasse a porta do quarto. Aproximei-me da cama, e comecei a falar com ele. Primeiramente me apresentei, e em seguida expliquei que gostaria de ler um texto bíblico e orar com ele.
Enquanto eu falava, o Adilson começou a ficar agitado. Sua respiração ficou um pouco mais acelerada e os aparelhos começaram a apitar. Aquilo me deixou assustado, e mais que depressa olhei para a Cíntia, que me tranqüilizou dizendo:
— Calma, está tudo bem. Ele está ouvindo!
Por mais incrível que pareça, ELE ESTAVA ME OUVINDO!! Durante vários dias pude falar àquele rapaz sobre o amor de DEUS, ler a Bíblia e orar com ele.
Até que certo dia, ao entrar no quarto para minha visita costumeira, notei que havia algumas pessoas com ele. Eram os pais do Adilson que tinham vindo visitá-lo. Seus rostos estampavam uma enorme tristeza. Após uma breve hesitação, resolvi me apresentar e contar das minhas visitas ao filho deles. Os pais do Adilson reagiram de forma extremamente positiva, dando-me a excelente oportunidade de lhes falar do amor de Deus por seu filho e por eles. Depois de ler um trecho das Escrituras, orei com eles e por eles. Antes de nos despedirmos, entreguei-lhes alguns folhetos evangelísticos e fui para casa, feliz da vida.
Na semana seguinte, tive outra oportunidade de encontrá-los, só que desta vez a irmã do Adilson também participou da conversa. Pude falar também a ela do maravilhoso amor que DEUS tem por cada um de nós. Enquanto eu falava com os pais e com a irmã do Adilson, ele dava sinais de que estava ouvindo. Isso tudo fez com que eu me sentisse extremamente feliz.
Passados alguns dias, assim que entrei no quarto 25 tive uma surpresa: havia outro paciente na cama. Fui até o posto de enfermagem para tentar saber o que estava acontecendo, e recebi a notícia de que o Adilson havia morrido. Meu trabalho estava encerrado, pensei.
No fim daquele dia, ao me preparar para deixar o hospital, fiquei pensando se o Adilson e sua família teriam realmente se convertido... Com certeza só terei essa resposta na eternidade.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ALBERT SCHWEITZER

Quem primeiro falou dele para mim foi meu amigo e irmão Klaus (o Klaus é um desses amigos que estimulam o pensar). Depois foi uma citação do Rubem Alves (o Rubem Alves é um desses autores que estimulam o pensar). Daí a curiosidade me fez pesquisar sua vida na INTERNET.
Esse homem, Albert Schweitzer, foi fantástico. Muitas vezes os escritores me levam a admirá-los por seus escritos, e depois me empolgam por suas vidas. Com Schweitzer foi ao contrário. Na minha pesquisa achei bastante coisa escrita por ele, mas, de propósito, quis escrever primeiro esse texto sobre sua vida, para depois ler o que ele registrou no papel.
Albert Schweitzer foi teólogo, filósofo, escritor (recebeu o Prêmio Goethe de Literatura), músico, especialista em Bach, exímio fabricante de órgãos, médico e recebeu, merecidamente e não como uns e outros por aí, o Prêmio Nobel da Paz.
De repente ele largou tudo e foi, junto com a mulher, trabalhar com os necessitados do interior da África. Quando digo necessitados, quero dizer os mais miseráveis mesmo.
Aí surge uma pergunta: o que leva um homem que tem sucesso e capacidade em tantas áreas, o que o leva, repito, a largar tudo e se enfiar literalmente no meio do mato para servir aos outros? Ele tinha a glória aos olhos dos homens e não se importava com isso, pois conhecia a Deus:
“Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.” (Jeremias 9:24)
Pode ser que quando eu acabar de publicar esse texto e for ler o que Schweitzer escreveu eu me decepcione, mas não faz mal, seu exemplo de vida já me edificou. Ele largou tudo e foi, sacrificialmente, servir aos outros. Aprendi recentemente a não questionar a Deus sobre as enormes desigualdades e injustiças que acontecem no mundo, pois pode ser que Deus se vire para mim e responda: “É verdade, Xyko, é revoltante essa situação, e o que VOCÊ vai fazer a respeito?”. Eu disse que Ele “pode” me questionar assim? Digo melhor: Ele VAI fazer isso. Mais cedo ou mais tarde.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

PROJETOS E SONHOS


Quem me alertou para esses fatos foi o Marcos, psicólogo do Ambulatório de Neurologia do HC-UNICAMP. Em uma conversa informal ele revelou sua preocupação com os estudantes de hoje em dia. Segundo ele, os jovens não teem mais sonhos, só projetos. Enquanto conversávamos, me lembrei de uma tarde em que eu andava por um dos corredores do hospital e à frente caminhava uma residente. Uma senhora simples e idosa, com um papel na mão a aborda e pergunta onde que ela deveria ir para fazer o exame descrito naquele documento. Sem parar e sem olhar o papel a moça respondeu: “Eu sou médica, não segurança”. Além de ser mal-educada, aquela jovem não tinha acalentado o sonho de ajudar o próximo, mas tinha realizado o projeto de ser médica.
Não sou contra o termos projetos e planejamentos. Mas quando é só isso que motiva um jovem, aí temos problemas. Sonhos envolvem ideais e valores, enquanto que projetos envolvem atividades e resultados. Reconheço que tanto os projetos quanto os sonhos podem ser egocêntricos, mas o que proponho é ensinarmos essa juventude a ter sonhos altruístas realizados através de projetos do mesmo naipe.
É uma tendência humana o buscar autonomia e independência por seus próprios esforços e méritos. Assim jogamos Deus para o escanteio. Veja um exemplo:
“Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna. Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.” (Tiago 4:13-17)
O antídoto contra o egocentrismo é a humildade. Humildade é uma virtude e, como tal, parte de uma decisão pessoal. Ninguém nasce humilde. Quem é humilde é porque decidiu ser assim. Veja o conselho que Pedro, o apóstolo, dá aos jovens:
“Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pedro 5:5-7)
Mas sabe de quem é a culpa de os jovens estarem assim? É dos pais.
Concorda?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ESCAMBO


Quando eu tinha 9 meses de idade eu contraí poliomielite, ou “paralisia infantil”. Naquele tempo não havia vacina. Logo que contraí esse mal, minha situação ficou crítica, pois eu corri sério risco de morrer. Meu pai, brincando é claro, dizia que o médico lhe afirmara que eu, ou morreria ou ficaria bobo. Como não morri ...
Agora voltando a falar sério, naquela época em que minha vida estava por um fio, uma tia do meu pai fez uma promessa: se eu não morresse, meu pai (não ela) subiria de joelhos as escadarias do Monte Serrat, em Santos, minha cidade natal. Se não estou enganado, são quase 150 metros de altitude. (Veja a foto)
Eu não morri, meu pai não pagou a promessa da tia dele, e não fiquei bobo.
Por que será que as pessoas fazem promessas? Muitas com certeza para obter algo em troca, propondo um negócio com Deus, na base do “toma lá, dá cá”. Há uma séria advertência contra isso no Velho Testamento:
“Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras.” (Eclesiastes 5:1-2)
Com que temeridade nos colocamos diante de Deus propondo, ou até mesmo dispondo, as coisas do jeito que nós queremos! O Texto Sagrado continua:
“Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias. Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras.” (Eclesiastes 5:3-5)
Primeiro Deus nos exorta a pensarmos bem que tipo de voto vamos fazer. Há votos aceitáveis para Deus, por exemplo, de ação de graças. Mas negociatas são tolices.
A segunda exortação é para que se cumpra o voto feito.
“Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.” (Mateus 5:37)
Prometer coisas para Deus tentando obter algum lucro, eu não faço. Não sou bobo!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

OLHAR PARA OS PÉS OU PARA O ROSTO

Ao olhar para mim pela primeira vez, geralmente as crianças ou olham para os meus pés defeituosos ou então para o meu rosto. Algumas, felizmente pouquíssimas, das que olham primeiro para os meus pés, riem de mim. A grande maioria das que primeiramente olham para o meu rosto, sorriem para mim.
Há no meu condomínio uma menina de mais ou menos 5 anos. Ela é dessas que olham para o meu rosto e sorriem. Por causa da curiosidade natural dessa idade, ela já me perguntou inúmeras vezes “o que foi que aconteceu com você?”. Pois não é que outro dia eu estava passeando pelo estacionamento dos prédios, ela se colocou ao meu lado e, andando de costas, perguntou de novo o que é que aconteceu comigo. “Mas quantas vezes você já me perguntou isso, menina?”, perguntei. Ela respondeu: “Eu sei que foi um monte, mas é que eu esqueço”. Aí eu não resisti e falei: “Tá bom, eu explico; é que quando tinha a sua idade eu costumava andar de costas ao lado das pessoas, um dia tropecei e ...”. Na mesma hora ela estancou e só voltou a se mover quando percebeu que era brincadeira, e sorriu para mim.
Ser paralítico implica em quase sempre as pessoas nos olharem justamente por sermos paralíticos. Uns com dó (!?), outros com curiosidade mal-educada, e por fim, outros nos olham com simpatia. Alguns poucos demonstram que querem nos amar apesar do que somos.
Outro dia falei a um pequeno grupo de jovens da ABU (Aliança Bíblica Universitária) que não me importo de Deus me usar como exemplo de como servir a Deus mesmo tendo limitações. Sempre que isso ocorre me vem à mente que existem outros defeitos piores do que os de ordem física, e esses eu também os tenho.
Aquele homem a quem Jesus perguntou se queria ser curado (“Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado?” - João 5:6) foi curado em todos os sentidos (“E, se o homem pode ser circuncidado em dia de sábado, para que a lei de Moisés não seja violada, por que vos indignais contra mim, pelo fato de eu ter curado, num sábado, ao todo, um homem?” - João 7:23).
Veja esse trecho:
“Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo.” (Mateus 8:1-4)
Jesus não o curou só fisicamente, mas também em suas emoções (tocando-o), socialmente (apresentar-se ao sacerdote para atestar a cura e ser liberado a conviver com os outros) e espiritualmente (a lepra era uma figura, uma ilustração do pecado).
Isso tudo me mostra que quando Jesus Cristo me olha, e Ele o faz o tempo todo, Ele não olha para os meus “pés”, mas para o meu “rosto”, e sorri para mim.
“E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Romanos 10:15)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

UM ÚLTIMO ATENDIMENTO

Foi uma tarde muito proveitosa no hospital, muitas visitas significativas e pudemos ajudar muita gente. Estávamos, a Celinha e eu, fechando o escritório da Capelania e o telefone tocou. Era do CAISM (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher), que é um hospital que fica ao lado do HC, ambos dentro da UNICAMP. Eles pediam a presença de um pastor para um atendimento de urgência. E lá fui eu.
Ao chegar no CAISM passei pela portaria, peguei o elevador do qual saí em uma sala de espera em frente ao posto de enfermagem. Ali estava um médico conversando com uma jovem senhora. Era com aquela senhora que eu deveria conversar, foi o que informaram.
Após as apresentações, aquele médico, que estava com um Novo Testamento cinzento dos Gideões, pediu se podia só terminar a idéia que ele expunha a ela. Ele falava sobre os seguintes versículos:
“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2 Coríntios 12:7-10)
A ênfase que ele deu foi em “... quando sou fraco, então, é que sou forte”. Quando terminou, ele e a Célia, que foi comigo para mostrar onde era, foram embora, aí conversei com aquela senhora. Ela (chama-se Simone) era a nora de uma paciente, Dona Dolores, que estava desenganada pelos médicos devido a um câncer.
A Simone logicamente estava triste pelo estado da Dona Dolores, mas seu desespero vinha do fato de ainda ter dúvidas quanto à salvação da sogra, a quem amava muito. Já tinha falado sobre a obra de Jesus na cruz, a Dona Dolores afirmou que cria nisso, mas ainda havia dúvidas por parte da Simone.
Fui ao quarto daquela paciente e conversamos, só eu e ela. Aquela senhora tinha o aspecto (que já conheço bem) de alguém cuja vida está se esvaindo. Muito fraca e às vezes confusa, assim mesmo reafirmou sua confiança em Deus. Isso trouxe tranquilidade à Simone. Sendo católica, a Dona Dolores pouco depois recebeu o consolo da última comunhão (Eucaristia).
A última vez que olhei para a Dona Dolores ela tinha medo no olhar. Tinha medo, mas morreu em paz.
“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu (Jesus) venci o mundo.” (João 16:33)

PENSE NISSO 95

Saudade é a vontade de reviver um grande ou pequeno amor interrompido.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

É O QUE BASTA



Ontem, lá no HC-UNICAMP, fui visitar uma senhora, a Dona Maria, que deve ter uns 40 e tantos anos. Fui a pedido dela mesma através de uma enfermeira. A Dona Maria é evangélica e queria a presença de um pastor. Depois das apresentações, ela me explicou, chorando, porque havia mandado me chamar: “É que Deus me abandonou”. Olha a situação dessa coitada: o marido ganha só um salário mínimo, que obviamente não cobre as despesas da família, tem duas filhas que estão desempregadas há mais de 2 anos, e ela não pode trabalhar por estar doente, doença que a levou a ser internada e que gradativamente está se agravando. Depois de contar tudo isso ela repetiu: “Deus me abandonou, pastor”. E mais, a Dona Maria falou que ora e as coisas pioram cada vez mais!
Eu fiquei sem saber o que lhe falar. Numa vã tentativa de consolá-la, falei que o Deus que conheço não faria isso com ela, mas enquanto falava lembrei-me do Salmo que Jesus orou, ou cantou, ou declamou, sei lá, quando estava na cruz, e também se sentiu abandonado:
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.” (Salmos 22:1-2)
Até a hora em que fui deitar aquilo me incomodou, mas um pouco antes de dormir me ocorreu a resposta:
“ (...) A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco.” (2 Coríntios 12:9 NTLH) Em outra versão lemos “A minha graça te basta”.
Essa afirmação nós a podemos entender como Deus falando a cada um de nós: “Mesmo eu sendo o que sou eu o quero e não o rejeito, mesmo sendo você o que é. E isso é o suficiente para a sua felicidade”.
Devemos amar a Deus pelo que Ele é, e não pelo que Ele pode fazer para nós. Ou de outra forma, nós devemos adorá-Lo pelo que Ele fez POR nós, e não pelo que pode fazer PARA nós. Deus não tem nenhuma obrigação de nos dar (ou manter) bens, saúde e até mesmo a vida de nossos amados. Querer obrigá-Lo a isso é tentar em vão diminuí-Lo.
Note o pensamento de Jó depois de perder tudo, inclusive todos os filhos: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1:21)
Agora, um pequeno problema: como falar isso tudo para a Dona Maria? Ainda não sei.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

SERVIDÃO HUMANA


Já me desfiz da minha biblioteca umas 4 ou 5 vezes. Toda vez que vou me mudar ou quando não há mais espaço nas prateleiras, os livros que não são lidos passam para alguma biblioteca de igreja ou de escola, ou para alguém interessado neles. Só não me desfaço dos livros de referência (dicionários, comentários bíblicos e outras ferramentas) e de uma coleção de livros clássicos. Esses últimos eu os releio mais ou menos em ordem.
Agora estou relendo o livro “Servidão Humana”, de W. Somerset Maughan. Livro denso e tenso. Ele é meio autobiográfico. O personagem principal, Philip Carey, se apaixona pela garçonete do lugar onde ele toma chá diariamente, uma moça chamada Mildred. É uma paixão doentia. A moça não o ama e só se interessa pelo seu dinheiro, sendo até cruel ao explorá-lo. Consciente disso ele racionaliza pensando que o mais importante é amar, e não ser amado. Opa! Tem alguma coisa aqui que não se encaixou direito.
Esse pensamento verdadeiro, dentro do contexto, esconde algo errado. Até que ponto o amante não correspondido deve amar? Deve continuar amando, incondicionalmente, para sempre?
O contexto do livro mostra que o Philip se deixa enganar pela Mildred apenas para satisfazer as suas próprias necessidades. Faz isso sempre na esperança de que, ao fazer todos os absurdos caprichos da moça, ela passe a amá-lo. Ou se entregue a ele. Quem está apaixonado dificilmente vive o verdadeiro amor. Às vezes nem sabe o que é amar.
Lembrei-me da história bíblica de Tamar, que foi violentada por seu meio-irmão Amnon, o qual por um estratagema a atrai até seu quarto e a violenta. Eis o que ele sentiu depois disso: “Depois, Amnom sentiu por ela grande aversão, e maior era a aversão que sentiu por ela que o amor que ele lhe votara. Disse-lhe Amnom: Levanta-te, vai-te embora.” (2 Samuel 13:15)
A palavra amor, nesse versículo, deve ser entendida como a atração que um ser humano tem por outro, envolvendo a química da sexualidade. Quando há só isso, uma vez satisfeito esse amor, vem a aversão.
Continuo acreditando que o mais importante, e gostoso, é amar, e não ser amado, mas amar com o amor ágape, não eros. Essa distinção é para os mais maduros.
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu (...) tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.” (Eclesiastes 3:1 e 8)
Quem ama de verdade quer que o outro cresça em tudo, inclusive na arte de amar.

sábado, 30 de janeiro de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

VOCÊ ME AMA?

E se Deus, de uma forma inequívoca, chegasse para você e perguntasse: “Fulano, você me ama?”, qual seria a sua resposta?
Eu me submeti a essa reflexão, e como muitas vezes faço, tentei intelectualizar esse assunto espiritual. Assim racionalizei a princípio: “Deus quer saber se eu o amo com o amor 'philéo' ou 'ágape'?” Talvez por medo de declarar um amor falho, posto que humano, hesitei em declarar algo que sei ser verdade, ou seja, meu amor por Deus. E Deus também o sabe, e isso é o que importa.
Como pastor, me vi muitas vezes tentando convencer as pessoas a terem um relacionamento sério com Deus. Trabalho inútil e frustrante se a pessoa não O ama.
“Amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.” (Marcos 12:33)
Ainda outro dia um amigo comentou, não criticando, que tenho escrito muito sobre o amor. Pensando sobre isso concluí que estou redescobrindo de uma forma contundente, que o amor, a Deus e ao próximo, é a base de tudo. Base para todos os relacionamentos, base para a solução de conflitos e de muitos problemas, para que haja justiça e base até para a verdadeira felicidade.
Volto a perguntar: você ama a Deus?
Eis um versículo para nos ajudar a nos avaliarmos nesse assunto:
“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1 João 4:20)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

UM TRIÂNGULO CADA VEZ MENOR


Aí onde você está deve ter, ou à sua frente, ou ao lado, uma parede sem nada nela pendurado, nem quadro, nem crucifixo, nem calendário. Não precisa ser a parede inteira, pode ser só uma parte. Pois bem. Desenhe mentalmente nessa parede um triângulo com os 3 lados iguais. Agora, ainda mentalmente, escreva a palavra DEUS no ângulo superior. Assim mesmo, com letras maiúsculas. No ângulo inferior esquerdo, escreva, também mentalmente, a palavra EU. E no ângulo inferior direito escreva, isso mesmo, mentalmente, a palavra OUTRO. Isso feito, vamos ao exercício de reflexão de hoje.
Note que, sem sair do triângulo, se você aproximar concomitantemente o EU e o OUTRO de DEUS, mais próximos os 3 ficam. Quanto mais próximos de DEUS mais próximo ambos estarão um do outro! O fim será os três serem um!
“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.” (João 17:20-23)
Como estar mais próximo do meu próximo? Isso vai acontecer na medida em que, juntos, nos aproximamos de Deus.
Não se esqueça de, mentalmente, apagar o que você escreveu na parede.
Sugestão: antes de apagar, escreva isso numa parede do seu coração.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

UMA VIDA QUE VALE A PENA SER VIVIDA


Eu fiquei parado na entrada do hospital sem outra reação a não ser pensar e ficar vendo aquela moça ir embora. Ela tinha acabado de ter alta de uma internação que se fez necessária porque ela simplesmente parou de tomar seus remédios. Portadora do vírus da AIDS, uma vida extremamente sofrida, ela ia para casa e eu a acompanhei do quarto até lá em baixo, na saída. Ao me despedir eu lhe disse: “Se cuida, menina”. Ela parou, me olhou e perguntou: “Por que eu faria isso?”, ao que respondi dizendo que a vida é uma só. O que ela retrucou foi o que me fez ficar estático: “Ainda bem que a vida é uma só! Eu não iria querer viver tudo isso de novo”.
Ela queria morrer! Embora não concorde com ela, eu a entendo. Ela continuou sem tomar os remédios, foi internada de novo e conseguiu seu intento. Morreu em um sábado, o dia da semana que ela mais gostava.
Temos que fazer com que a vida valha a pena. Primeiro a nossa própria vivência, e depois a de todos os outros. Talvez eu esteja me equivocando na ordem das coisas, pois veja bem, me empenhar em fazer com que a vida dos outros seja plena de significado já dá o valor que a minha vida precisa ter, mesmo que seja necessário morrer nessa missão.
Mas como se faz isso?
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)
A palavra “vida” aqui nesse verso, no grego é “zoe”, uma vida plena e valorosa, vida ativa e vigorosa, devota a Deus, que começa aqui na Terra e continua pela eternidade, para aqueles que colocam sua confiança em Cristo.
“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10:10b)
Agora, pensa comigo: o que faz com que a vida de uma árvore, ou de uma pomba, ou de um leão, ou ainda a de uma minhoca, sejam plenas de significado? Basta que cada um cumpra o propósito para o qual foram criados. E eles hão de fazê-lo, da forma que Deus determinou. E assim Deus é glorificado.
Já conosco é bem diferente. Temos um propósito superior determinado e pelo seu cumprimento ou não temos a total responsabilidade (vamos responder por isso). Temos que glorificar a Deus com isso, assim como Jesus o fez:
“Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer.” (João 17:4)
Façamos que valha a pena ter vivido.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

PISANDO NO ESTRUME


Hoje é o segundo dia em que eu queria postar meu texto no Blog e não podia devido a problemas de conexão com a INTERNET. Ficar “off-line” para algumas pessoas é como se fosse o fim do mundo. Houve um tempo em que isso me deixaria angustiado. Hoje não mais. Um dia alguém me mostrou o seguinte versículo e o relacionou com a informática: “Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheitas.” (Provérbios 14:4 RA) A aplicação foi a seguinte: se houver bois no celeiro haverá estrume no chão, mas a colheita será maior; se quisermos produzir mais, a informática nos ajuda de uma forma fantástica, mas temos que conviver com o computador que trava, com a INTERNET fora do ar, e coisas assim.
Outro dia eu perguntei, brincando é claro, para uma adolescente quanto tempo ela suportaria ficar sem a INTERNET e sem o celular. Ela me respondeu, também brincando (assim espero), que depois de meia hora ela já começaria a se sentir mal, com tremores e falta de ar.

MUITO FAZ QUEM NÃO ATRAPALHA



Um erro muito comum que se comete ao visitar um doente internado em um hospital é ficar contando casos de conhecidos que tiveram o mesmo mal. Um outro é atribuir ao enfermo a culpa pela sua situação, à falta de fé ou a algum pecado da parte do paciente. É verdade, às vezes uma visita pode fazer mais mal do que bem. Vamos ver esse trecho da Bíblia, que relata o que aconteceu logo depois de Jó ter perdido todos os filhos, seus bens e sua saúde:
“Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo. Levantando eles de longe os olhos e não o reconhecendo, ergueram a voz e choraram; e cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça. Sentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.” (Jó 2:11-13)
Algumas observações interessantes podem ser tiradas daí.
A primeira delas é que Jó tinha amigos. Riqueza inestimável é isso. Conheço um homem que diz ser amigo de todo mundo, e se orgulha disso. Mas nesse último final de ano ele passou as festas de Natal e Ano Novo sozinho. E não foi porque quis. Por outro lado, lembro-me que quando cometi um erro que se tornou público, muitos dos que se diziam meus amigos se afastaram, enquanto que os poucos que me devotam verdadeira amizade, se achegaram a mim e assim estão até hoje. Para pensar: quem são nossos Amigos?
A segunda observação é lembrar que males vão nos atingir. São inevitáveis a maior parte deles como o próprio Senhor Jesus nos alertou, mas mesmo passando por crises podemos ter, em Cristo, a verdadeira paz: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33) Nesse momento, ou nós estamos passando por alguma crise, ou estamos saindo de uma ou, por fim, vamos passar em breve. Nisso tudo, nós temos paz?
Vamos observar agora o terceiro ponto interessante. Os amigos de Jó, quando souberam do seu infortúnio, foram até ele, não ficaram apenas se lamentando. Eles fizeram alguma coisa. Isso me fez lembrar do seguinte trecho: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” (Tiago 2:14-17) Os amigos de Jó foram. Depois “pisaram na bola”, mas foram. Ponto para eles. E para nós?
Mas, para que eles foram até lá? Essa é a nossa quarta observação. Eles foram para condoer-se com Jó e consolá-lo. Muitas e muitas vezes, a solidariedade e o conforto trazidos pelos amigos é o que impede de sucumbirmos.
Quinta observação: eles choraram e se lamentaram pelas aflições do amigo. Você já notou que, pelo menos aqui entre nós, não se usa mais ir de roupa sóbria a um velório ou funeral? Eu já vi em uma dessas ocasiões, algumas pessoas vestidas com roupas floridas e coloridas. Já vi até gente contando piada, demonstrando assim não estar sensibilizados com a dor de quem está de luto. Isso também pode acontecer ao se fazer uma visita a quem está internado em um hospital ou sofrendo alguma perda, enfim, aflito. Temos tido empatia com a dor alheia?
Última observação: eles ficaram calados. Diante de um sofrimento muito grande, geralmente não há palavras que possam ser ditas. Mas temos o falso sentimento de que é necessário falar alguma coisa. Foi o que pensaram os amigos de Jó, e começaram a acusá-lo de algum pecado que teria gerado tão grande sofrimento. Antes tivessem continuado calados. Veja esses trechos que contam o que Jó responde a seus visitantes:
“Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras e vós todos sois médicos que não valem nada. Tomara vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria!” (Jó 13:4-5)
“Então, respondeu Jó: Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos. Porventura, não terão fim essas palavras de vento? Ou que é que te instiga para responderes assim? Eu também poderia falar como vós falais; se a vossa alma estivesse em lugar da minha, eu poderia dirigir-vos um montão de palavras e menear contra vós outros a minha cabeça; poderia fortalecer-vos com as minhas palavras, e a compaixão dos meus lábios abrandaria a vossa dor.” (Jó 16:1-5)
Se olharmos à nossa volta, temos muito o que pensar e o que fazer, não é mesmo?

sábado, 23 de janeiro de 2010

DE CORPO E ALMA


O meu trabalho junto ao Serviço de Capelania do HC-UNICAMP me proporciona a oportunidade de acompanhar pessoas que estão morrendo. Coloquei no gerúndio de propósito, porque a morte faz parte do processo da vida. Com isso, já vi muita gente morrer, e quando compartilho uma ou outra dessas experiências com alguém, quase sempre as pessoas (geralmente os evangélicos) me perguntam se o falecido era “salvo”. Essa pergunta visa esclarecer se a alma, daquele cujo corpo parou de funcionar, está no céu ou no inferno. Invariavelmente minha resposta tem que ser algo parecido com “Eu acho que ...”.
Creio que não dá para sabermos, com certeza absoluta, se uma pessoa se converteu verdadeiramente ao cristianismo. Vamos chamar de Plano da Salvação uma explicação formal da situação do homem decaído e da obra redentora de Jesus Cristo. Já vi pessoas serem expostas a esse plano, aceitarem-no e dali para a frente viverem em verdadeira comunhão com Deus. Como também já vi outros indivíduos aceitarem tal plano, verbalizarem tal adesão, em alguns casos até se batizaram, e suas vidas demonstram claramente que eles não teem nenhum relacionamento com Deus. Outros não sabem dizer quando se converteram, mas sabem que são cristãos e testemunham isso de uma maneira inequívoca. Há também aqueles que vivem dentro da Igreja, são ativos e, cá entre nós, não teem nada de cristãos!
A salvação é uma coisa essencialmente pessoal, interna. É só entre a pessoa e Deus. Li certa vez que a pedrinha citada no versículo abaixo significa exatamente isso:
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.” (Apocalipse 2:17)
Atente então agora para esse outro versículo que, penso eu, pode lançar mais luz à nossa reflexão:
“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9)
Por que o confessar é com a boca? Pelo seguinte:
“O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” (Lucas 6:45)
A nossa parte mais íntima é o coração, o centro das nossas decisões. O único que tem pleno acesso ali, além de nós mesmos, é Deus. E é ali que acontece a conversão. Ou não.

PENSE NISSO 94


Há uma diferença enorme entre o Saber e o saber para o vestibular.