terça-feira, 9 de março de 2010

PERSPECTIVAS


Procure olhar uma bola de futebol que estaria no gramado de um campo, da perspectiva de uma criança de 1 ano, ou de um cadeirante, ou de uma pessoa do sexo oposto ao seu, ou de um garoto de 12 anos, ou de uma garota de 12 anos, de um pianista, de um poeta, de um fabricante de bolas, de uma formiga, de uma águia, da perspectiva de um anjo e de Deus.
Quando vemos um fato, ou um objeto ou alguém, cada um o vê da sua própria perspectiva. Do seu ângulo, que depende dos seus referenciais. Veja esses dois versículos:
“Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou.” (João 12:28-29)
Repare que a multidão interpretou o fato de Deus ter falado de duas formas: uns arriscaram um palpite “científico” enquanto outros consideraram uma possibilidade “mística”, mas ninguém, a princípio considerou que era o próprio Deus querendo lhes falar. E era!
Como temos recebido o que Deus nos fala? Lembremo-nos que sempre interpretamos tudo à luz das nossas experiências, conhecimentos, preconceitos (é isso mesmo, preconceitos!), referenciais e até da nossa ignorância.

segunda-feira, 8 de março de 2010

AS PERGUNTAS DE JESUS: VOCÊ É MESTRE E NÃO SABE ISSO?


Você gosta de estudar? Eu sempre gostei de estudar, de aprender, sempre tive curiosidade de obter conhecimento novo.
Nós, como humanidade, aprendemos mais na última década do que em toda a história. Só que isso não nos ensinou a amar mais, a orarmos mais, a sermos mais humanos e felizes.
Há nas igrejas evangélicas uma dinâmica, ou jogo, que se chama Gincana ou Concurso Bíblico. Os participantes seguram suas Bíblias fechadas numa altura acima dos ombros, o dirigente faz a pergunta, e ganha pontos quem achar no Livro Sagrado a resposta ou referência pedida. Geralmente as perguntas são mais ou menos assim:
O que está escrito em João 3:10?
Quantos versículos tem o Salmo 119?
Qual versículo da Bíblia cita melões e cebolas?
Onde está registrada a vida de Jabez?
Procuro incentivar as pessoas não só a lerem, mas também a estudarem e até a memorizarem trechos das suas Bíblias. Mas para que devemos estudar a Bíblia? Para sabermos mais do que os outros?
Nicodemos foi um fariseu que procurou Jesus meio que às escondidas. Quando Jesus lhe falou de um “novo nascimento” espiritual, ele não entendeu!
“Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus: Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?” (João 3:9-10)
Aprendi uma coisa com o Padre Toninho. O Padre Toninho e eu, só não somos grandes amigos por causa da distância geográfica que nos separa. Uma das coisas mais legais que aprendi com ele, entre muitas, é que o estudo das doutrinas é como a moldura de um quadro, enquanto que a tela é a nossa vida com Deus pintada por nós mesmos junto com Ele, ou longe d'Ele. A moldura limita, dá os parâmetros para a pintura, essa “obra de arte” que nada mais é do que a representação da nossa história pessoal com Deus.
Há molduras que valem mais do que a tela.
Como está indo seu “quadro”?
O que Jesus lhe perguntaria?

sexta-feira, 5 de março de 2010

COM A MÃO NA MASSA

Segundo ouvi por aí, estamos no fim da época em que tudo é feito para as massas, ou em função das massas: transporte de massas, comunicação de massa, produção em massa ... A idéia agora é a desmassificação. Estamos indo rumo a uma onda de personalização e individualismo.
A princípio podemos achar que isso é uma coisa boa, mas será?
No passado, o todo, isto é, a família, a cidade, a nação, era mais importante que o indivíduo. É por isso que soldados punham-se na linha de frente, cara a cara com o inimigo, sabendo que fatalmente iam morrer, e assim mesmo marchavam em frente, tentando matar o maior número possível daqueles que ameaçavam, por exemplo, sua pátria, até que fosse morto. Haviam valores maiores a serem defendidos.
A massificação fez com que o indivíduo se transforma-se em um número. A personalização e o individualismo não vai acabar com isso. Vai prender (ou já está prendendo) cada pessoa em frente do monitor do seu computador, acabando com os relacionamentos interpessoais, isolando hermeticamente uns dos outros. Sempre monitorados.
É o fim dos abraços, das mãos dadas, do olho no olho, do rir junto, dos beijos ...
O plano de Deus é que sejamos um corpo (o todo) com cada membro (indivíduo) valorizado, pois necessário.
“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? O certo é que há muitos membros, mas um só corpo.” (1 Coríntios 12:12-20)
A palavra “WEB” em inglês significa “teia, trama”.

quinta-feira, 4 de março de 2010

PEDIDO DE ASILO

O velhinho que estava na varanda da casa pergunta para um outro velhinho que está passando com uma vara de pesca na mão: “Vai pescar?”, e o outro responde “Não, vou pescar.” sendo que o da varanda comenta “Ah, pensei que você fosse pescar”.
Já disse e repito quantas vezes forem necessárias, pelo menos por enquanto: quando eu ficar mais velho, aposentado e dando mais trabalho do que dou hoje, ponham-me em uma instituição para acolhimento de idosos. Ou seja, um asilo para velhos.
Lá eu vou ter companhia sempre, refeições na hora certa, talvez alguém para jogar xadrez, vou ser cuidado, e não vou atrapalhar a vida de ninguém. Quem sentir saudades que vá até lá me ver. Se eu puder ter um computador conectado na INTERNET, aí vai ser uma maravilha, posso ler as notícias, jogar xadrez, mandar e receber mensagens eletrônicas, assistir cultos e tantas outras coisas.
Só uma dúvida eu tenho: será que em um asilo eu consigo fazer do meu lugar o “meu canto”? Sabe por que eu fiquei com essa dúvida? É por causa da experiência de uma ex-voluntária lá do HC-UNICAMP, hoje com 96 anos e que antes morava sozinha mas, devido a um acidente doméstico, agora está em um asilo. E me disseram que esse asilo é daqueles bem chiques. Pois não é que para todo mundo que vai lá ela fala que quer voltar para casa?! Por que será? Eu sei que a casa da gente “sempre é a casa da gente”. Será que em uma instituição não dá para nos sentirmos em casa? Note que há casas que parecem uma instituição!
Veja que lindo esse trecho da Bíblia:
“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer; antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro; no dia em que tremerem os guardas da casa, os teus braços, e se curvarem os homens outrora fortes, as tuas pernas, e cessarem os teus moedores da boca, por já serem poucos, e se escurecerem os teus olhos nas janelas; e os teus lábios, quais portas da rua, se fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem; como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andem rodeando pela praça; antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Eclesiastes 12:1-7)
Esse é o provável caminho de todos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

NÃO VEJO A HORA DE FAZER DE NOVO!

“Quão preciosas são as horas, na presença de Jesus;
comunhão deliciosa, de minh'alma com a luz ...”.
Tinha até futebol da seleção brasileira na TV, e além do mais estava um pouquinho frio. A Denise, sabendo como gosto de futebol e não gosto de frio, até sugeriu que eu não descesse, mas eu precisava ir. E fui.
O lugar onde mais aprecio ficar é um canto quase que no fundo do condomínio. Ali é muito sossegado, sons só ao longe, como um rádio tocando música sertaneja, panelas e pratos batendo, os carros nas avenidas e ruas próximas, bem baixinho.
Onde eu fico, à minha esquerda tem um jardinzinho, à direita um vaso grande com umas palmeirinhas um pouco queimadas. Ontem à minha frente, eu tinha o Sol se pondo lindamente.
No meu colo, minha Bíblia, papel e caneta. Só. Não era necessário mais nada.
Era Deus e eu, como se estivéssemos em uma varanda. Falei dos meus motivos de gratidão a Ele, a alegria que Ele me proporciona, compartilhei alguns planos, alguns medos, “contei” como tenho me sentido velho e depois ficamos em silêncio, aproveitando aquele momento.
“E, tendo-os despedido, subiu ao monte para orar. Ao cair da tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra.” (Marcos 6:46-47)
Você já teve uma experiência assim? Se não, é porque você não quer, pois Ele quer.

terça-feira, 2 de março de 2010

NÃO SEI PORQUE

Isso que vou contar aconteceu há muito tempo, e até hoje não tenho uma boa explicação. Fomos chamados lá no hospital para atender um paciente que, segundo nos informaram, estava muito nervoso e inquieto. Ele havia recebido a notícia de que teria que se submeter a um transplante, pois o seu coração estava extremamente dilatado devido a uma consequência da doença de Chagas, diagnosticada um dia antes.
Estava muito calor, mas muito calor mesmo. O pai do rapaz (o paciente tinha 25 anos) estava com ele no quarto e já não sabia o que fazer. Seu filho se sentava, logo em seguida já queria deitar, e logo depois queria sentar-se com as pernas para fora da cama e voltava a deitar-se. Considere que tudo isso ocorria com o rapaz ligado aos aparelhos que monitoravam seus batimentos cardíacos, mais o soro na veia. Como estava muito calor, eu sugerí que ele tomasse um banho. A idéia foi aceita, veio um enfermeiro, preparou o banheiro, desconectou os aparelhos, e o paciente se refrescou debaixo do chuveiro. Voltou para a cama que teve os lençóis trocados, colocou um pijama limpo e se deitou.
Uma vez que o rapaz estava acomodado, o pai falou que iria descer para trazer a namorada do paciente. O enfermeiro saiu para fazer outras coisas e, como o rapaz estava tranquilo, nós saímos prometendo voltar no fim da tarde.
Só foi nós todos sairmos do quarto e o paciente se livrou dos aparelhos, levantou-se e pulou de cabeça em um pátio interno do hospital, onde morreu.
No inquérito interno para apurar responsabilidades, um enfermeiro me perguntou se havia alguma coisa que poderia ter sido feita para evitar aquela morte. Quando respondi que sim ele se espantou e eu expliquei que poderíamos não ter saído do quarto, ou restringido (amarrado) o paciente ou coisas assim mas, quem iria imaginar que ele faria aquilo?
Mártir ou herói? Conversando com meu grande amigo Venâncio, a princípio concluí que não haveria outra designação para quem abre mão da vida. Mas parece-me que há uma triste opção, o morrer à toa.
Herói é aquele que põe sua vida em risco por obrigação. Ele é corajoso, admirado por todos por isso. É o caso dos bombeiros, soldados e outros mais.
O mártir morre por uma causa. Ele é admirado por aqueles que abraçam a mesma causa e desprezado por aqueles que não a abraçaram.
É importante que a morte tenha um sentido nobre. Isso é resultado de uma vida significativa, pois a morte, assim como o nascimento, faz parte do processo da própria vida.
E não há nada mais nobre do que viver e morrer por amor, pelo verdadeiro amor.
“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” (1 João 3:16)
Qual o sentido do seu nascimento, vida e morte?
“Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Filipenses 1:21)

segunda-feira, 1 de março de 2010

AS PERGUNTAS DE JESUS: O QUE BUSCAIS?


Outro dia um amigo e irmão muito amado me perguntou: “O que fazer para as pessoas nos seguirem?”. Não acredito que ele estivesse se referindo a como “vender melhor nosso peixe”, mas sim, como, através do nosso testemunho, fazer as pessoas se envolverem mais com o verdadeiro cristianismo. Antes de ler a resposta que eu dei, a qual está no próximo parágrafo, pare um pouco e pense qual seria a SUA resposta.
O que eu pensei, e respondi a princípio, é que devemos viver uma vida de tal forma que as pessoas à nossa volta venham a querer algo igual. Refletindo melhor posteriormente, concluí que isso está certo, mas com uma ressalva: basear nossa proclamação de uma vida com Deus na nossa retidão, é arriscado, pois todos nós temos nossos momentos ruins.
Aí pensei em Jesus. O que faz as pessoas quererem seguir a Jesus? Ele mesmo já respondeu isso:
“E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” (João 12:32)
A expressão “levantado da terra” refere-se à crucificação de Jesus. A cruz é que atrai as pessoas a Cristo, sua Paixão, a Sua morte vicária (no nosso lugar) para pagar pelos nossos pecados, isso é que atrai as pessoas.
Com esse pensamento na cabeça, na expectativa da vinda do Messias, o Cordeiro de Deus, é que dois discípulos de João Batista O seguiram:
“No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Os dois discípulos, ouvindo-o dizer isto, seguiram Jesus. E Jesus, voltando-se e vendo que o seguiam, disse-lhes: Que buscais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde assistes? Respondeu-lhes: Vinde e vede. Foram, pois, e viram onde Jesus estava morando; e ficaram com ele aquele dia, sendo mais ou menos a hora décima. Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido Jesus. Ele achou primeiro o seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias (que quer dizer Cristo), e o levou a Jesus. Olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).” (João 1:35-42)
O que aqueles dois homens estavam buscando? Das 4 horas da tarde até o fim do dia eles estiveram na mesma casa, mais até, na mesma sala onde o Deus do Universo feito homem estava! Imagine a cena. Eles queriam mais intimidade com o Senhor para melhor conhecê-Lo.
Estamos sempre buscando algo. O que estamos buscando com mais empenho hoje é mais intimidade com Deus para mais conhecê-Lo e mais amá-Lo?
“A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” (Salmos 25:14)

PENSE NISSO 99

Pessoal, vocês acreditam que tem um monte de gente que assiste o Big Brother Brasil?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O VIZINHO


Foi há muito tempo que isso aconteceu. De uma hora para outra, coisas estranhas começaram a ocorrer nas imediações de onde morávamos e até mesmo em casa. No bairro, começaram a serem roubados dos jardins e quintais, objetos tais como bicicletas, mangueiras, roupas, bujões de gás, coisas assim. Em casa, além de uns pequenos roubos (vasos, produtos de limpeza, caixa de ferramentas), o chuveiro simplesmente estourou e pegou fogo no momento em que foi ligado e outro acontecimento, o mais assustador de todos, aconteceu certa noite ... não, essa história merece um parágrafo novo.
Certa noite, quando a Denise e eu chegamos em casa, eu ouvi (ouvi mesmo, não foi impressão) um suspiro. Alto, forte e grosso como se fosse de um homem. Falei para a De que eu entraria, e entrei. Enquanto lá fora ela abria o portão para uma fuga rápida caso fosse necessária, fui cômodo por cômodo, acendendo a luz, olhando atentamente, orando, tremendo e suando. Quando acendi a luz do meu quarto, último lugar a ser visto, algo se mexeu na parede. Era uma lagartixa. Se naquele momento eu tivesse um revólver e boa pontaria, aquela lagartixa teria morrido com 6 tiros.
A princípio nós não nos demos conta disso, mas todas essas coisas começaram a acontecer a partir do dia em que uma determinada família se mudou para a casa que ficava em frente da minha (na ocasião nós morávamos em uma casa de fundos). O pai daquela família era viciado em drogas e macumbeiro. Só soubemos disso mais tarde.
Determinada noite eles nos convidaram para irmos à casa deles para jogar WAR (um desses jogos de tabuleiro). Fomos. Era mais fácil entrar com a minha cadeira de rodas pelos fundos da casa e assim o fizemos. Em um dos cantos do quintal havia uma pequena estátua representando um “preto velho” iluminada por uma vela, só não lembro se era preta ou vermelha. Embaixo da estátua havia alguns papéis dobrados. Será que eram nomes de pessoas escritos ali? Se sim, será que nossos nomes estavam ali? Tudo isso me ocorreu na ocasião.
Logo que entramos, eu tive uma sensação horrível: parecia que algo se enrolara em meu pescoço, como um cachecol, mas não havia nada, era só uma sensação. Lanchamos, jogamos e saímos, e só aí é que o “cachecol” saiu do meu pescoço. A Denise me disse que também sentiu algo parecido.
Evangelizamos aquela família, mas eles não se converteram, pelo menos até onde eu sei.
Os nossos problemas cessaram a partir do momento em que eles se mudaram para outro bairro.
“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;” (1 Pedro 5:8)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

PENSE NISSO 98

Se você parasse de crer em Deus a partir de agora, o que mudaria na sua vida?

PERGUNTAS QUE NÃO SÃO FEITAS

Imagine a seguinte situação: uma determinada Igreja procura por um novo pastor; reunida, faz uma entrevista com um dos candidatos. Nessas ocasiões, a nossa tendência é fazer e valorizar perguntas tais como as que se seguem:
Você acredita na literalidade de Gênesis, capítulos 1 a 11?
Quais são as correntes escatológicas existentes e em qual você crê?
Se um irmão é disciplinado e, não se arrependendo, é excluído do rol de membros da Igreja da qual você seria o pastor, e esse irmão entra na justiça comum e o juiz determina que ele seja aceito de volta, o que você faria?
Você é dispensacionalista? Cite as 7 dispensações.
Você é calvinista ou arminista?
O que acontece primeiro, a salvação ou a regeneração?
Quero então registrar algumas perguntas que nunca vi serem feitas, e eu mesmo falhei em não perguntar, mas as quais considero fundamentais:
Como é o seu relacionamento com Deus?
Você tem comunhão com Ele?
Você tem um encontro diário com Deus? Compartilhe como isso acontece.
E por fim, qual a sua capacidade de amar?
“Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino. Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, que até poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada. Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada.” (1 Coríntios 13:1-3 NTLH)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

MENTE QUE NEM SENTE


A enfermeira falou para o paciente recolher uma amostra de urina. O tal paciente não era mais jovem, devia ter em torno de 40 anos, pai de 2 filhos. Aquele homem pegou o recipiente, foi ao banheiro, voltou alguns minutos depois, entregou o material para a enfermeira e se deitou. A moça fez algumas anotações, pegou o material e saiu. Assim que ela foi embora o paciente me contou que ao fazer o xixi no frasco ele achou que era pouca a quantidade para o exame e, com medo de levar bronca da enfermeira, completou com água da torneira!
Contei isso para lembrar que podemos mentir sobre tudo. Provavelmente a adulteração foi descoberta no laboratório, não sei, mas é bem possível pois todos sabemos (não só em teoria mas também na prática) que a mentira tem perna curta. Apesar disso há muita gente por aí que, como dizia minha avó, “mente que nem sente”.
Observe agora essa frase de Elbert Hubbard: “A mentira é um triste substituto da verdade, porém é o único descoberto até agora”. Em outras palavras, a mentira aparece facilmente, enquanto a verdade só é conhecida com muito esforço. Mas qual a razão disso? Acredito que é porque o nosso inimigo (e todos que com ele se alinham) tem muito interesse em que a mentira seja revelada e um interesse ainda maior em que a verdade fique oculta. Por que? Porque ele é o pai da mentira e Jesus é a verdade.
“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (João 8:44)
“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6)
“Se for para mim o telefonema, diz que não estou”.
“A mamãe só vai até ali e já volta”.
“Amanhã eu pago”.
“O peixe que pesquei era maior do que essa geladeira”.
Frases assim são proferidas com muita frequência por alguns que afirmam que andam pelo caminho, dizem que conhecem a verdade e garantem que possuem uma nova vida.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

PENSE NISSO 97

O mundo todo é um imenso hospital. Em qual ala você está internado?

UMA CARTA DE ESPERANÇA

Minha querida, todas as mensagens que você me manda trazem um pequeno toque de como tem sido difícil sua vida. Problemas de saúde, sub-empregos, solidão, morar sozinha em quartos alugados, dinheiro contadíssimo, fome você não passou, mas sofreu muita vontade de comer uma coisinha gostosa e diferente, saudades da família, isso e outras coisas mais teem sido sua vida.
Fico contente por isso. Quer saber por que? Estou lendo um livro de W. S. Maugham, “Servidão Humana” em que o personagem principal, Philip, passa 2 anos de extrema pobreza, tendo inclusive passado 2 noites ao relento. Depois que se recupera, entende que esse período o ajudou a “aliviar a dor de viver”. Como o autor não é cristão, o viver se caracteriza pela dor, mas assim mesmo reconhece o valor do sofrer.
Isso é bíblico:
“(...) Nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” (Romanos 5:3-5)
Tiago vai um pouco mais profundamente, exortando-nos a nos alegrar com as provações:
“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.” (Tiago 1:2-3)
Quando digo para alguns pacientes que é possível, no futuro, agradecer pelas dificuldades que naquele momento ele passa, alguns discordam veementemente, e uns poucos até reagem grosseiramente. Graças a Deus há muitos que fazem do sofrimento uma oportunidade de aprendizagem e crescimento. Já disse diversas vezes e repito: se não aprendermos com o sofrimento, fica só o sofrimento. Como alguém disse muito bem, “Pior que o sofrimento, é o sofrimento inútil”.
Que conselho posso então lhe dar? Aproveite, aprenda, alegre-se. Você não vai se arrepender.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

AMNÉSIA

Não sei se vou lembrar para contar mas, conhece a piada do homem que se esquecia de tudo e que começava a falar um negócio e da próxima vez você corta o doce ao meio e eu escolho a camisa que vou usar.

UMA MÚSICA QUE ME INFLUENCIOU


No grupo de jovens onde me converti, ALVO DA MOCIDADE, nós cantávamos uma música que influenciou toda a minha vida espiritual. Não sei quem é o autor. A letra era assim, sendo que nós a cantávamos primeiro em português e depois em inglês: “Leia a Bíblia e faça oração (...)/se quiser crescer/read your Bible day every day (...)/if you want to grow”. Digo que teve uma influência profunda porque segui tal determinação e devo muito do meu crescimento a isso.
O crescimento ali preconizado é espiritual, um progresso no conhecimento de Deus e no consequente estreitamento das relações com nosso Senhor, tudo isso movido pelo Espírito Santo. Dá certo, pode acreditar.
Mas confesso que fazer a minha “Hora Silenciosa”, que é como chamávamos em ALVO o tempo devocional diário, exigia muita disciplina e força de vontade. Devido a isso, conheço pouquíssimas pessoas que tenham um tempo diário de leitura da Bíblia e oração.
Hoje para mim essa prática é meu maior prazer. Quero fazer isso a toda hora, e quando dá eu faço mesmo. É como ter um amigo daqueles que queremos estar junto o mais possível e com quem os assuntos jamais se esgotam.
E quer saber de uma coisa? Descobri que Deus também quer, e com certeza mais do que eu quero. Por que eu? Não sei.
“Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (João 17:24)
É claro que é com temor, confiança reverente, pois Deus é Deus.
“A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” (Salmos 25:14 RA)
Veja também essa outra versão:
“O SENHOR Deus é amigo daqueles que o temem e lhes ensina as condições da aliança que fez com eles.” (Salmos 25:14 NTLH)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

TRABALHO DE PARTO

A LEI E A GRAÇA


Foi um retiro espiritual muitíssimo proveitoso. Ele aconteceu no Mosteiro de São Bento, em Vinhedo, há muito tempo. No meio de um pequeno bosque há uma casa, até que razoavelmente espaçosa, e nessa casa levei uns 15 jovens. O programa era simples, pois eles tinham só que fazer a paráfrase, ou seja, escrever com suas próprias palavras, o seguinte versículo:
“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7:14)
Pensando bem, não era tão simples assim. Tinham que estudar todo o contexto desse verso, palavra por palavra, suas implicações e aplicações práticas para hoje. Para isso levei uma pilha enorme de comentários e dicionários bíblicos. Durante 3 dias eles trabalharam em equipe, 3 horas de manhã, 3 horas à tarde, e as noites eram livres para fazer uma parte social.
Se pudesse fazer isso de novo eu o faria, só que com uma modificação. Seria um acréscimo. Para fugir um pouco da tendência que, penso eu, nós evangélicos temos de nos ocuparmos muito mais com o Velho Testamento do que com o Novo, eu poria mais um versículo para ser parafraseado. Esse:
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

OLHOS ABERTOS


Acho que foi em um almoço de domingo, em minha casa. Ao acabarmos de orar a Letícia, minha neta por opção, que na época devia ter uns 4 ou 5 anos, e que me chama até hoje de Tô, observou: “O Tô não fechou os olhos para orar”. Para me ver orando de olhos abertos ela também estava.
Por que oramos de olhos fechados?
Jesus também orava de olhos abertos:
“Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste.” (João 11:41)
“Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti,” (João 17:1)
Pode ser que Ele também orasse de olhos fechados, eu acredito que sim, mas temos aí registradas pelo menos duas ocasiões em que nosso Senhor orou de olhos abertos.
Volto a perguntar: por que oramos de olhos fechados? Obviamente para termos uma maior concentração.
Lá no HC-UNICAMP, quando oro com os pacientes, costumo fazê-lo de olhos abertos. Já aconteceu de estarmos orando de olhos fechados e o doente vomitar inesperadamente; ou o inimigo se manifestar; ou entrar alguém da equipe de enfermagem, ou visita. É por essa razão que prefiro estar vendo atentamente o que acontece à nossa volta.
Quando estou em contato com a natureza também gosto de olhar animais, plantas, o céu, o mar ... Tudo me inspira a louvar a Deus.
Eu poderia comentar de alguns que oram com os olhos fechados para dar aos outros uma falsa idéia de espiritualidade, mas como isso não é da minha conta, não o farei.

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL de Frei Beto

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: “Qual dos dois modelos produz felicidade?”.
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à aula?”. Ela respondeu: “Não, tenho aula à tarde”.
Comemorei: “Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde”. “Não, retrucou ela, tenho tanta coisa de manhã... “. “Que tanta coisa?”, perguntei. “Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: Que pena! A Daniela não disse: `Tenho aula de meditação!'.
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: `Como estava o defunto?'. `Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questo da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é `entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: `Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse. Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje no Brasil, constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros a som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus; se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório; mas se não pode comprar certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonalds...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: `Estou apenas fazendo um passeio socrático'. Diante de seus olhares espantados, explico: `Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!".
(Frei Betto)