terça-feira, 18 de setembro de 2007

SILÊNCIO, POR FAVOR

Uma das coisas mais difíceis de se reconhecer, penso que para todos os cristãos, é que a maior parte dos pecados que cometemos (senão todos) foram planejados.

Ninguém está andando pela rua e, sem mais nem menos, diz:

- Epa, adulterei sem perceber.

Não, a coisa já começou lá atrás. Com um simples pensamento, um desejo pecaminoso que foi acalentado e deixado por ali, quem sabe para ser repensado mais tarde.

“ … cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.” (Tiago 1:14 RA)

Tenho por costume fazer o exercício espiritual do silêncio. Trata-se de ficar no silêncio e em silêncio.

Primeiramente calamos as “vozes exteriores”: rádio, TV, aparelho de som, livros, revistas, outras pessoas, enfim, tudo aquilo que pode vir a distrair a nossa atenção.

Em seguida devemos calar as “vozes interiores”, ou seja, preocupações, tarefas a serem feitas, coisas a serem lembradas, providências, ou quaisquer outros pensamentos que, via de regra, podem ser anotados em um papel para serem vistos mais tarde. Esse silêncio é fundamental para ouvirmos a Deus.

Nesse ponto, é hora de consultar o nosso coração.

“O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” (Lucas 6:45 RA)

O que pensamos quando não nos distraímos?

No silêncio, pensamentos brotam, vêem à tona.

É por isso que eu, como a maior parte das pessoas (ou todos?), tenho medo de ficar sozinho comigo mesmo. Medo de me conhecer! As pessoas orgulhosas não gostam desse silêncio, não querem se conhecer, não querem destruir sua auto-imagem ilusória.

Precisamos querer a cura, a transformação, a santificação.

Já visitei e acompanhei diversos pacientes que, não raras vezes bastante aflitos, ficam internados para fazer exames médicos. Exames como raio x, ressonância magnética, ultrasonografia, e outros, mostram como o corpo da pessoa é e está por dentro.

E na maior parte das vezes esses pacientes ficam muito tempo ociosos ali no hospital, sem distração, e começam a pensar.

Nem sempre aproveitadas, essas ocasiões podem ser ótimas oportunidades de também se examinar a alma e o espírito.

Atente para esses dois trechos bíblicos:

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmos 139:23-24 RA)

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9 RA)

O silêncio é a ponte entre o pedido feito a Deus para que Ele nos sonde e a confissão dos pecados.

O trabalho na Capelania Hospitalar tem sido um excelente laboratório para conhecermos mais da natureza humana.

E de nós mesmos.

2 comentários:

  1. Caro Chico,
    É um exercício difícil conseguir-se um silêncio total. Vive-se num mundo barulhento, os familiares são barulhentos, isso sem mencionar os diversos cachorros de vários vizinhos. Mas, quando se consegue, realmente se sente a presença de Deus e se pode falar com Ele, abrir nossos corações.
    É no silêncio que ficamos pequenos, como se deve ser na presença do Senhor.
    Seu texto deixa isso bem claro.
    Obrigado por nos dar a sua experiência.

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  2. Um dos retiros mais interessantes de que já participei foi um treinamento da ABU (Aliança Bíblica Universitária).

    Esse treinamento - o Curso de Férias - costuma durar uma semana e, em todos os dias, mais ou menos meia hora antes do almoço, os participantes fazem o "Silêncio Reflexivo".

    Alguns registram suas reflexões com desenhos ou pequenos textos ou preferem apenas pensar. De qualquer maneira, a julgar por mim, creio que desse momento tenham surgido grandes e importantes decisões com relação à mudança de vida!
    Mudança no sentido de parar de praticar coisas que não agradam ao Senhor!

    Creio que, às vezes, os organizadores de acampamentos pensam muito mais em preencher todos os espaços de tempo com atividades agitadas e se esquecem da importância disso que você falou - a necessidade de ter um tempo para refletirmos sobre quem somos e quem precisamos ser pra agradar o Senhor!

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