segunda-feira, 30 de novembro de 2009

NÃO HÁ VITÓRIA SEM SACRIFÍCIO



Ela tem apenas 1 ano e 2 meses e nunca teve saúde. Incontáveis problemas, que agora foram agravados por um aneurisma no cérebro, o qual não pode ser operado por estar localizado em um lugar inalcançável. Se esse aneurisma estourar ela morre. O prognóstico dos médicos é que se não morrer essa criança vai ter no máximo uma vida vegetativa.
Ela se chama Vitória.
A mãe, conversando e desabafando conosco ali no escritório da Capelania do HC-UNICAMP, disse não aguentar mais tanto sofrimento da menina e dela mesma. Eu imagino, muito embora eu saiba pela minhas experiências ali no hospital, que as mães, de uma forma geral, quando tudo indica que elas chegaram ao limite final de suas forças físicas, emocionais e espirituais, elas conseguem se fortalecer tirando energia não se sabe de onde. Às vezes em Deus, outras sabe-se lá de onde!
“Por que?” é a pergunta que essa mãe desesperada repetia. Em um desses momentos eu pude lhe falar de um pensamento de alguém que não lembro quem, o qual afirma que sempre que Deus permite um grande sofrimento a uma pessoa, Ele a está elogiando, declarando indiretamente que essa pessoa é muito forte, pois “Deus é fiel e não permitirá que as pessoas sejam tentados além das suas forças” (1 Cor 10:13)
Não tenho dúvidas ao afirmar que um dos motivos pelos quais Deus não permite que a Vitória descanse é para preparar a mãe para a decisão que será talvez a mais dolorida de toda a sua vida, ou seja, entregar a vida da filha para Deus. Conversei com ela sobre isso.
Essa mãe reconhece que o melhor para a Vitória é ir para junto de Deus, mas ela ainda a quer para si mesma. Ela confessa que já fez uma “entrega”, mas foi só “da boca para fora”. Tem medo de falar isso de novo e não ser sincera. Eu lhe afirmei que não precisa nem dizer isso para Deus, pois Ele sabe de tudo o que se passa em nossos corações.
E isso é só entre ela, a mãe, e Deus. O máximo que podemos fazer é orar e ficar junto dela.
Por fim eu pude falar para a mãe da Vitória que conhecê-la foi uma da experiências mais preciosas que passei. “Eu!? Mas por que?” foi a sua reação. Emocionado, respondi: “É muito amor”.
PARA REFLETIR:
“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,” (Tiago 1:2)

domingo, 29 de novembro de 2009

O OLEIRO


sábado, 28 de novembro de 2009

PENSE NISSO 86


O sucesso da vida espiritual está muitíssimo mais relacionado com a oração que é feita em secreto do que com o que fazemos ou deixamos de fazer publicamente.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

ESCOLHER QUEM VAI VIVER



Foi uma das experiências mais difíceis pelas quais passei. A mãe do Jéferson me procurou para pedir ajuda. O filho dela tinha 45 anos, portador do vírus da AIDS, pegou uma bactéria que lhe dava diarréia direto. E os médicos lhe disseram que para combater esse mal só tinha um jeito: tomar um remédio importado caríssimo. Não lembro quanto custava, mas era muito dinheiro. E mais: se ele não tomasse o tal remédio, iria morrer. Falei com algumas pessoas da minha Igreja e conseguimos levantar a tal quantia. Contei isso para a mãe do Jéferson, que contou para o médico, que veio falar comigo. O que ele me falou me deixou um pouco perdido. Ele perguntou se eu não achava melhor nós investirmos aquele dinheiro com outros talvez 10 a 15 pacientes que não estavam tão ruins e que também precisavam de outros remédios não tão custosos mas também caros. Consultei os doadores e eles me disseram para fazer o que eu achasse melhor.
Pedi conselho a um outro médico amigo meu e ele contou que certa vez teve que escolher para colocar no único respirador mecânico disponível, ou um senhor de setenta e poucos anos, que era muito bonzinho por sinal, ou um jovem de 18 anos, todo tatuado, que sofreu um acidente durante um “racha” em alta velocidade. Salvaram o jovem e o velhinho morreu.
Eu continuei em dúvida. Estava na hora de eu vivenciar o seguinte:
“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.” (Tiago 1:5-6)
Voltei a falar com o médico do Jéferson, o qual me falou que o caso dele era urgente, e o dos outros não. Baseado nisso, demos o remédio a ele.
Menos de 15 dias depois, ele morreu.
Ele já havia se convertido ali mesmo, no hospital.
PARA REFLETIR:
“É necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15:53-55)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

UMA VISITA QUE TROUXE MUITA ALEGRIA



Quando entrei no quarto daquela paciente ela estava arrumando as malas para ir embora. Os médicos haviam dado alta para ela ir para casa. Foram quase 60 dias internada. Depois que nos cumprimentamos e ela entusiasticamente me contou que finalmente ia dormir na sua própria cama, aquela jovem senhora compartilhou o seguinte: “Pastor, dá para o senhor imaginar a minha alegria quando o médico veio me visitar e falou que eu podia ir para casa hoje? Eu até chorei”. Realmente, existem visitas que nos trazem muita alegria.
“Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Isaías 52:7)
Note agora o que disse um anjo que foi visitar alguns pastores que estavam no campo cuidando de suas ovelhas na ocasião do nascimento de Jesus:
“Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lucas 2:8-11)
Intrigante é o fato de que, para alguns, a mensagem da salvação em Cristo não se constitui em boas notícias! Um profeta chamado Simeão alertou sobre isso quando pegou Jesus no colo no dia em que Ele, o Senhor, foi circuncidado. Entre outras coisas ele profetizou: “Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição” (Lucas 2:34)
Qual foi, ou qual é, a sua reação ao saber da notícia da salvação em Cristo?
PARA REFLETIR:
“E logo, durante a noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; ali chegados, dirigiram-se à sinagoga dos judeus. Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.” (Atos 17:10-11)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

ESPERANDO



No final da tarde lá estava eu esperando a Denise vir me buscar no HC-UNICAMP. Perto de mim estava, também esperando para ir embora, um rapaz que também anda em uma cadeira de rodas, ou como se diz de uma forma politicamente correta, um cadeirante. Bem-humorado, ele virou para mim e observou: “Ainda bem que nós esperamos sentados”. Concordei e sorri para ele. Bem devagar passou pela minha frente uma garota de uns 4 anos de idade, que tinha nas mãos uma revista infantil e um lápis. Ela estava acompanhada por duas senhoras, as quais não reparei muito na hora, pois a menininha, muito simpática, sorriu para mim. Também sorri para ela.
Nesse momento o rapaz da cadeira de rodas se despediu de mim e a minha atenção se voltou novamente para ele. Depois que ele se foi, passados alguns minutos, resolvi dar umas voltinhas por ali. Na calçada em frente ao hospital há uns bancos para o povo se assentar, e quem eu vejo sentadinha em um deles, talvez esperando a hora de poder ir embora? A garotinha.
Ela tinha acabado de desenhar algo e virou para uma das senhoras que a acompanhavam, mostrou a revista e falou: “Mãe, olha o que eu fiz”.
A mãe falou que era muito bonito, começou a acariciar o cabelo da filha e ficou olhando-a pensativa. Aquela jovem senhora não tinha nenhum fio de cabelo nem sobrancelhas. Com certeza sofreu um tratamento quimioterápico.
Não posso afirmar com certeza, mas acho que aquela mãe estava pensando no futuro. Eu pensei. E pensei no futuro daquela criança, do qual talvez a mãe não possa participar.
É estranho e preocupante que vivamos como se nada fosse acontecer conosco.
“Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.” (Tiago 4:13-15)
Acredito que aquela senhora, desde que ouviu o fatídico diagnóstico, aprendeu a valorizar cada momento da vida.
Creio que devemos viver como se estivéssemos apenas esperando a hora de poder ir embora.
PARA REFLETIR:
“Buscai em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:33-34)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

UMA VISITA QUE EXIGIU UM PASSO A MAIS


Há momentos na nossa vida, ímpares, em que devemos obedecer para em seguida vermos os milagres acontecerem.
Deixe-me dar um exemplo.
“Achava-se ali um homem que tinha uma das mãos ressequida; e eles, então, com o intuito de acusá-lo, perguntaram a Jesus: É lícito curar no sábado? Ao que lhes respondeu: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará todo o esforço, tirando-a dali? Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem. Então, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como a outra.” (Mateus 12:10-13)
Jesus ordenou que aquele homem fosse até o meio da sinagoga e, diante de todos, ordenou que ele fizesse uma coisa que obviamente não poderia ser feita: estender a mão. Mas ele obedeceu. E no exato momento em que ele obedecia o milagre se realizou, e sua mão, que antes era definhada, retraída, murcha, foi sarada e ficou boa como a outra.
Não posso afirmar que os milagres só acontecerão após fazermos algo em obediência, mas que a maioria dos entraves para a realização de milagres em nossa vida devem-se à nossa desobediência, isso não tenho dúvidas.
Veja esse outro exemplo: “Disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.” (Êxodo 14:15) Os israelitas tinham à sua frente o Mar, e na retaguarda o exército egípcio. Marchar para onde?
José, após a visita do anjo que lhe ordenou receber Maria por mulher também tinha que obedecer e ver o milagre de Deus se fazendo homem. E ele obedeceu: “Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus.” (Mateus 1:24-25)
Isso tem implicações sérias. Se não conseguimos obedecer nas coisas que são os fundamentos do cristianismo, tais como ler a Bíblia, orar e principalmente amar, como fazer o “passo a mais”? Esse passo a mais seria o estender a mão ressequida, que por ser defeituosa não se estende.
PARA REFLETIR:
“Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (João 14:12-15)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

UMA VISITA QUE FOI UM SONHO



Via de regra, no Velho Testamento, quando ali é relatado que alguém teve uma visão, a mensagem era para todos, e se fosse um sonho, então a mensagem era particular, para a pessoa que sonhou. Podia até envolver outras pessoas, mas dirigia-se principalmente à pessoa em particular. Com isso em mente, vejamos esses versículos:
“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.” (Mateus 1:18-21)
Vamos nos colocar no lugar de José. Enquanto ele pensava em resolver um problema social, terreno, lhe é revelado que vai nascer de Maria, Aquele que vai possibilitar o acesso aos céus a todos os homens, apesar do pecado de todos e de cada um.
Tenho um pequeno presépio que, por sinal já está montado na sala de casa. É pequeno, tem só a Maria que está agachada observando o menino Jesus deitado numa manjedoura, José em pé, e uma pequena armação simbolizando um estábulo. Só. É pequenino meu presépio, mas me faz lembrar e pensar no Natal.
Hoje, por exemplo, peguei o bonequinho que representa José e tentei imaginar o que sentiu aquele homem ao olhar para Jesus e pensar que junto com Maria, era sua responsabilidade “criar o Criador”. Criar que eu digo é cuidar, educar, ensinar a andar, a se alimentar direito, a proteger (lembra que ele levou a família para o Egito?), a ensinar carpintaria, e tudo o mais.
Creio que, o que o sustentou nessa enorme tarefa, foi o aparecimento do anjo em sonho lhe revelando os planos de Deus para ele, José.
Ele sabia que Jesus era (e é) o Salvador do mundo, ele sabia também que aquele bebê era Deus que veio morar conosco.
PARA REFLETIR:
“Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” (Mateus 1:22-23)

PENSE NISSO 85

Entronizamos Deus como o Rei do Universo, mas não do nosso coração.

sábado, 21 de novembro de 2009

SÉRIE A


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

RAZÃO DE SAIA CURTA (Rui Motta)

A questão da moral no seio da sociedade é um assunto de extrema
delicadeza e de conveniente profundidade, de forma que o preconceito e a
intolerância não se sobreponham aos direitos fundamentais de cada
cidadão. Os limites de comportamento impostos às pessoas apenas refletem
os padrões que são aceitos pela maioria, resultando no grau de aceitação
de cada um em seu grupo de identificação ou de afinidades culturais.
A homogeneidade de comportamentos é inaceitável. As pessoas têm caráter
e personalidade diferenciados, moldados a partir de inúmeros fatores
psicológicos, físicos, culturais, éticos ou mesmo estéticos, com total
liberdade de escolha pelo que lhes convêm, desde que respeitados os
limites da transgressão de valores da mesma sociedade.O caso de
flagrante intolerância envolvendo uma estudante da Universidade
Bandeirante (Uniban), de São Bernardo do Campo, teve uma repercussão
extraordinária pelo caráter inusitado dos fatos e seus desdobramentos,
expondo um momento de intolerância e violência tolerados, onde vários
princípios foram violados em nome de uma reação desmedida pela quebra de
um pretenso padrão de moral da instituição.
Fica evidenciado que a universidade tem o direito natural de estabelecer
os seus próprios padrões e rituais sociais, determinando os quesitos de
disciplina, vestimentas, atitudes dentro da escola, em pacto aceito
pelas partes. Mas têm também os educadores o compromisso e
responsabilidade de manter o nível de relacionamento em suas
instalações, não permitindo ou estimulando atitudes de agressão como as
registradas no caso. Ao retroceder na intenção de expulsar a aluna
envolvida no episódio, o reitor da Uniban cede posições ou busca uma
saída menos comprometedora do que as evidenciadas nas primeiras
manifestações, quando precipitou-se em julgamento moral que não lhe cabia.
Se a jovem teve algum comportamento indevido, nada justifica a
escandalosa repressão a que foi submetida. A óbvia desproporção entre o
fato de usar uma saia curta e a humilhação que lhe foi imposta mostra o
quanto o espírito de descomprometimento com limites sociais está
arraigado no espírito daqueles jovens, levados a uma espécie de catarse
coletiva irresponsável, de fundo e motivações dificilmente explicáveis.
Os jovens envolvidos demonstraram um laivo de desrespeito e infundada
intolerância, não compatível com os hábitos e costumes dos mesmos
estudantes, certamente expostos a situações onde as roupas e os atos não
são menos ousados e nem por isso suscitam reações de violência.
O episódio apenas adquiriu tal proporção por conta da ampla exposição
inicial na internet. Serve como um paradigma de reflexão sobre o
comportamento da nova geração, conflituosamente dividida entre a
liberdade e as indefinições de padrões. Uma geração que é bombardeada
por imagens, conceitos, informações e cultura não pode deixar de lado o
absoluto respeito ao direito dos demais e à natural diversidade de
padrões morais e estéticos. Menos que isso é mera hipocrisia.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CORPO A CORPO


Outro dia vi no chão uma formiga que havia sido pisada não fatalmente. Ela se contorcia toda. Como formiga não sente dor, imagino que seu esforço frenético era para fazer seu corpo, ou o que restava dele, voltar a funcionar. Visto que uma parte dele estava esmagado, sua luta era inútil.
Sempre me causou estranheza isso de um ser vivo ter que continuar dentro do seu corpo quando alguma coisa nele está estragada, ou danificada ou doente. Carro, por exemplo, podemos trocar por outro, corpo não.
Minha convivência com pessoas que possuem ou uma doença ou sequelas de diversos males é diária. Ontem mesmo me entristeceu muito saber que uma das crianças com uma doença crônica, e que por causa disso não pode sair do hospital, teve uma febre muito alta que provocou uma convulsão, a qual lhe tirou o movimento dos dois braços. Essa sequela provavelmente é irreversível. Fui visitar essa criança. Incrível, ela ainda consegue rir!
Fiquei sabendo certa vez de uma jovem que tinha uma doença que a deixou sem se mexer, a não ser o rosto. Cristã firme, mesmo presa definitivamente a um corpo imóvel, corpo que tinha que ficar deitado permanentemente em um leito de hospital, não deixava de servir ao Senhor: escrevia, com a boca, cartas de consolo e evangelização para os outros pacientes.
Ela já morreu, e está no céu de alma e espírito, esperando ter de volta seu corpo, só que transformado e glorificado.
PARA REFLETIR:
“Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Coríntios 15:51-57)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

COERÊNCIA E PUREZA

Você já deve ter ouvido algum comentário igual ou parecido com esse: “Ele fez isso por pura maldade”. A princípio, essa expressão “pura maldade” pode parecer incoerente, pois como pode uma coisa ser pura e maldade ao mesmo tempo? A impressão de desarmonia surge pelo fato de confundirmos pureza com santidade. Pureza é não estar misturado com outros elementos, é estar sem sujeira ou corrupção. Nós podemos ter ouro puro quando todos os metais menos nobres e sujeiras forem retirados. E desculpem a comparação meio chula, mas podemos ter um balde cujo conteúdo é puro cocô, onde não há, por exemplo, pedras.
Como cristãos, podemos e devemos ser santos e puros.
“Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.” (1 Pedro 1:15-16)
“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.” (1 João 3:3)
“Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.” (2 Timóteo 2:22)
Como aplicar isso na nossa vida? Por exemplo: se um médico se dedica a um paciente interessado apenas na sua cura, ele está sendo puro em seus propósitos. Se o médico visa a cura e ganhar dinheiro, já não há pureza. Mas, se ele só quer ganhar dinheiro, há pureza!
Se alguém se relaciona com alguém apenas para satisfazer as necessidades legítimas do outro, há pureza nas intenções, mas se ela ama visando ser amado, é um relacionamento impuro. Pode até não haver imoralidade, mas é impuro.
PARA REFLETIR:
“Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.” (Tito 1:15)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SER COERENTE


Um amigo e irmão em Cristo recebeu um conselho quando jovem que norteou toda a sua vida, que por sinal é muito bem sucedida. O conselho foi: seja sempre coerente. Diante desse compartilhar que acabou sendo um testemunho, resolvi estudar isso mais profundamente.
Coerência é ter nexo entre os fatos, harmonia entre os pontos. Mais profundamente, é não haver conflito de interesses.
Logo no início das minhas reflexões sobre esse assunto, me veio à mente os cristãos que se identificam como tal mas vivem como se não o fossem. Veja o versículo seguinte:
“(Jesus) Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente.” (Mateus 21:19)
A figueira dá folhas e frutos ao mesmo tempo. As folhas então, anunciam que há frutos. Jesus nos ensinou com esse episódio, que não podemos anunciar que somos cristãos e não vivermos naturalmente como tais. É incoerente.
O cristão que vive assim (e creio que somos todos) tem dentro de si um conflito de interesses. Paulo confessou ter esse problema: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.” (Romanos 7:15)
Aqui cabe a velha ilustração que conta termos dentro de nós 2 leões: um do bem e outro do mal, e os dois vivem brigando. Qual vai vencer? Aquele que dermos mais alimento.
Talvez por tudo isso, via de regra, coerência não é listada entre as virtudes. Ela aponta para a pureza, essa sim, uma das principais virtudes.
Mas isso vai ter que ficar para amanhã. Mas não penso que esperar até lá vai ser problema, pois já temos bastante aqui para nos ocupar.
PARA REFLETIR:
“Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

IMAGEM E AÇÃO



A Denise realiza um trabalho muito bom com os pré-adolescentes da nossa Igreja. Eu a ajudo. Não é raro nós comentarmos como um ou outro desses jovens são parecidos com os pais. Um gesto, uma maneira de falar, um trejeito, ou a forma de andar, sorrir, olhar, às vezes temos a impressão que é o pai ou a mãe em miniatura!
E os defeitos também. Certa vez um garoto falou um palavrão no meio da aula que eu dava na Escola Bíblica. Na hora eu perguntei quem é que o ensinou a falar daquele jeito, ao que ele respondeu: “Foi minha mãe”. Terminada a aula, fui com o garoto conversar com a mãe dele, e ela admitiu que tinha esse hábito. Ela pediu desculpas.
Quando um desses alunos mostra um comportamento desajustado, está, via de regra, refletindo um desajuste familiar, um problema dentro da própria família.
Nós somos criados à imagem e semelhança de Deus.
“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.” (Gênesis 1:26)
Feitos à imagem e semelhança de Deus significa que, como Ele, temos intelectualidade, emoção e vontade, o que nos torna responsáveis, ou seja, vamos responder por nossos atos.
Mas note que após o pecado, Adão gerou seus filhos à sua própria imagem e semelhança:
“Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez; homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados. Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete.” (Gênesis 5:1-3)
Além de termos a imagem e semelhança de Deus, temos também a imagem e semelhança do pecado de Adão. Necessário se faz nos purificar disso.
“E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.” (1 Coríntios 15:49)
O ourives, ao fundir o ouro para purificá-lo, sabe que o mesmo já está livre das impurezas quando consegue ver sua própria imagem naquele metal nobre.
É assim que Deus age nas nossas vidas. O fogo das aflições nos purifica até um dia refletirmos a imagem do nosso Criador.
PARA REFLETIR:
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2 Coríntios 3:18)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

LIBERDADE PARA DIZER NÃO



Uma coisa que há muito me intrigava me veio à mente essa semana e me proporcionou bons momentos de reflexão. É o seguinte: por que Jesus trabalhou, ou investiu, 3 anos na vida de Judas Iscariotes? Jesus dá a liberdade para Judas lhe dizer NÃO!
Jesus nos dá a liberdade para negá-lo, traí-lo, abandoná-lo, por amor. O verdadeiro amor não exige, de quem é amado, o ficar junto por constrangimento. Quem ama corretamente dá, a quem é o alvo do seu amor, a liberdade de ir-se embora, de não querer mais e até mesmo de odiar, ou pior ainda, ser indiferente.
Alguns estudiosos afirmam que Judas Iscariotes começou sua traição a Jesus no momento em que o povo quis fazer do Filho de Deus o seu rei terreno para libertar o povo de Israel do domínio romano e Jesus não consentiu: “Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte.” (João 6:15) Parece que Judas nunca se conformou com isso.
Judas teve a chance de acabar como um dos doze. Mas não quis. E olha que Jesus insistiu até o último instante: “Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá. Então, os discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia. Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava; a esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: Pergunta a quem ele se refere. Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é? Respondeu Jesus: É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. Tomou, pois, um pedaço de pão e, tendo-o molhado, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. E, após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa.” (João 13:21-27)
Jesus lhe oferece a comunhão, que o contexto nos revela ser honrosa, numa clara alusão ao fato de Deus se fazer homem (pão) para dar sua vida pelos pecados dos homens (o vinho onde o pão foi molhado).
Mas Judas disse NÃO!
PARA REFLETIR:
“Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?” (Lucas 9:23-25)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

UM DRAMA E UM EXEMPLO



"O espírito se enriquece com aquilo que recebe; o coração com aquilo que dá." (Victor Hugo) A Mariana é uma jovem que foi, há algum tempo, voluntária ali no HC-UNICAMP. Fiquei contente ao vê-la saindo de um dos quartos da enfermaria de pediatria. Quando perguntei o que ela estava fazendo ali, comecei a tomar conhecimento de um grande drama. Ela então me contou que estava acompanhando uma sobrinha de 4 anos, a Ketlyn, que havia sofrido um acidente de carro. Nesse acidente a Ketlyn quebrou a mão e bateu a cabeça; está internada em observação e para fazer alguns exames. O irmão da menininha, de 7 meses de idade, quebrou a perna. E ainda o pior: a avó, o pai e a mãe dessas crianças morreram. Entrei com a Mariana no quarto para conhecer a menina. Ela estava em estado de choque. Será que já sabe da perda? Não sabemos. De vez em quando ela chora pedindo a mãe.
No dia seguinte fui visitá-la de novo e lhe dei uma boneca de presente. ELA RIU PARA MIM!
Um tio dela, o Lucas, evangélico, vai adotar os dois. O menino inclusive já está na casa dele. O juiz já deu a guarda das crianças para ele.
Ontem eu deixei lá com a Ketlyn duas jovens voluntárias que nos ajudam ali (do Projeto TUM-TÁ). Para brincar e cantar músicas evangélicas infantis, pois os pais dela eram cristãos. Junto estava o tio, que está ficando direto como acompanhante, inclusive dormindo no hospital. Isso para a menina não ficar sozinha.
E pudemos testemunhar o carinho, o cuidado e o amor que esse homem está dando para a menininha! Uma das mais valiosas lições de amor que já testemunhei!
Depois de brincar e cantar com a criança e com o tio, as duas moças da minha equipe saíram de lá com lágrimas nos olhos. Por causa da Ketlyn e pelo exemplo de amor do Lucas.
PARA REFLETIR:
“Deus faz que o solitário more em família; tira os cativos para a prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril.” (Salmos 68:6)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

UMA VISITA CHEIA DE POSSIBILIDADES



Para o nosso Deus não existe impossíveis. “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.” (Lucas 1:37)
Essa afirmação foi feita pelo anjo Gabriel durante sua visita a Maria, quando ele anunciou o nascimento de Jesus, o Cristo.
Fantástica afirmação!
Por outro lado, nada mais óbvio: se houvesse alguma coisa impossível para Deus, Ele não seria Deus.
O problema aparece quando queremos que a onipotência divina esteja à nossa disposição para satisfazer nossos desejos e vontades (que são diferentes de necessidades). Não há na Bíblia nenhuma promessa que garanta que Ele se preste a esse serviço.
Que possibilidades você vislumbra para, nesse Natal, ver realizados os planos de Deus para a sua vida e para a vida daqueles que lhe são próximos?
PARA REFLETIR:
“Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.” (Marcos 10:27)

RESPONSABILIDADE SOCIAL



Existe uma dinâmica, na minha opinião já muito desgastada, que é aquela em que uma pessoa se fantasia de mendigo bêbado e comparece ao culto da Igreja para testar o acolhimento que os membros daquela comunidade oferecem aos marginalizados. Mais tarde o “ator” se revela. Algumas vezes é o próprio pregador da noite que se disfarça. A própria existência dessa performance tão difundida, já mostra que mendigos bêbados não são comuns nas Igrejas.
A Igreja primitiva se reunia nas casas. O critério de escolha de qual Igreja as pessoas deviam frequentar era geográfico. Como não havia tanta facilidade de locomoção como há hoje, as pessoas iam na comunidade mais próxima.
Agora, note os tipos de pessoas que confraternizavam o mesmo grupo:
“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor. Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura. Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados. Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas. Senhores, tratai os servos com justiça e com eqüidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.” (Colossenses 3:18-4:1)
“Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro nos dedos, em trajos de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, e tratardes com deferência o que tem os trajos de luxo e lhe disserdes: Tu, assenta-te aqui em lugar de honra; e disserdes ao pobre: Tu, fica ali em pé ou assenta-te aqui abaixo do estrado dos meus pés, não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos?” (Tiago 2:1-4)
As famílias tanto dos patrões como dos escravos eram “membros” da mesma Igreja! Comungavam da Ceia todos os tipos de pessoas. Não havia Igreja para uma determinada faixa social (seja rica ou pobre), nem de ex-viciados, nem só de jovens, ou de surfistas. Toda e qualquer pessoa podia ir à Igreja. Isso gerava problemas? Claro que sim. Mas era também um excelente treino para o desenvolvimento do amor e da graça.
Como é a sua Igreja hoje?
PARA REFLETIR:
“E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (Mateus 9:10-11)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

UMA VISITA TRANSFORMADORA



Já houve épocas da minha vida em que eu me orgulhava do trabalho que realizava para Deus. Creio que Deus até se agradava do que eu fazia e do meu esforço. Ele olhava dentro do meu coração e via minhas motivações e intenções. Contudo, eu não sabia como é a maneira de Deus agir. O que conta não é o que fazemos por Deus, mas sim o que Deus faz através de nós, em nós e de nós.
“Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.” (Isaías 64:8)
Quando onjo falou com Maria contando-lhe o que Deus queria dela, disse-lhe também que o Espírito Santo é que faria tudo.
“Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.” (Lucas 1:35)
Se você me falasse que existe a parte de Deus e a parte dos homens, eu concordaria. Mas toda a obra é de Deus no fim das contas.
Veja o seguinte:
“Quando (Jesus) acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes. Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes. Então, fizeram sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los. E foram e encheram ambos os barcos, a ponto de quase irem a pique. Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador. Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os seus companheiros, bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios. Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram.” (Lucas 5:4-11)
Todo o trabalho realizado durante a noite resultou em nada, mas sob a Palavra de Jesus houve fartura.
E note o detalhe da fala final de Jesus registrada por Marcos: “Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Marcos 1:17)
Seria o próprio Senhor que os faria “pescadores de homens”.
PARA REFLETIR:
“Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5)

PENSE NISSO 84



Não é vergonhoso alguém ser um auxiliar subalterno, contanto que se seja o melhor auxiliar subalterno que essa pessoa é capaz de ser.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UMA VISITA QUE TRAZ BOAS NOVAS



Grávida, eu? Mas como? Quando Maria ouviu do anjo quais eram os planos de Deus para ela, inúmeros pensamentos lhe ocorreram com certeza, gerando outro tanto de sentimentos até mesmo conflitantes.
“Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.” (Lucas 1:31)
“Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?” (Lucas 1:34)
Primeiro ela não sabia como é que Deus iria operar. Depois ela teria que contar a seus pais, Joaquim e Ana. Teria que contar a José, a quem ela estava prometida em casamento. Teria que enfrentar todos os conhecidos, parentes, amigos, vizinhos, até os desconhecidos, todos com certeza falariam dela e a julgariam e a maioria a condenaria. Até um certo risco de ser apedrejada ela corria.
E creio também que lhe ocorreu a enormidade de sua futura responsabilidade, isto é, criar o Criador.
E qual foi a sua reação?
“Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela.” (Lucas 1:38)
Conosco pode acontecer algo parecido. Quando Deus quer algo de nós, dúvidas nos alcançam, temores e às vezes até insegurança. Mas a nossa resposta deve ser como a oração que se segue, a qual copiei não sei de onde:
“SENHOR,
Como Tu quiseres,
Quando Tu quiseres,
Tudo o que quiseres,
Porque o queres”.
PARA REFLETIR:
“Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.” (Lucas 22:42)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

UMA VISITA QUE CAUSOU MEDO



Acontece comigo de vez em quando e acredito que também com outros pastores evangélicos: se eu chego para uma pessoa, principalmente se for jovem, e falo que preciso falar com ela, não raras vezes a tal pessoa fica amedrontada. Agora imagine se o próprio Deus falasse de uma forma inequívoca para você: “Você é uma pessoa que tem sido o alvo da minha graça, e tem me agradado; por essa razão tenho uma tarefa para você, mas não se preocupe com nada por que Eu estarei ao seu lado”.
Pois foi mais ou menos isso que Ele, Deus, fez com Maria através do anjo Gabriel:
“E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo.” (Lucas 1:28)
Note que ela ficou com medo:
“Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação.” (Lucas 1:29)
Eu ficaria com medo. Não estou me referindo ao fato de um anjo aparecer, mas pelo conteúdo da mensagem que viria a seguir. Você não ficaria?
Fiquei tentando lembrar de quando eu era moleque se tinha medo de ouvir meu pai quando ele vinha falar comigo. Conclui que em algumas circunstâncias sim, como por exemplo quando eu tinha a consciência pesada por ter feito algo errado. Ou então medo de falhar caso ele desse alguma ordem ou coisa para fazer, pois seu lema era “Não quero saber se o pato é macho, eu quero comer ovo”. A educação que meu pai me deu foi muitíssimo boa, mas de vez em quando dava medo.
Mas meu pai não era Deus e nem tinha intenção de ser infalível. Mas Deus é Deus e é infalível.
Agora, pensa comigo na nossa reação ao falar de Deus conosco. É Deus falando! E Deus é tremendo: “Deus é sobremodo tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam.” (Salmos 89:7) É Deus falando! E Deus é amor: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.” (1 João 4:8)
Por que eu teria medo de ouvir a Deus? Por medo de ouvir o que não quero, pois o que Ele quer pode ser diferente do que quero! Mas atente para esse versículo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)
PARA REFLETIR:
“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” (1 João 4:18)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

QUE DEUS É ESSE QUE NOS VISITA?



O lugar de Deus (se é que podemos falar assim) é além da Eternidade. Ele é o “Pai da Eternidade” (Is. 9:6). Se entendermos “pai” como aquele que gera, então Deus foi quem criou a Eternidade, e portanto, é anterior a ela. Então, note o quanto Ele se auto-limitou: do “seu lugar” se limitou à Eternidade criada; depois à Terra, onde há tempo, matéria e espaço; e ainda se limitou a um corpo humano.
“Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.” (Lucas 1:30-31)
Jesus é o Cristo, Deus feito homem!
Por que será que Ele fez isso? Esse questionamento não é novo:
“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites?” (Salmos 8:3-4)
Vamos nos ater a refletir sobre a motivação de Deus ao se fazer homem, apenas ao que concerne ao próprio homem, muito embora Deus tenha motivos específicos para a criação da Eternidade, dos Anjos, do Universo, da Natureza, enfim, de tudo.
Deus se fez homem por amor, e é isso que devemos celebrar no Natal!
Eu gosto de receber visitas. Só não gosto quando a pessoa aparece sem avisar. Isso nos pega desprevenidos, às vezes com a casa não preparada e nós desarrumados. De vez em quando dá vontade de não abrir a porta. Deus veio nos visitar e teve o cuidado de anunciar sua vinda. E não é que muitos não O recebem!
O próprio Deus se deu o trabalho e o sacrifício (literalmente) de vir até nós movido por um amor salvífico imensurável! É maravilhoso, não é?
PARA REFLETIR:
“Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” (Mateus 1:22-23)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A VISITA DO ANJO GABRIEL


Eu tenho fé na existência de anjos. Isso quer dizer que acredito que eles existem embora nunca tenha visto um. Já vi manifestações de demônios, que também são anjos, mas ver, mesmo, nunca vi. E nunca vi manifestações de anjos bons.
Pensando nisso acima, me lembrei da aparição do anjo Gabriel a Maria.
“Quando Isabel estava no sexto mês de gravidez, Deus enviou o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. O anjo levava uma mensagem para uma virgem que tinha casamento contratado com um homem chamado José, descendente do rei Davi. Ela se chamava Maria.” (Lucas 1:26-27 NTLH)
Se a própria Maria me encontrasse por ali depois dessa aparição, eu ficaria meio que com um pé atrás. Sou muito cético com essas coisas. Quantos anos ela devia ter? Uns 15 ou 16? Vendo um anjo que lhe trouxe uma mensagem do próprio Deus? Há 400 anos Deus não mandava mensagens ao povo de Israel, e mandou que um anjo trouxesse uma a uma adolescente. Complicado, né?
O nome Gabriel significa “Homem de Deus”. Será que aquele anjo apareceu na forma humana? Acho que não. Pelo menos não com as asas nas costas como vemos em algumas figuras e quadros. Não lembro se foi Da Vinci ou Michelangelo que observou que um corpo humano, para sustentar os músculos de duas asas daquele tamanho, teria que ter um tórax extremamente avantajado como o dos pássaros.
De qualquer forma, anjos são seres espirituais, e, como já disse, creio na sua existência.
Não sei como reagiria se visse um.
Você crê na existência de anjos?
E se visse um, como reagiria?
PARA REFLETIR:
“E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação.” (Lucas 1:28-29)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

VISITAS



A minha filha Cíntia, que mora em Curitiba, veio passar, aqui em casa, esse fim-de-semana prolongado pelo feriado de finados. Antes de ir embora, como ela sempre faz, me deixou um bilhete onde, entre outras coisas, me dizia que agora só viria no Natal.
Isso me inspirou um pensamento simples mas profundo: o Natal é a celebração da “visita” que Jesus nos fez.
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1:14)
Esse advento, essa vinda, é que nos trouxe a salvação.
Vamos nos preparar para essa festa, não só familiar e socialmente, mas principalmente na nossa vida espiritual.
PARA REFLETIR:
“É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lucas 2:11)

OS DOIS HINOS


Na quinta-feira passada, no texto “DEPRESSÃO, INDIVIDUALIDADE E HISTORICIDADE” eu escrevi uma frase que, contrariando minhas expectativas, ninguém perguntou a razão da mesma e nem comentou. É a frase na qual levanto a possibilidade de as pessoas irem aos estádios de futebol para terem o sentimento de pertencer a algo que tenha uma história, um objetivo e um futuro.
Sábado passado fui de novo ao Estádio do GUARANI. Havia lá, segundo o noticiário, mais de 10 mil torcedores.
Deixe-me fazer um adendo: nesse domingo, na aula que dei para uma classe de adultos da Escola Bíblica Dominical, eu citei a segunda multiplicação dos pães que Jesus fez, da qual participaram 10 mil homens, fora mulheres e crianças. Para ilustrar, falei do mesmo número de torcedores que estavam no estádio. Nisso o Henrique, um de meus melhores alunos comentou: “Note como mudaram os tempos: naquela época 10 mil iam para ouvir Jesus falar, e hoje, vão para ver ... o Guarani jogar”.
Mas voltemos a refletir sobre a importância de as pessoas estarem inseridas em um contexto histórico que abranja passado, presente e futuro.
No jogo em que o Guarani subiu da terceira para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, eu estava lá. No final da partida, em meio às comemorações, um senhor já conhecido nosso de outras jornadas, apertou a minha mão e disse: “Estamos vivendo um momento histórico”.
Nesse campeonato, antes de o jogo começar, toca-se o Hino Nacional. Apesar de todos ficarem em pé, há um desrespeito muito grande nas arquibancadas. O povo fica conversando, gritando, andando de um lado para o outro, numa indiferença muito triste. Mas quando toca o hino do Guarani, a emoção é geral, e todos cantam de uma forma vibrante!
Não temos o sentimento de pertencermos ao nosso Brasil. Será que é isso? Mas pertencemos e deveríamos nos orgulhar disso.
E além desse privilégio, temos outro, o de termos dupla cidadania:
“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2:9)
Toda a história, a responsabilidade do presente e as promessas de Deus, também nos pertencem.
Na Eternidade, cantaremos com o maior respeito e gloriosamente, um novo hino:
“Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares,” (Apocalipse 5:7-11)
PARA REFLETIR:
“Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia.” (João 15:19)