sábado, 30 de janeiro de 2010

ACUSAÇÃO

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

VOCÊ ME AMA?

E se Deus, de uma forma inequívoca, chegasse para você e perguntasse: “Fulano, você me ama?”, qual seria a sua resposta?
Eu me submeti a essa reflexão, e como muitas vezes faço, tentei intelectualizar esse assunto espiritual. Assim racionalizei a princípio: “Deus quer saber se eu o amo com o amor 'philéo' ou 'ágape'?” Talvez por medo de declarar um amor falho, posto que humano, hesitei em declarar algo que sei ser verdade, ou seja, meu amor por Deus. E Deus também o sabe, e isso é o que importa.
Como pastor, me vi muitas vezes tentando convencer as pessoas a terem um relacionamento sério com Deus. Trabalho inútil e frustrante se a pessoa não O ama.
“Amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.” (Marcos 12:33)
Ainda outro dia um amigo comentou, não criticando, que tenho escrito muito sobre o amor. Pensando sobre isso concluí que estou redescobrindo de uma forma contundente, que o amor, a Deus e ao próximo, é a base de tudo. Base para todos os relacionamentos, base para a solução de conflitos e de muitos problemas, para que haja justiça e base até para a verdadeira felicidade.
Volto a perguntar: você ama a Deus?
Eis um versículo para nos ajudar a nos avaliarmos nesse assunto:
“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1 João 4:20)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

UM TRIÂNGULO CADA VEZ MENOR


Aí onde você está deve ter, ou à sua frente, ou ao lado, uma parede sem nada nela pendurado, nem quadro, nem crucifixo, nem calendário. Não precisa ser a parede inteira, pode ser só uma parte. Pois bem. Desenhe mentalmente nessa parede um triângulo com os 3 lados iguais. Agora, ainda mentalmente, escreva a palavra DEUS no ângulo superior. Assim mesmo, com letras maiúsculas. No ângulo inferior esquerdo, escreva, também mentalmente, a palavra EU. E no ângulo inferior direito escreva, isso mesmo, mentalmente, a palavra OUTRO. Isso feito, vamos ao exercício de reflexão de hoje.
Note que, sem sair do triângulo, se você aproximar concomitantemente o EU e o OUTRO de DEUS, mais próximos os 3 ficam. Quanto mais próximos de DEUS mais próximo ambos estarão um do outro! O fim será os três serem um!
“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.” (João 17:20-23)
Como estar mais próximo do meu próximo? Isso vai acontecer na medida em que, juntos, nos aproximamos de Deus.
Não se esqueça de, mentalmente, apagar o que você escreveu na parede.
Sugestão: antes de apagar, escreva isso numa parede do seu coração.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

UMA VIDA QUE VALE A PENA SER VIVIDA


Eu fiquei parado na entrada do hospital sem outra reação a não ser pensar e ficar vendo aquela moça ir embora. Ela tinha acabado de ter alta de uma internação que se fez necessária porque ela simplesmente parou de tomar seus remédios. Portadora do vírus da AIDS, uma vida extremamente sofrida, ela ia para casa e eu a acompanhei do quarto até lá em baixo, na saída. Ao me despedir eu lhe disse: “Se cuida, menina”. Ela parou, me olhou e perguntou: “Por que eu faria isso?”, ao que respondi dizendo que a vida é uma só. O que ela retrucou foi o que me fez ficar estático: “Ainda bem que a vida é uma só! Eu não iria querer viver tudo isso de novo”.
Ela queria morrer! Embora não concorde com ela, eu a entendo. Ela continuou sem tomar os remédios, foi internada de novo e conseguiu seu intento. Morreu em um sábado, o dia da semana que ela mais gostava.
Temos que fazer com que a vida valha a pena. Primeiro a nossa própria vivência, e depois a de todos os outros. Talvez eu esteja me equivocando na ordem das coisas, pois veja bem, me empenhar em fazer com que a vida dos outros seja plena de significado já dá o valor que a minha vida precisa ter, mesmo que seja necessário morrer nessa missão.
Mas como se faz isso?
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)
A palavra “vida” aqui nesse verso, no grego é “zoe”, uma vida plena e valorosa, vida ativa e vigorosa, devota a Deus, que começa aqui na Terra e continua pela eternidade, para aqueles que colocam sua confiança em Cristo.
“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10:10b)
Agora, pensa comigo: o que faz com que a vida de uma árvore, ou de uma pomba, ou de um leão, ou ainda a de uma minhoca, sejam plenas de significado? Basta que cada um cumpra o propósito para o qual foram criados. E eles hão de fazê-lo, da forma que Deus determinou. E assim Deus é glorificado.
Já conosco é bem diferente. Temos um propósito superior determinado e pelo seu cumprimento ou não temos a total responsabilidade (vamos responder por isso). Temos que glorificar a Deus com isso, assim como Jesus o fez:
“Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer.” (João 17:4)
Façamos que valha a pena ter vivido.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

PISANDO NO ESTRUME


Hoje é o segundo dia em que eu queria postar meu texto no Blog e não podia devido a problemas de conexão com a INTERNET. Ficar “off-line” para algumas pessoas é como se fosse o fim do mundo. Houve um tempo em que isso me deixaria angustiado. Hoje não mais. Um dia alguém me mostrou o seguinte versículo e o relacionou com a informática: “Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheitas.” (Provérbios 14:4 RA) A aplicação foi a seguinte: se houver bois no celeiro haverá estrume no chão, mas a colheita será maior; se quisermos produzir mais, a informática nos ajuda de uma forma fantástica, mas temos que conviver com o computador que trava, com a INTERNET fora do ar, e coisas assim.
Outro dia eu perguntei, brincando é claro, para uma adolescente quanto tempo ela suportaria ficar sem a INTERNET e sem o celular. Ela me respondeu, também brincando (assim espero), que depois de meia hora ela já começaria a se sentir mal, com tremores e falta de ar.

MUITO FAZ QUEM NÃO ATRAPALHA



Um erro muito comum que se comete ao visitar um doente internado em um hospital é ficar contando casos de conhecidos que tiveram o mesmo mal. Um outro é atribuir ao enfermo a culpa pela sua situação, à falta de fé ou a algum pecado da parte do paciente. É verdade, às vezes uma visita pode fazer mais mal do que bem. Vamos ver esse trecho da Bíblia, que relata o que aconteceu logo depois de Jó ter perdido todos os filhos, seus bens e sua saúde:
“Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo. Levantando eles de longe os olhos e não o reconhecendo, ergueram a voz e choraram; e cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça. Sentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.” (Jó 2:11-13)
Algumas observações interessantes podem ser tiradas daí.
A primeira delas é que Jó tinha amigos. Riqueza inestimável é isso. Conheço um homem que diz ser amigo de todo mundo, e se orgulha disso. Mas nesse último final de ano ele passou as festas de Natal e Ano Novo sozinho. E não foi porque quis. Por outro lado, lembro-me que quando cometi um erro que se tornou público, muitos dos que se diziam meus amigos se afastaram, enquanto que os poucos que me devotam verdadeira amizade, se achegaram a mim e assim estão até hoje. Para pensar: quem são nossos Amigos?
A segunda observação é lembrar que males vão nos atingir. São inevitáveis a maior parte deles como o próprio Senhor Jesus nos alertou, mas mesmo passando por crises podemos ter, em Cristo, a verdadeira paz: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33) Nesse momento, ou nós estamos passando por alguma crise, ou estamos saindo de uma ou, por fim, vamos passar em breve. Nisso tudo, nós temos paz?
Vamos observar agora o terceiro ponto interessante. Os amigos de Jó, quando souberam do seu infortúnio, foram até ele, não ficaram apenas se lamentando. Eles fizeram alguma coisa. Isso me fez lembrar do seguinte trecho: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” (Tiago 2:14-17) Os amigos de Jó foram. Depois “pisaram na bola”, mas foram. Ponto para eles. E para nós?
Mas, para que eles foram até lá? Essa é a nossa quarta observação. Eles foram para condoer-se com Jó e consolá-lo. Muitas e muitas vezes, a solidariedade e o conforto trazidos pelos amigos é o que impede de sucumbirmos.
Quinta observação: eles choraram e se lamentaram pelas aflições do amigo. Você já notou que, pelo menos aqui entre nós, não se usa mais ir de roupa sóbria a um velório ou funeral? Eu já vi em uma dessas ocasiões, algumas pessoas vestidas com roupas floridas e coloridas. Já vi até gente contando piada, demonstrando assim não estar sensibilizados com a dor de quem está de luto. Isso também pode acontecer ao se fazer uma visita a quem está internado em um hospital ou sofrendo alguma perda, enfim, aflito. Temos tido empatia com a dor alheia?
Última observação: eles ficaram calados. Diante de um sofrimento muito grande, geralmente não há palavras que possam ser ditas. Mas temos o falso sentimento de que é necessário falar alguma coisa. Foi o que pensaram os amigos de Jó, e começaram a acusá-lo de algum pecado que teria gerado tão grande sofrimento. Antes tivessem continuado calados. Veja esses trechos que contam o que Jó responde a seus visitantes:
“Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras e vós todos sois médicos que não valem nada. Tomara vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria!” (Jó 13:4-5)
“Então, respondeu Jó: Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos. Porventura, não terão fim essas palavras de vento? Ou que é que te instiga para responderes assim? Eu também poderia falar como vós falais; se a vossa alma estivesse em lugar da minha, eu poderia dirigir-vos um montão de palavras e menear contra vós outros a minha cabeça; poderia fortalecer-vos com as minhas palavras, e a compaixão dos meus lábios abrandaria a vossa dor.” (Jó 16:1-5)
Se olharmos à nossa volta, temos muito o que pensar e o que fazer, não é mesmo?

sábado, 23 de janeiro de 2010

DE CORPO E ALMA


O meu trabalho junto ao Serviço de Capelania do HC-UNICAMP me proporciona a oportunidade de acompanhar pessoas que estão morrendo. Coloquei no gerúndio de propósito, porque a morte faz parte do processo da vida. Com isso, já vi muita gente morrer, e quando compartilho uma ou outra dessas experiências com alguém, quase sempre as pessoas (geralmente os evangélicos) me perguntam se o falecido era “salvo”. Essa pergunta visa esclarecer se a alma, daquele cujo corpo parou de funcionar, está no céu ou no inferno. Invariavelmente minha resposta tem que ser algo parecido com “Eu acho que ...”.
Creio que não dá para sabermos, com certeza absoluta, se uma pessoa se converteu verdadeiramente ao cristianismo. Vamos chamar de Plano da Salvação uma explicação formal da situação do homem decaído e da obra redentora de Jesus Cristo. Já vi pessoas serem expostas a esse plano, aceitarem-no e dali para a frente viverem em verdadeira comunhão com Deus. Como também já vi outros indivíduos aceitarem tal plano, verbalizarem tal adesão, em alguns casos até se batizaram, e suas vidas demonstram claramente que eles não teem nenhum relacionamento com Deus. Outros não sabem dizer quando se converteram, mas sabem que são cristãos e testemunham isso de uma maneira inequívoca. Há também aqueles que vivem dentro da Igreja, são ativos e, cá entre nós, não teem nada de cristãos!
A salvação é uma coisa essencialmente pessoal, interna. É só entre a pessoa e Deus. Li certa vez que a pedrinha citada no versículo abaixo significa exatamente isso:
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.” (Apocalipse 2:17)
Atente então agora para esse outro versículo que, penso eu, pode lançar mais luz à nossa reflexão:
“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9)
Por que o confessar é com a boca? Pelo seguinte:
“O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” (Lucas 6:45)
A nossa parte mais íntima é o coração, o centro das nossas decisões. O único que tem pleno acesso ali, além de nós mesmos, é Deus. E é ali que acontece a conversão. Ou não.

PENSE NISSO 94


Há uma diferença enorme entre o Saber e o saber para o vestibular.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

FAZER O BEM SEM VER A QUEM


Essa era uma frase que minha avó falava e minha mãe sempre repetia.
Mas antes de refletirmos sobre isso, deixe-me lançar uma pergunta: você tem certeza da sua salvação?
Muita gente cristã procura fazer o bem ou ser bom para obter a sua salvação. Talvez o faça sem parar para pensar no que está fazendo, sendo que a motivação diz respeito à sua vida após a morte, disfarçada como uma recompensa eterna, um galardão, mas de qualquer forma uma intenção que não possui nada de altruísmo. Repetindo a pergunta lá de cima, você tem certeza da sua salvação ou está se esforçando por ela?
Mesmo que você tenha dúvidas sobre a sua vida na eternidade, Deus continuará sendo misericordioso e gracioso.
“Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:8-10)
Ninguém vai para o inferno por ter cometido adultério, ou roubado, ou por ter cometido assassinato, ou mentido ou ainda por ter feito fofoca.
E também ninguém vai para o céu por ter vivido uma vida santa.
“Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:16-18)
Considere o que Agostinho de Hipona escreveu: “A Lei foi dada para que se implore a graça; a graça foi dada para que se observe a lei.”
Concluo com uma pergunta e a minha resposta a ela:
Por que ser bom ou fazer o bem?
Por amor. Amor a Deus e aos outros.
“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.” (João 14:21)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PROXIMIDADES


Era um desses brinquedos caríssimos. Eu o ganhei já usado e um pouco sujo, para dar para alguma criança pobre. E foi o que fiz, depois de limpá-lo. A menina que o ganhou montou-o em cima da mesa e ficou olhando. Seus olhinhos brilhavam. De repente ela veio, me abraçou e disse: “Algumas vezes eu vi esse brinquedo na TV e pensei que mesmo querendo muito mesmo brincar com ele, eu nunca ia poder. Nem emprestado. Aí o senhor vem e me dá”. Eu expliquei que não havia sido eu, que eu só o entregara. E chorei, porque ela também chorava de alegria.
Esse foi um dos momentos mais importantes e significativos da minha vida.
Os meios de comunicação criam necessidades na vida das pessoas que nem sempre podem ser satisfeitas: brinquedos, comidas, carros, passeios, aparelhos, roupas, e até o ter um corpo do jeito que eles determinam ser o perfeito.
Não dá para calcular o estrago que essa frustração causa na mente e no coração das crianças.
Indo mais fundo: e as necessidades mais básicas e reais? Alimento, educação e saúde? Note de passagem que se forem dadas a alimentação e a educação condizentes com a dignidade humana, o problema da saúde é minimizado.
A Doutora Zilda Arns, que morreu recentemente no terremoto no Haiti, era muito pouco conhecida aqui no Brasil. Também pudera, ela nunca foi participante de um “Big Brother Brasil”! Como eu nunca assisti esse programa, eu já a admirava.
Ela era católica. Eis parte do seu discurso:
“Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.”
E ela vivia isso. Enquanto se discute se deve ser proibido ou não pendurar crucifixos em repartições públicas, enquanto se discute posições teológicas, enquanto tivermos preconceitos religiosos e intolerância de crenças, as crianças sonham em comer e brincar e quando acordam, não lhes resta alternativa a não ser ir para a rua.
E os cristãos dentro de suas Igrejas, com a Bíblia na mão perguntam: “Quem é o meu próximo”.
Não precisamos nos perguntar isso. Basta olhar à nossa volta.
“Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.” (Mateus 12:30)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ESTATÍSTICAS


Se eu não me engano, foi o historiador Bernard Shaw quem afirmou que um em cada um indivíduo vai morrer.
Muitos anos trabalhando no Ministério de Capelania Hospitalar me permitiu descobrir que a medicina é bem diferente do que eu imaginava. Nem pior nem melhor: diferente. Essa ciência, que não é exata, embora lance mão das que o são, tem muito de empírico. Cada pessoa é um caso, único. A medicina baseada em evidências (calcada nas estatísticas) é boa para os grandes laboratórios e firmas de convênios médicos, cujos interesses a maior parte das vezes é somente o lucro financeiro. A medicina tem muito de ARTE. Isso a torna muito mais bonita.
Não gosto de estatísticas. Elas são manipuláveis. Se tivermos duas pessoas e um frango assado, e uma das pessoas comer o frango sozinha, pode-se estatisticamente afirmar que tínhamos meio frango por pessoa; uma pessoa pode morrer em um rio cuja profundidade média for 15 cm., e por fim, se uma fábrica de sapatos só fabricar sapatos número 42 porque a maioria das pessoas calça esse tamanho, muitos terão calos. Transfere esses conceitos para a área da saúde.
Na nossa sociedade, que alguns já definem como pós-cristã, as pessoas já não são mais consideradas individualmente. Cada um só pensa em si. Depois pensa nas instituições. E os outros ...
Para mim é significativo a preocupação de Jesus em identificar a mulher que foi curada só em lhe tocar as vestes:
“Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes? Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou? Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto”. (Marcos 5:30-32)
À vista disso, como estão nossos valores?
E concluindo, o Instituto Internacional de Pesquisas Inacabadas divulgou que 8 entre 10 pessoas.

PENSE NISSO 93



A TV pelo menos agrega as pessoas à sua frente, dando ensejo a um ou outro comentário. O computador não, isola mais ainda.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A OCIOSIDADE E O PENSAR


Um amigo se mostrou admirado de eu escrever um texto por dia para postar no Blog. E comentando isso ele perguntou: “Você pensa em tudo o que escreve?”, o que gerou a minha resposta óbvia: “Claro que sim!”. Ele continuou: “Entendo, é que pelo fato de ser paralítico você tem tempo para pensar”. Comentando isso com uma outra pessoa, ela disse que meu amigo tinha razão, pois se não fosse minha paralisia eu teria que fazer alguns serviços tais como ajudar minha mulher no serviço da casa, por exemplo, lavando a louça.
Isso me fez pensar.
Comentários como os dos meus amigos acima são típicos de pessoas que não estão acostumados a meditar, a refletir, enfim, a pensar. Não sabem fazer isso, ficando à mercê de receber e adotar as idéias de outras pessoas. Li certa vez que os esquimós mais velhos que não possuem mais dentes, teem sua comida mastigada pelos mais jovens e recebem aquela pasta pronta para digerir. É só engolir. Quem não pensa, só possui idéias “pré-mastigadas”.
O primeiro amigo que citei é, segundo ele mesmo, viciado em assistir noticiários na TV. Ele assiste a todos (!), e os que não pode assistir, grava para ver posteriormente. A segunda pessoa não consegue ficar no silêncio, tem que ter o tempo todo (!) uma música tocando em seus ouvidos. Até enquanto lava a louça. Como vão pensar se ocupam o seu cérebro com idéias já pré-fabricadas?
Estou seguro que não sou ocioso. Não é por ser paralítico que eu teria que ser ocioso. Então eu penso, não porque sou ocioso. Tenho o hábito de pensar porque aprendi a fazê-lo, reconheço a importância e priorizo isso.
Pensar é uma arte. Há quem fique ocioso e só pensa bobagem. Contudo, há princípios a serem seguidos:
“Irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Filipenses 4:8)
“Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.” (Colossenses 3:1-4)
Já pensou?

domingo, 17 de janeiro de 2010

ANDANDO NO MAR


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

SE FOSSE COBRA ME MORDERIA


Já faz um bom tempinho que isso aconteceu. Saí da sala que uso para estudar aqui na minha Igreja e fui tentar ver um Teiú. Os Teiús são lagartos de grande porte, e aqui eu já vi um com pouco mais de 1 metro de comprimento, contando o rabo, é claro. Fui até o lugar onde sei que eles de vez em quando ficam tomando sol. Olha daqui, olha dali, e nada. De repente, vejo a menos de 2 passos de mim um desses répteis, dos grandes, parado e olhando para mim. Que susto! Ele estava pertinho de mim e eu não o tinha visto.
Não sei quanto a você, mas isso sempre acontece comigo, as coisas estão na minha frente e não consigo enxergar. Aconteceu (e de vez em quando ainda acontece) de Deus estar na minha frente, não visível é claro, mas claramente perceptível, e eu não ver. Demorou para eu conseguir vê-Lo! Acho que foi mais ou menos o que aconteceu com Jó:
“Então, respondeu Jó ao SENHOR: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem.” (Jó 42:1-5)
Tenho um amigo que acredita que o cristianismo é 100% razão. Temo que para ele cristianismo seja apenas uma idéia. Uma excelente idéia, mas apenas uma idéia. Cristianismo é relacionamento com o Deus vivo, invisível, porém um ser real. É impossível qualquer contato com Deus desprovido de sentimentos.
Não desprezo os estudos bíblicos, são eles que me abrem os olhos do coração, principalmente os evangelhos:
“Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:8-9)
Ontem mesmo contei para a Célia, minha amiga Celinha, que eu havia visto um pastor pentecostal orando por um paciente, declarando que rejeitava aquela enfermidade e determinando que Deus fizesse a cura. O comentário da Célia foi certeiro e incisivo: “Esse homem não conhece a Deus”. Concordo plenamente. Acho que ele nunca viu a Deus. E pensar na imensidão de pessoas assim!
“Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:22-23)
Hoje, já maduro, não me importo se Deus vai responder ou não minhas orações. Me basta saber que Ele me ouve, mesmo que não O veja.

ZILDA ARNS, UMA HEROÍNA BRASILEIRA – Rui Motta 14/01/10

O Brasil é um país de poucos heróis sem chuteiras e, mesmo os grandes personagens dos episódios mais marcantes da história tiveram suas vidas transformadas ao sabor dos interesses oportunistas. Poucos brasileiros realmente conhecem com profundidade as ideias daqueles que foram os verdadeiros responsáveis pela construção de nossa identidade como nação, os que pavimentaram os caminhos democráticos trilhados pelas atuais gerações, os que sacrificaram as próprias vidas pelos outros.
Uma das maiores personalidades brasileiras de todos os tempos, a doutora Zilda Arns Neumann era uma dessas desconhecidas de muita gente, com uma história exemplar que a coloca no panteão de verdadeira heroína, pela alta abrangência, pela suprema importância e simplicidade de um trabalho desenvolvido ao longo de 40 anos. Fundadora e esteio da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi incansável na luta contra a fome, a miséria, o abandono das crianças, dedicando todo o seu tempo a um programa exemplar.
Zilda Arns era o tipo de pessoa que fazia acontecer. Agia com determinação, estava sempre focada em seus objetivos, tinha um coração benemérito por natureza. Superava os obstáculos com firmeza e, na obviedade das soluções, conseguia resultados extraordinários onde outros se debatiam em burocracia e discursos improváveis. A criação nos anos 80 de uma rede de propagação de conceitos elementares de educação alimentar e saúde ostenta números impressionantes.
Sua formação médica e religiosa levou ao desenvolvimento de um programa que espalhou-se por todo o mundo como exemplo de combate efetivo e de baixo custo contra a fome. Seu discurso direto, prático e funcional se espalhou por 20 países. No Brasil, a sua rede de solidariedade é formada por 260 mil voluntários, acompanhando 1,9 milhão de gestantes e crianças menores de seis anos, além, de 1,4 milhão de famílias na faixa de extrema pobreza, em mais de 4 mil municípios. A dimensão do seu trabalho lhe valeu vários prêmios de reconhecimento internacional, além de três indicações para o Nobel da Paz.
Seu propósito foi alcançado justamente porque Zilda Arns não tinha a bandeira política em seu trabalho. Crítica dos programas assistencialistas do governo Lula, lamentava que o Fome Zero e seu sucessor, o Bolsa Família, não tinham a devida preocupação com os efeitos complementares do combate à miséria, como alterações na estrutura social, educação e qualificação profissional. Algo como ensinar a pescar...
Zilda Arns estava no Haiti justamente para mobilizar a base religiosa do país para desenvolver projeto com base em sua experiência bem sucedida. O mundo perdeu uma de suas heroínas, alguém que deixa um legado inestimável de fé, perseverança e confiança nas pessoas, a quem ela amou profundamente, a ponto de não ter passado por esta vida em vão.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

UM PEDAÇO DE RIO EM CASA



Durante uns tempos tive aquário em casa. Para quase todo mundo que falo isso o comentário é sempre o mesmo: “Eu gosto de aquário, ficar olhando os peixinhos dá uma paz, uma tranquilidade ...”. Pode ser. Mas a minha maior motivação não era essa. O que me empolgava era escolher o tipo de peixe que eu teria, estudar seus hábitos, alimentação, seu habitat, tipo de solo, vegetação, o pH da água, temperatura, iluminação, enfim, é como se recortasse um pedaço do rio e o trouxesse para a minha sala.
Teve uma ocasião em que tive que providenciar uma tampa para o aquário, pois um peixe teimava em pular para fora. Várias vezes o achamos no piso frio pulando e arfando. Era colocá-lo novamente na água e ele pulava para fora teimosamente. Alguma coisa estava errada com o meio ambiente que criamos para ele. Desesperado, ele fugia.
Isso dá boas reflexões.
Primeiro podemos pensar no que temos feito com o nosso planeta. Quando eu era moço, as estações do ano eram bem caracterizadas pelo clima. Hoje me assusta tantas mudanças, e fico pensando que mundo vamos deixar para a próxima geração (para ter um raciocínio mais contundente, faça como eu, pense em seus netos).
Em segundo lugar, podemos pensar no seguinte trecho da Bíblia:
“Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8:17-23)
Sabe o que penso? Precisamos muito mais do que um aquário na sala para nos dar paz e tranquilidade, não é mesmo?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ACUMULADAS



O Venâncio, meu grande amigo, comentou enquanto tomávamos um cafezinho, que ele não quer ganhar na Loteria, muito menos quando estiver acumulada. A explicação é simples e lógica: ele não quer acabar com a própria vida. Falsos amigos, valores invertidos, preocupações, esses seriam apenas alguns dos problemas causados por um enorme enriquecimento súbito. “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (1 Timóteo 6:6-10)
Lembro-me de um caso real cujos detalhes me fugiram. Em uma determinada região dos EUA, foi achado petróleo, e todos os fazendeiros dali enriqueceram rapidamente. Todos menos um, em cujas terras não havia o que explorar. Cristão, embora abatido e sem saber a razão pela qual não fora abençoado, não se afastou de Deus. Anos depois pode dar graças pelo que lhe aconteceu (ou não aconteceu): todos os que enriqueceram tinham ou enveredado pelo vício, ou perderam a família, ou se corromperam, enfim, tiveram suas vidas destruídas.
“Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.” (1 Timóteo 6:17-19)
Repare que o “nosso aprazimento” que vem dos bens que Deus nos dá é a alegria de ter como praticar o bem, é a felicidade de dar e repartir, e não ter tais bens para usar egoisticamente conosco mesmo.
Quero ter uma vida rica, e não ser rico na vida.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

PELO MENOS EU FALEI



Quando a Cíntia, minha filha, era adolescente, uma amiga me criticou (ou alertou?) dizendo que eu era rigoroso demais na sua educação. Como ela era uma pessoa muito ponderada (essa amiga já morreu), fiquei pensando naquilo que ela falou. Depois argumentei: “Nesse assunto, prefiro ser cobrado por Deus por ter sido rigoroso demais do que por ter sido omisso”.
Vi no noticiário o caso de uma moça que planejou com o namorado o assalto contra a própria mãe, e me lembrei do outro caso, esse mais antigo, em que a jovem, também com o namorado, matou os pais. Como tentar ao menos contrabalançar a influência que uma pessoa mal-intencionada, ou mesmo da bandidagem, vai ter sobre nossos filhos? É lhes ensinando o que é certo, às vezes até com rigor.
Já acompanhei lá no hospital o caso de uma moça de 25 anos que teve uma perna amputada por ter sofrido um acidente enquanto andava de moto com o namorado, escondida dos pais, que não concordavam nem com o namoro nem com o andar de moto. Atualmente acompanho o caso de uma menina de 11 anos (!) que teve o braço amputado pelo mesmíssimo problema.
Observe esses versículos da Bíblia:
“Para ser sábio, é preciso primeiro temer a Deus, o SENHOR. Os tolos desprezam a sabedoria e não querem aprender. Meu filho, escute o que o seu pai ensina e preste atenção no que a sua mãe diz. Os ensinamentos deles vão aperfeiçoar o seu caráter, assim como um belo turbante ou um colar melhoram a sua aparência.” (Provérbios 1:7-9 NTLH)
Veja ainda o exemplo que Jesus, ainda criança, nos deixou, quando José e Maria o encontraram no Templo assentado com os mestres:
“E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração.” (Lucas 2:51)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

DOR GOSTOSA



Outro dia eu postei uma frase (PENSE NISSO 92) que acredito pode ser explorada numa reflexão mais profunda. É uma frase de apenas duas palavras: “Amar dói”.
A Cíntia, minha filha, em seu comentário, nos lembrou a dor que causa amar sem ser amado. Eu lhe respondi com uma frase de Albert Camus: “Não ser amado é uma simples desventura. A verdadeira desgraça é não saber amar”.
Realmente, amar é uma coisa que precisa ser aprendida. Gostar de alguém esperando receber algo em troca não é amor. Colocar-se no lugar de alguém para saber e satisfazer as necessidades legítimas do outro, independente da reação da pessoa amada, é algo que precisa ser incorporado à nossa vida pela aprendizagem.
Algumas versões mais antigas da Bíblia, traduzem a palavra “amor” por “caridade”. Ora, ninguém dá uma esmola pensando em receber do mendigo aquele dinheiro de volta com juros e correção monetária. Mas se alguém o fizer, ou ainda se o fizer querendo ganhar “pontos no céu”, ou que seja um simples muito obrigado, então isso não é caridade, não é amor.
Mesmo amando de uma forma altruísta, amar pode doer muito. É quando temos compaixão. Compaixão é quando sentimos como se fosse em nós mesmos a dor que uma outra pessoa sofre.
Certa vez falei para uma grande amiga que devemos amar sempre, e declarei que nunca me arrependi de amar. Nunca. Disse-me ela que isso mudou seu pensar sobre o amor.
Agora, preste atenção nisso a seguir:
“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1 João 4:20)
E agora?

sábado, 9 de janeiro de 2010

Símbolo do AMOR


AMAR SEM SER AMADO (Re-postagem)

É lavar as mãos sem as ter sujado.
É chover no molhado.
É ser um desgraçado.
É fazer o já feito.
É ter uma dor no peito.
É saber que não tem mais jeito.
É viver de lágrimas banhado.
É dos outros ser caçoado.
É se sentir desnorteado.
É chorar no leito.
É não receber o devido respeito.
É ouvir: eu o rejeito.
Mas amar sem ser amado,
É o que nos foi exemplificado,
Por quem foi crucificado.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

COMPENSAÇÕES



Outro dia eu estava conversando com a Celinha, secretária do Serviço de Capelania do HC-UNICAMP, enquanto ela montava o presépio ali na Capela. De repente ouço alguém gritar “É o Pastor Chico!”, e quando me dei conta já estava envolto em um abraço bem gostoso e ganhando um beijo daqueles bem estalados. Era a Mayara, de 10 anos, paciente do hospital.
Em um outro dia ainda, foi na Enfermaria de Pediatria, foi a mesma coisa, só que com a Melissa, de 11 anos.
E hoje (04/01/10), então, só não chorei porque não consigo fazer isso. Quando entrei na brinquedoteca da Maura, a pedagoga do HC, o Átila, que tem 2 anos, estava pegando uns biscoitos de um pacote. Logo que me viu, pegou um biscoito em cada mão, veio na minha direção, passou por cima dos estribos da minha cadeira de rodas, acomodou-se entre meus dois joelhos de costas para mim, apoiou os bracinhos nas minhas pernas e ficou assim, comendo enquanto eu acariciava sua carapinha.
Quando a Maura e algumas mães de outros pacientes viram aquilo acharam e falaram que ele era lindo. Ouvindo isso, a Vitória, também com 2 anos, veio ao meu lado, se enroscou em meu braço, encostou a cabecinha em mim e também ficou ali, saboreando os seus biscoitos.
E eu? Eu não queria sair mais dali.
“Jesus disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.” (Mateus 19:14)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

SENSAÇÃO DE ABANDONO



Dia de Natal. Fim de tarde, início de noite. A Denise, a Cíntia e eu chegávamos do almoço de Natal em família. Assim que desço do carro, isso já no estacionamento do nosso prédio, avisto o carro da Gabriela manobrando para estacionar na sua vaga. Essa nossa vizinha está com o marido internado lá no HC-UNICAMP. Ele está muito mal. Falei para a Denise e a Cíntia irem subindo e esperei para conversar com ela.
Depois dos cumprimentos, perguntei como está o Jossimar, e ela me respondeu o que eu já sabia, ou seja, mal e sofrendo bastante com as muitas dores. E contou também que o que mais doía nele era não poder ver a filhinha de 3 anos. Fomos conversando e nos dirigindo até o vestíbulo do elevador. Foi ali mesmo naquele lugar, em abril ou maio desse ano, que ele me falou das dores no joelho. Na época ele pensava que fora alguma contusão no futebol, mas os exames revelaram o pior: câncer.
Primeiro ele mancava, depois usava um par de muletas, depois uma cadeira de rodas. Teve que amputar aquela perna. Hoje, diversos outros focos da doença já surgiram.
Parados ali naquele “hall”, perguntei como estava a sogra dela, pois na conversa que tive com a mãe dele vi muito sofrimento. A Gabriela respondeu que ela, a sogra e mãe, desde a amputação não estava bem. Não se conforma. Eu entendo.
“E você, Gabriela, como está?” perguntei. Ela compartilhou que foi tudo muito rápido, pegou-os de surpresa, mas que já haviam conversado, ela e o marido, sobre o futuro incerto e com certeza sofrido. Eu imagino quão angustiante deve ter sido essa conversa!
Depois eu lhe dei um conselho: “Você tem que estar pronta para tudo, para o que pode acontecer de pior, e ao mesmo tempo não pode perder a esperança, que significa lutar até o fim”. Depois em casa fiquei pensando que o pior para ela pode ser o melhor para ele.
Tenho conversado muito com o Jossimar em seu leito hospitalar. Quando lhe perguntei se tinha medo, ele disse que sim e me perguntou se isso era normal. Claro que é. Expliquei-lhe então que “3 medos” podem acometer uma pessoa numa situação dessa, que são, primeiro o medo de a família ficar desamparada, depois o medo do momento da morte e por fim, medo do pós-morte. Estamos trabalhando esses três pontos.
Hoje quero ler com o Jossimar os versículos abaixo e mostrar que Deus sabe o que ele está sofrendo e que tem compaixão.
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.” (Salmos 22:1-2)
“À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Marcos 15:34)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

RESTAURAÇÕES


Qual de nós nunca passou pela amarga experiência de ter pecado e se sentir, depois, a pior das criaturas? Nossa maior necessidade nesses momentos, quer consciente ou inconscientemente, é sermos restaurados.
Imagine como Pedro se sentiu no episódio registrado no versículo seguinte:
“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.” (Lucas 22:61)
Estou certo de que aquele olhar de compaixão que Pedro desfrutou também está à nossa disposição nos momentos em que carecemos de restauração espiritual. Foi uma batalha sobrenatural que até o próprio Diabo se meteu, e isso fez Jesus orar por Pedro, o qual, acredito eu, não viu nada!
“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos. Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte. Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante.” (Lucas 22:31-34)
Isso é fantástico! Bem antes Jesus já intercedia pelo teimoso discípulo. Agora, pense comigo: quantas vezes será que isso aconteceu na minha vida e só saberei na Eternidade?! E na sua vida?
Jesus ainda fez mais por Pedro: fez-lhe uma aparição exclusiva depois de ressurreto.
“E apareceu a Cefas e, depois, aos doze.” (1 Coríntios 15:5)
Depois de meditar sobre tudo isso, o seguinte episódio ganhou, para mim, cores mais fantásticas:
“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me.” (João 21:15-19)
Isso é graça.

PENSE NISSO 92



Amar dói.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

OLHARES



Lembro-me de uma ocasião em que uma moça me garantiu que iria namorar um rapaz que ela acabara de conhecer. Desconfiado, eu lhe perguntei como, e ela me respondeu: “Você ainda não ouviu falar do meu olhar?”. E em menos de uma semana estavam namorando. Aquele relacionamento foi um desastre.
Estou contando isso para nos lembrarmos da força que tem um olhar. Jó sabia disso: “Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?” (Jó 31:1)
Note o que Jesus falou:
“São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” (Mateus 6:22-23)
E mais:
“Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.” (Mateus 18:9)
Não existe só um tipo de olhar. Ele pode ser de sedução, reciprocidade, reprovação, cumplicidade, rejeição, amor, ódio, simpatia, antipatia, empatia, gratidão, amizade, consentimento, indiferença e muitos outros. O pior de todos, para mim, é o de indiferença. O melhor? O de amor correspondido.
Visto isso, deixe-me compartilhar um versículo que mexe com a minha imaginação:
“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.” (Lucas 22:61)
Pedro acabara de negar que conhecia o Senhor, isso pela terceira vez, e Jesus o olha fixamente! Como será que foi esse olhar? Com certeza não foi um olhar que dizia (é isso mesmo, dizemos muito coisa só com um olhar!): “Eu avisei”. Não, não foi assim. Eu olharia assim, mas Jesus não. A Denise acha que foi o mesmo olhar que Ele nos lança quando pecamos, pois todo pecado é um “negar a Cristo”, ou seja, voltar-Lhe as costas. Acredito que podemos definir tal olhar como cheio de compaixão, que é sentir a dor que um mal causa em uma outra pessoa.
Ainda volto outro dia nesse tema, mas quero agora finalizar ressaltando que, ontem e hoje o olhar de Cristo é como será no futuro, ou seja, purificador, como mostra esse versículo:
“A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo;” (Apocalipse 1:14)
Para onde você tem olhado?
Como você tem olhado para as pessoas?
Como Jesus Cristo tem olhado para você?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

ENCONTROS



Devo sempre buscar a Deus simplesmente para ter um encontro com Ele, e não para obter bençãos. O que eu quero dizer com “encontro” não é algo casual, acidental. É o resultado de uma busca (ou em certas ocasiões, uma espera) consciente, querida, persistente. Por amor.
“Buscai, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33).
Lembrei-me agora de uma paciente do HC-UNICAMP, Dona Antonieta, 76 anos, que há um bom tempo passado estava ali internada. Todo dia ela punha uma cadeira na porta do seu quarto e ficava me esperando para conversarmos. Se me atrasasse 5 minutos eu levava bronca. Eu também gostava muito de estar com ela, para compartilharmos nossas vidas e falarmos de Deus. Gostávamos de ficar juntos, era um encontro para vivenciarmos o amor cristão. E ambos ansiávamos por esse encontro e o buscávamos. Ou o esperávamos.
É o que Deus quer de nós.
“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13)
A maior parte das pessoas cristãs que convivo confessa ter grandes dificuldades para ler a sua Bíblia diariamente. É que seu devocional acaba sendo um tempo de estudo bíblico bem acadêmico, e nem todo mundo gosta de estudar. Não é um momento a sós com nosso maravilhoso Deus. Acaba sendo a realização de uma enfadonha tarefa, e não um encontro de amor. Ou então as pessoas O procuram como se Deus fosse um gênio da lâmpada para satisfazer nossos desejos.
Ah, antes que eu me esqueça, tenho um recado para você: Deus quer ter um encontro com você.
“Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?” (Tiago 4:5)