quarta-feira, 11 de novembro de 2009

RESPONSABILIDADE SOCIAL



Existe uma dinâmica, na minha opinião já muito desgastada, que é aquela em que uma pessoa se fantasia de mendigo bêbado e comparece ao culto da Igreja para testar o acolhimento que os membros daquela comunidade oferecem aos marginalizados. Mais tarde o “ator” se revela. Algumas vezes é o próprio pregador da noite que se disfarça. A própria existência dessa performance tão difundida, já mostra que mendigos bêbados não são comuns nas Igrejas.
A Igreja primitiva se reunia nas casas. O critério de escolha de qual Igreja as pessoas deviam frequentar era geográfico. Como não havia tanta facilidade de locomoção como há hoje, as pessoas iam na comunidade mais próxima.
Agora, note os tipos de pessoas que confraternizavam o mesmo grupo:
“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor. Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura. Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados. Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas. Senhores, tratai os servos com justiça e com eqüidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.” (Colossenses 3:18-4:1)
“Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro nos dedos, em trajos de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, e tratardes com deferência o que tem os trajos de luxo e lhe disserdes: Tu, assenta-te aqui em lugar de honra; e disserdes ao pobre: Tu, fica ali em pé ou assenta-te aqui abaixo do estrado dos meus pés, não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos?” (Tiago 2:1-4)
As famílias tanto dos patrões como dos escravos eram “membros” da mesma Igreja! Comungavam da Ceia todos os tipos de pessoas. Não havia Igreja para uma determinada faixa social (seja rica ou pobre), nem de ex-viciados, nem só de jovens, ou de surfistas. Toda e qualquer pessoa podia ir à Igreja. Isso gerava problemas? Claro que sim. Mas era também um excelente treino para o desenvolvimento do amor e da graça.
Como é a sua Igreja hoje?
PARA REFLETIR:
“E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (Mateus 9:10-11)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

UMA VISITA TRANSFORMADORA



Já houve épocas da minha vida em que eu me orgulhava do trabalho que realizava para Deus. Creio que Deus até se agradava do que eu fazia e do meu esforço. Ele olhava dentro do meu coração e via minhas motivações e intenções. Contudo, eu não sabia como é a maneira de Deus agir. O que conta não é o que fazemos por Deus, mas sim o que Deus faz através de nós, em nós e de nós.
“Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.” (Isaías 64:8)
Quando onjo falou com Maria contando-lhe o que Deus queria dela, disse-lhe também que o Espírito Santo é que faria tudo.
“Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.” (Lucas 1:35)
Se você me falasse que existe a parte de Deus e a parte dos homens, eu concordaria. Mas toda a obra é de Deus no fim das contas.
Veja o seguinte:
“Quando (Jesus) acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes. Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes. Então, fizeram sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los. E foram e encheram ambos os barcos, a ponto de quase irem a pique. Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador. Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os seus companheiros, bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios. Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram.” (Lucas 5:4-11)
Todo o trabalho realizado durante a noite resultou em nada, mas sob a Palavra de Jesus houve fartura.
E note o detalhe da fala final de Jesus registrada por Marcos: “Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Marcos 1:17)
Seria o próprio Senhor que os faria “pescadores de homens”.
PARA REFLETIR:
“Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5)

PENSE NISSO 84



Não é vergonhoso alguém ser um auxiliar subalterno, contanto que se seja o melhor auxiliar subalterno que essa pessoa é capaz de ser.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UMA VISITA QUE TRAZ BOAS NOVAS



Grávida, eu? Mas como? Quando Maria ouviu do anjo quais eram os planos de Deus para ela, inúmeros pensamentos lhe ocorreram com certeza, gerando outro tanto de sentimentos até mesmo conflitantes.
“Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.” (Lucas 1:31)
“Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?” (Lucas 1:34)
Primeiro ela não sabia como é que Deus iria operar. Depois ela teria que contar a seus pais, Joaquim e Ana. Teria que contar a José, a quem ela estava prometida em casamento. Teria que enfrentar todos os conhecidos, parentes, amigos, vizinhos, até os desconhecidos, todos com certeza falariam dela e a julgariam e a maioria a condenaria. Até um certo risco de ser apedrejada ela corria.
E creio também que lhe ocorreu a enormidade de sua futura responsabilidade, isto é, criar o Criador.
E qual foi a sua reação?
“Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela.” (Lucas 1:38)
Conosco pode acontecer algo parecido. Quando Deus quer algo de nós, dúvidas nos alcançam, temores e às vezes até insegurança. Mas a nossa resposta deve ser como a oração que se segue, a qual copiei não sei de onde:
“SENHOR,
Como Tu quiseres,
Quando Tu quiseres,
Tudo o que quiseres,
Porque o queres”.
PARA REFLETIR:
“Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.” (Lucas 22:42)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

UMA VISITA QUE CAUSOU MEDO



Acontece comigo de vez em quando e acredito que também com outros pastores evangélicos: se eu chego para uma pessoa, principalmente se for jovem, e falo que preciso falar com ela, não raras vezes a tal pessoa fica amedrontada. Agora imagine se o próprio Deus falasse de uma forma inequívoca para você: “Você é uma pessoa que tem sido o alvo da minha graça, e tem me agradado; por essa razão tenho uma tarefa para você, mas não se preocupe com nada por que Eu estarei ao seu lado”.
Pois foi mais ou menos isso que Ele, Deus, fez com Maria através do anjo Gabriel:
“E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo.” (Lucas 1:28)
Note que ela ficou com medo:
“Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação.” (Lucas 1:29)
Eu ficaria com medo. Não estou me referindo ao fato de um anjo aparecer, mas pelo conteúdo da mensagem que viria a seguir. Você não ficaria?
Fiquei tentando lembrar de quando eu era moleque se tinha medo de ouvir meu pai quando ele vinha falar comigo. Conclui que em algumas circunstâncias sim, como por exemplo quando eu tinha a consciência pesada por ter feito algo errado. Ou então medo de falhar caso ele desse alguma ordem ou coisa para fazer, pois seu lema era “Não quero saber se o pato é macho, eu quero comer ovo”. A educação que meu pai me deu foi muitíssimo boa, mas de vez em quando dava medo.
Mas meu pai não era Deus e nem tinha intenção de ser infalível. Mas Deus é Deus e é infalível.
Agora, pensa comigo na nossa reação ao falar de Deus conosco. É Deus falando! E Deus é tremendo: “Deus é sobremodo tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam.” (Salmos 89:7) É Deus falando! E Deus é amor: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.” (1 João 4:8)
Por que eu teria medo de ouvir a Deus? Por medo de ouvir o que não quero, pois o que Ele quer pode ser diferente do que quero! Mas atente para esse versículo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)
PARA REFLETIR:
“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” (1 João 4:18)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

QUE DEUS É ESSE QUE NOS VISITA?



O lugar de Deus (se é que podemos falar assim) é além da Eternidade. Ele é o “Pai da Eternidade” (Is. 9:6). Se entendermos “pai” como aquele que gera, então Deus foi quem criou a Eternidade, e portanto, é anterior a ela. Então, note o quanto Ele se auto-limitou: do “seu lugar” se limitou à Eternidade criada; depois à Terra, onde há tempo, matéria e espaço; e ainda se limitou a um corpo humano.
“Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.” (Lucas 1:30-31)
Jesus é o Cristo, Deus feito homem!
Por que será que Ele fez isso? Esse questionamento não é novo:
“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites?” (Salmos 8:3-4)
Vamos nos ater a refletir sobre a motivação de Deus ao se fazer homem, apenas ao que concerne ao próprio homem, muito embora Deus tenha motivos específicos para a criação da Eternidade, dos Anjos, do Universo, da Natureza, enfim, de tudo.
Deus se fez homem por amor, e é isso que devemos celebrar no Natal!
Eu gosto de receber visitas. Só não gosto quando a pessoa aparece sem avisar. Isso nos pega desprevenidos, às vezes com a casa não preparada e nós desarrumados. De vez em quando dá vontade de não abrir a porta. Deus veio nos visitar e teve o cuidado de anunciar sua vinda. E não é que muitos não O recebem!
O próprio Deus se deu o trabalho e o sacrifício (literalmente) de vir até nós movido por um amor salvífico imensurável! É maravilhoso, não é?
PARA REFLETIR:
“Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” (Mateus 1:22-23)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A VISITA DO ANJO GABRIEL


Eu tenho fé na existência de anjos. Isso quer dizer que acredito que eles existem embora nunca tenha visto um. Já vi manifestações de demônios, que também são anjos, mas ver, mesmo, nunca vi. E nunca vi manifestações de anjos bons.
Pensando nisso acima, me lembrei da aparição do anjo Gabriel a Maria.
“Quando Isabel estava no sexto mês de gravidez, Deus enviou o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. O anjo levava uma mensagem para uma virgem que tinha casamento contratado com um homem chamado José, descendente do rei Davi. Ela se chamava Maria.” (Lucas 1:26-27 NTLH)
Se a própria Maria me encontrasse por ali depois dessa aparição, eu ficaria meio que com um pé atrás. Sou muito cético com essas coisas. Quantos anos ela devia ter? Uns 15 ou 16? Vendo um anjo que lhe trouxe uma mensagem do próprio Deus? Há 400 anos Deus não mandava mensagens ao povo de Israel, e mandou que um anjo trouxesse uma a uma adolescente. Complicado, né?
O nome Gabriel significa “Homem de Deus”. Será que aquele anjo apareceu na forma humana? Acho que não. Pelo menos não com as asas nas costas como vemos em algumas figuras e quadros. Não lembro se foi Da Vinci ou Michelangelo que observou que um corpo humano, para sustentar os músculos de duas asas daquele tamanho, teria que ter um tórax extremamente avantajado como o dos pássaros.
De qualquer forma, anjos são seres espirituais, e, como já disse, creio na sua existência.
Não sei como reagiria se visse um.
Você crê na existência de anjos?
E se visse um, como reagiria?
PARA REFLETIR:
“E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação.” (Lucas 1:28-29)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

VISITAS



A minha filha Cíntia, que mora em Curitiba, veio passar, aqui em casa, esse fim-de-semana prolongado pelo feriado de finados. Antes de ir embora, como ela sempre faz, me deixou um bilhete onde, entre outras coisas, me dizia que agora só viria no Natal.
Isso me inspirou um pensamento simples mas profundo: o Natal é a celebração da “visita” que Jesus nos fez.
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1:14)
Esse advento, essa vinda, é que nos trouxe a salvação.
Vamos nos preparar para essa festa, não só familiar e socialmente, mas principalmente na nossa vida espiritual.
PARA REFLETIR:
“É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lucas 2:11)

OS DOIS HINOS


Na quinta-feira passada, no texto “DEPRESSÃO, INDIVIDUALIDADE E HISTORICIDADE” eu escrevi uma frase que, contrariando minhas expectativas, ninguém perguntou a razão da mesma e nem comentou. É a frase na qual levanto a possibilidade de as pessoas irem aos estádios de futebol para terem o sentimento de pertencer a algo que tenha uma história, um objetivo e um futuro.
Sábado passado fui de novo ao Estádio do GUARANI. Havia lá, segundo o noticiário, mais de 10 mil torcedores.
Deixe-me fazer um adendo: nesse domingo, na aula que dei para uma classe de adultos da Escola Bíblica Dominical, eu citei a segunda multiplicação dos pães que Jesus fez, da qual participaram 10 mil homens, fora mulheres e crianças. Para ilustrar, falei do mesmo número de torcedores que estavam no estádio. Nisso o Henrique, um de meus melhores alunos comentou: “Note como mudaram os tempos: naquela época 10 mil iam para ouvir Jesus falar, e hoje, vão para ver ... o Guarani jogar”.
Mas voltemos a refletir sobre a importância de as pessoas estarem inseridas em um contexto histórico que abranja passado, presente e futuro.
No jogo em que o Guarani subiu da terceira para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, eu estava lá. No final da partida, em meio às comemorações, um senhor já conhecido nosso de outras jornadas, apertou a minha mão e disse: “Estamos vivendo um momento histórico”.
Nesse campeonato, antes de o jogo começar, toca-se o Hino Nacional. Apesar de todos ficarem em pé, há um desrespeito muito grande nas arquibancadas. O povo fica conversando, gritando, andando de um lado para o outro, numa indiferença muito triste. Mas quando toca o hino do Guarani, a emoção é geral, e todos cantam de uma forma vibrante!
Não temos o sentimento de pertencermos ao nosso Brasil. Será que é isso? Mas pertencemos e deveríamos nos orgulhar disso.
E além desse privilégio, temos outro, o de termos dupla cidadania:
“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2:9)
Toda a história, a responsabilidade do presente e as promessas de Deus, também nos pertencem.
Na Eternidade, cantaremos com o maior respeito e gloriosamente, um novo hino:
“Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares,” (Apocalipse 5:7-11)
PARA REFLETIR:
“Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia.” (João 15:19)

sábado, 31 de outubro de 2009

A MARCA DA INTOLERÂNCIA (texto de J. Villar)

Esse texto, muito bom por sinal, foi postado em atenção aos meus alunos da Escola Bíblica Dominical da IBCU (Xyko Motta).

A MARCA DA INTOLERÂNCIA
“Examinei com cuidado o significado de um herege e não consigo fazê-lo significar mais que o seguinte: um herege é um homem de quem discordamos”. Essa afirmação, em tom irônico, data do século 16 e se deve a um protesto contra a intolerância que a Reforma Protestante começava a assumir na Genebra de Calvino. Um movimento que começou brandindo pelo direito à “liberdade de consciência”, e que não deveria “triunfar pelo fogo, mas pelos escritos” (Lutero), estava adotando métodos tão intolerantes quanto os de seus perseguidores. O próprio Lutero, como se sabe, concordou que anabatistas e membros de outros movimentos protestantes mais extremistas fossem condenados à morte pela autoridade civil.
O que aqui se escreve não é para infamar a memória daqueles reformadores ilustres. Eram filhos de seu tempo e não podem ser julgados pelos critérios de quem, no presente, pode observar seus erros com quase cinco séculos de vantagem. A necessidade de preservar verdades fundamentais num ambiente terrivelmente hostil, se não justifica, ao menos explica as ações agressivas que adotaram na ânsia de preservar o sistema que defendiam.
O que se pretende mostrar é que a intolerância, esse sentimento que nos leva a desprezar e nos afastar do diferente, e estabelecer a “nossa verdade” a fórceps, pode assaltar inclusive os mais sinceros e honestos homens de Deus. Se homens com aquela envergadura moral, evidentemente chamados por Deus para a realização de um propósito grandioso, incorreram em intolerância brutal, não é de imaginar que corremos o mesmo risco?
E é bom lembrar que quando somos intolerantes raramente o assumimos, mas sempre garantimos que assim agimos pelos mais nobres e espirituais motivos. E qual motivo poderia ser mais nobre e espiritual do que a defesa da verdade da Palavra de Deus? O problema é que escudado nessa boa razão – e é isso que nos mostra o teatro da história – podemos, em vez de defender a causa santa, dar vazão à nossa atávica intransigência. “Sou uma pessoa relativamente fácil de conviver, só não suporto que discordem de mim”, diz o “Deus” brasileiro do filme de Cacá Diegues, vivido por Antônio Fagundes. Talvez os líderes das igrejas no país devessem se perguntar aonde o cineasta foi buscar esse paradigma distorcido para retratar a Deus.
Não faltará quem diga que a intransigência é necessária na defesa da verdade, afinal se o evangelho está em jogo devemos ser intransigentes. Isso está correto, mas devemos nos lembrar que somente aquilo que é essencial ao evangelho é que requer uma defesa radical. Vejamos alguns exemplos. Alguém pode usar, hoje, o título de apóstolo? O batismo deve ser aplicado apenas a quem entende o ato ou deve se estender às crianças? As línguas estranhas constituem um sinal de batismo do Espírito Santo?
Sabemos que haverá diferentes respostas para todas essas perguntas no meio evangélico. Mas concordamos que Jesus é o Senhor, que a justificação dos pecados somente ocorre pela graça de Deus, por meio da fé, com a autoridade suprema das Escrituras como regra de fé e prática, e em todas as afirmações do credo apostólico. Isso nos revela que aquelas verdades, a respeito das quais divergimos, não são essenciais à nossa unidade, pois podemos comungar uns com os outros apesar dessas diferenças, enquanto que estas outras são inegociáveis, e não poderá haver unidade com aqueles que não a aceitam.
Assim, a nossa unidade deve se dar em torno do que tem sido considerado essencial no correr dos séculos da história da igreja e devemos aprender a exercitar a tolerância naqueles outros assuntos, a respeito dos quais pensamos de modo diferente. Essa tônica foi bem resumida num provérbio antigo, produzido no calor da Reforma, que preconiza o seguinte: “Na verdade, unidade; nas questões duvidosas, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. A frase, segundo John Stott, se deve a Petrus Meuderlin, pensador luterano do século 17, que lamentava, desde então, a falta de unidade do movimento que se desligara da igreja romana. “Se nós pelo menos observássemos unidade nos essenciais, liberdade nos não-essenciais, caridade em todas as coisas, as nossas relações estariam na melhor situação possível”. Corremos, todavia, o risco de nos esquecer do essencial, de guerrearmos pelo não-essencial, e tudo isso sem a menor caridade.
• João Heliofar de Jesus Villar, 45, é procurador regional da República da 4ª Região (no Rio Grande do Sul) e cristão evangélico.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

PENSANDO BEM ...


Gosto quando um determinado versículo ocupa meu refletir por muito tempo, e esse que se segue está desde ontem de manhã em meu pensamento:
“Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte.” (João 6:15)
Jesus tinha acabado de fazer o milagre da primeira multiplicação dos pães, uma multidão extasiada de 5.000 homens (fora mulheres e crianças, então deviam ser no mínimo umas 10.000 pessoas!) queria fazê-lo rei, e o que Ele faz? Se retira!
Pensa comigo: eu até entendo que Jesus não quisesse ser feito rei naquele momento, pois Ele sabia que não seria possível estabelecer Seu Reino sem a cruz. Na ocasião da tentação de Jesus, o Diabo tentou isso e não conseguiu (“Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” - Mateus 4:8-10).
Até aqui eu entendo. O que me espanta é Jesus não ter aproveitado a excelente, fantástica e rara oportunidade de, não de se tornar rei, mas de fazer propaganda de seus planos, arrumar aliados, mais seguidores, patrocinadores e, enfim, expandir seus projetos. Ele jogou fora a chance de fazer um enorme sucesso. Pelo contrário, ao invés de aproveitar a popularidade, Ele vai para um monte ficar sozinho.
É óbvio que não dá para entender isso se continuarmos olhando para esse episódio pela perspectiva humana. Pela perspectiva de Deus popularidade não é, necessariamente, característica de uma pessoa bem sucedida.
O sucesso com Deus está intimamente relacionado, não a estarmos no centro dos acontecimentos, mas aos momentos de solitude com o Pai Divino. Repare que o versículo fala que Jesus se dirigiu “novamente” ao monte.
“E teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:4)
É necessária uma sintonia muito bem ajustada com a Vontade de Deus.
PARA REFLETIR:
“Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.” (Romanos 12:2 NTLH)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

DEPRESSÃO, INDIVIDUALIDADE E HISTORICIDADE


O jovem que anda por todo lugar com os dois fones de seu MP3 nos ouvidos, geralmente acha uma chatice as histórias contadas pelos avós, como também pensa ser um tédio visitar um museu histórico e ainda, por outro lado, seus planos para o amanhã só levam em conta seus próprios interesses.
Quem me inspirou essas idéias que vou esboçar aqui (como tantas outras) foi o Venâncio, meu grande amigo e “comentarista” assíduo de nosso Blog.
Talvez o fator que mais contribua para a depressão individual seja a alienação da pessoa de seu contexto histórico e a consequente não consciência do mesmo de qual é o seu lugar na sociedade.
Uma amiga minha após ler algo em um livro de filosofia, certa noite encontrou o irmão dela no corredor da casa deles e perguntou ao rapaz que estava com um sanduíche na mão: “Quem é você? De onde você vem? Para onde você vai?”, ao que ele respondeu meio espantado “Eu sou o seu irmão Zé, venho da cozinha e vou para a sala ver TV”.
O assunto em pauta exige maior profundidade.
Um dos pontos mais característicos dos nossos dias, principalmente no ocidente, é a individualidade. Desprezamos nosso passado e não nos incluímos nos planos coletivos.
O povo judeu, nos tempos bíblicos e acho que hoje ainda é assim, prezava suas genealogias (incluindo suas implicações históricas) e da mesma forma as profecias!
“Põe-te marcos, finca postes que te guiem, presta atenção na vereda, no caminho por onde passaste; regressa, ó virgem de Israel, regressa às tuas cidades.” (Jeremias 31:21)
Nós, hoje, não temos juntos nem memória nem esperança. Isso é muito deprimente!
Talvez seja por isso que muitos frequentam os estádios de futebol.
PARA REFLETIR:
“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” (Hebreus 12:1-3)
Observação: a “nuvem de testemunhas” são os grandes heróis da fé da história de Israel listados no capítulo 11 da mesma Carta aos Hebreus.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DEPRESSÃO



Nós estávamos, todos bem arrumadinhos, “embrulhados para presente”, nos dirigindo à chácara onde eu ia celebrar um casamento. Era de tarde. Havia chovido pela manhã e a estrada de terra estava uma lameira só. A certa altura nos deparamos com uma descida bem íngreme, no fim da mesma um atoleiro e depois uma subida também ingreme que terminava em uma árvore plantada à margem da estrada. Minha mulher, a Denise, era quem estava dirigindo nosso carro.
Um amigo que nos acompanhava deu algumas dicas: “Desce sem parar, principalmente na lama acumulada ali naquela depressão, e continua sem parar pelo menos até chegar àquela árvore. Se parar por qualquer motivo na lama, não acelere, não tente sair sozinha pois vai atolar mais ainda. Precisa ter ajuda para sair, algo que possa rebocar o carro”. Apesar de uma ou outra pequena deslizada de lado, a Denise levou direitinho o carro até onde estava a árvore.
Depressão, em termos de topografia, é uma extensão de terreno abaixo do nível do solo que está em volta. Por exemplo, os vales dos rios são depressões do terreno. O trecho que naquele dia superamos era uma pequena depressão.
Depressão também é um abatimento físico, emocional ou moral. E às vezes espiritual.
Esse mal, que já foi chamado de “doença do século”, pode ser descrito como o momento em que a pessoa por algum motivo tem sua vida descendo em um declive, chega na depressão, por alguma inabilidade pára no “atoleiro” (onde muitos detritos se acumulam), tenta sair por esforço próprio, afunda mais ainda, de onde só sairá com ajuda (o reboque).
O próprio Senhor Jesus nos alertou que no mundo teremos aflições, as depressões, que podem nos levar a atolar. O antídoto para isso é a ESPERANÇA (a árvore lá adiante).
“Por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho,” (Colossenses 1:5)
“Se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.” (Colossenses 1:23)
“Aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória;” (Colossenses 1:27)
PARA REFLETIR:
“Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação;” (1 Ts 5:8)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

PENSE NISSO 84



Você um missionário, por que não?


CHAMADOS



Foi em um acampamento lá em uma fazenda, localizada em Minas Gerais, que eu comecei a pensar seriamente em trabalhar servindo a Deus em tempo integral. Foi o exemplo de alguns homens, na maioria jovens, que se dedicavam totalmente a servir como missionários, que me inspirou a tal. Mas um testemunho que ouvi em particular lá, me impressionou mais do que todos.
Vou chamá-lo de Paulo. Foi o próprio Paulo quem me contou. Esse homem, de uns 45 anos, casado e com 2 filhos, trabalhava como vendedor, e ganhava um bom dinheiro. Na sua Igreja ele ajudava na medida do possível. Certa noite ele acordou ouvindo Deus, de alguma forma lhe dizendo para entrar no trabalho missionário em tempo integral. Assustado, ele acordou a esposa, que afirmou não ter ouvido nada e o convenceu que provavelmente fora um sonho. Com isso ele voltou a dormir.
No dia seguinte, já a caminho do trabalho, o Paulo ouviu a mesma coisa. Assustado ele orou, de olhos fechados e silenciosamente, pediu que Deus confirmasse pela boca do pastor da sua Igreja tal ordem. Quando abriu os olhos e se vira, quem ele viu? O pastor vindo na sua direção. Quando começam a conversar, o pastor ouve a mesma voz e confirma a mensagem. O Paulo deixou de ser vendedor e passou a ser um missionário. Voltei para casa decidido a me dedicar totalmente ao serviço para Deus.
Só que havia um problema: eu estava desempregado e não queria, de forma alguma, levar para sempre o pensamento de que só fui trabalhar para Deus por falta de opção.
Dentre os recados que minha mãe tinha anotado para mim enquanto estava na fazenda, havia um de uma grande amiga minha. Essa amiga era jornalista e tinha uma firma especializada em produzir jornais internos de clubes e firmas. O recado era para eu ligar para ela.
Resumindo, ela tinha um emprego para mim como redator, um ótimo primeiro passo na carreira de jornalista, que era meu sonho. Eu poderia até trabalhar em casa, na minha própria máquina de escrever (é, não existia computador ainda). Como essa minha amiga não era cristã, não entendeu muito as minhas razões para recusar o convite. Mas, alegremente eu recusei e naquele dia eu passei a ser um missionário.
PARA REFLETIR:
“E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” (Mateus 9:37-38)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PENSE NISSO 83


Você já falou, hoje, para Deus, que O ama?

AMOR PERFEITO



Um amigo meu declarou que ama tanto a sua namorada que a única coisa que ele quer é a felicidade dela, e que se descobrisse que namorá-la e casar com ela não é da vontade de Deus, consciente de que essa união não a faria feliz, ele terminaria tal relacionamento. Por amor a Deus e a ela. Eu creio na sinceridade desse meu amigo e irmão. Não me canso de afirmar: amar é atitude e ação. É se colocar no lugar do outro para descobrir e satisfazer as necessidades lícitas da pessoa amada.
Agora, reflita nesses versículos a seguir:
1 João 3:14 Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte.
1 João 4:19 Nós amamos porque ele nos amou primeiro.
1 João 5:2 Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos.
Sempre que eu me coloco diante de Deus me vem à mente a minha indignidade devida aos meus pecados. E muitas vezes devida a algum pecado recorrente, aí é pior ainda.
Deus nos ama com um amor constante e leal, incondicional e ilimitado! Não mereço isso!! Imagino a cena, muito comum por sinal, de eu pecar, abaixar minha cabeça, me fechar dentro do meu próprio coração, e ouvir Deus, que quer eliminar a distância que coloquei entre nós, e “gritando”: “Ei, Xyko, Eu amo você. Vem cá. Eu o perdôo. Vem cá, vai, esquece isso”. É de arrepiar, não é.
PARA REFLETIR:
“Sabemos o que é o amor por causa disto: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos.” (1 João 3:16 NTLH)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

TEM HORAS QUE NÃO SEI O QUE FALAR


Isso tudo aconteceu já faz algum tempo.
Ele se chamava Pedro, tinha 58 anos, era empreiteiro de obras e naquela ocasião estava construindo um edifício de 6 andares, o primeiro de uma pequena cidade do interior.
Certo dia ele pegou uma carriola, encheu de cimento, entrou em um daqueles elevadores de construções e subiu. Quando chegou ao sexto andar, o cabo de aço que sustentava todo aquele peso não resistiu e rebentou. Aquele homem caiu de pé.
Quando fui visitá-lo ali no HC-UNICAMP pela primeira vez ele estava com os dois pés engessados, já havia sofrido algumas cirurgias e estava aguardando uma palavra dos médicos que estavam estudando o seu caso.
Ficamos amigos, eu o evangelizei e ele se converteu.
O Pedro teve ainda que fazer mais algumas cirurgias, não me lembro de quantas foram. Quase todo dia conversávamos, líamos a Bíblia e orávamos. Era muito gostosa a nossa convivência. Fizemos isso por uns 2 ou 3 meses, até que saiu o resultado conclusivo dos médicos: os ossos dos seus pés ficaram tão quebrados que não havia mais jeito, o meu amigo e irmão Pedro nunca mais iria andar.
Eu estava junto quando os médicos lhe disseram isso, e fiquei com ele depois que eles se foram. O Pedro chorou muito e por muito tempo.
Depois que se acalmou ele me falou: “O pior ainda não lhe contei, pastor; eu não me casei, apesar de ter tido ótimas oportunidades, para poder cuidar do meu pai que é deficiente físico e só anda numa cadeira de rodas. Em casa só moramos ele e eu, pois minha mãe já morreu e não tenho nenhum irmão. Quem vai cuidar dele? E de mim? Somos só nós dois”.
Eu fiquei calado.
Ele continuou: “Mas não se preocupe, pastor, eu sei porque tudo isso aconteceu. Foi para eu me converter. Se o senhor tivesse ido lá na obra, ou na minha casa falar do amor de Jesus, eu com certeza não o receberia. Então Deus me trouxe aqui. Valeu a pena. E assim como Deus foi poderoso para me trazer aqui, Ele também o é para cuidar de mim e do meu pai”.
Eu continuei calado. Só que agora estava chorando.
No dia seguinte o Pedro teve alta, não deu para nos despedir e desde então não tenho mais notícias dele.
Quase sempre pensamos que devemos ter uma palavra ou uma resposta para tudo. E muitas e muitas vezes não as temos.
PARA REFLETIR:
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!” (Romanos 11:33)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

É COMO SE EU FOSSE UM ASTRONAUTA



Eu vivo em 3 mundos bem diferentes uns dos outros. Eu fico todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, na minha Igreja. Lá tenho uma sala com muito conforto e modernidade. Mas o que há de mais agradável ali é a natureza. Nos fundos do nosso terreno há uma mata tombada pelo CONDEPACC, órgão governamental responsável pela preservação do meio ambiente. Por causa da proximidade dessa mata temos por lá aranhas enormes, lagartos, sapos, garças, gaviões, sanhaços e uma infinidade de outras aves. Já vi até tucanos ali, sem contar as capivaras. E o silêncio, então! É maravilhoso! Eu gosto dali. Mas gosto mesmo.
Mas, por mais que eu goste, aquele não é o meu mundo.
Todas as tardes vou para o Hospital das Clínicas da UNICAMP. Conforme vou entrando, vejo pessoas em macas, cadeiras de rodas, andadores, muletas, com gesso, fixadores, curativos, sem membros, defeituosos. Velhos, adultos e crianças. Há ali muito sofrimento, dor e morte. Eu amo estar ali para servir àquele povo!
Mas, por mais que eu goste, aquele não é o meu mundo.
Às vezes eu saio do HC e vou direto para um Shopping. Um ambiente limpo, seguro, bonito, todos passeando, se divertindo, arrumados, cheirosos, consumindo. Geralmente os homens não gostam de shoppings. Eu gosto.
Mas, por mais que eu goste, aquele não é o meu mundo.
Quando Jesus Cristo orou por nós, a certa altura ele orou assim: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou.” (João 17:15-16)
Se eu não sou de nenhum desses “mundos” desse mundo, de onde sou?
“Então vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra desapareceram, e o mar sumiu. E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e preparada, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo. Ouvi uma voz forte que vinha do trono, a qual disse: —Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles, e eles serão os povos dele. O próprio Deus estará com eles e será o Deus deles. Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram. Aquele que estava sentado no trono disse: —Agora faço novas todas as coisas! E também me disse: —Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e merecem confiança.” (Apocalipse 21:1-5 NTLH)
PARA REFLETIR:
“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.” (1 João 2:15-17)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O DIA EM QUE O GRANDÃO FICOU IGUAL AO MEIOFORTE



O campo era de terra batida. Todo sábado à tarde e domingo pela manhã um time de futebol de adultos disputava ali suas partidas do campeonato de várzea da cidade. Havia ali uma edícula, feita de madeira, onde na frente funcionava um boteco e nos fundos duas salas serviam de vestiário. Nos outros horários quem usava o espaço era a molecada do bairro.
Certo dia esses meninos resolveram fundar um time de futebol. Quem vendeu a idéia foi o Gordo, que falou com o Grandão. Grandão era o mais forte da turma, o que melhor jogava futebol e o de família mais pobre, e o Gordo era o oposto. Na conversa entre os dois, o Gordo disse que seu pai estava disposto a dar o jogo de camisas, com uma única condição: que o Alfredo (esse era o nome do Gordo) fosse o lateral direito do time. Como o Grandão era o líder natural da turma, ele conversou com os meninos e eles toparam.
Então eles se reuniram na cobertura debaixo da qual aos fins-de-semana eram servidas as cervejas e as pingas. Aquela reunião era para decidirem o nome da nova agremiação futebolística. Grandão tomou a palavra e declarou:
- Eu proponho o nome de Liberdade Futebol Clube. Todos concordam?
- Eu não concordo, e quero propor outro nome.
Quem falou isso foi o Meioforte, o garoto que tentava disputar a liderança do grupo. Isso aumentou mais o ódio que o Grandão tinha por ele.
- E que nome você propõe? Falou o Grandão entre dentes.
- Sofia Futebol Clube.
Quando ele falou isso ficou ali um silêncio que só era cortado por um Bem-te-vi que estava pousado em uma árvore ali perto. É que Sofia era o nome da ex-namorada do Grandão e que agora namorava o Meioforte.
- E digo mais, falou ele, não só proponho esse outro nome como quero deixar bem claro que a maioria de vocês é mais fraca do que eu e se não votarem na minha proposta eu bato em cada um de vocês.
O Grandão, na hora, pulou e gritou:
- Espera aí. Você não pode fazer isso.
- Por que não?
- Porque cada um tem o direito de pensar do jeito que quiser.
- Eu não concordo.
- Então você vai ver.
Em seguida o Grandão derrubou o Meioforte no chão e começou a bater nele. Enquanto batia ele gritava: “Isso é para você aprender a respeitar a opinião dos outros”.
PARA REFLETIR:
“Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.” (Romanos 12:1-2 NTLH)