quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A CORDA OU A PÁ


Uma funcionária lá do HC-UNICAMP me pediu ajuda. O filho de 17 anos estava envolvido com drogas. Ela pediu que eu ligasse para ele, e de pronto lhe respondi que era ele que devia me ligar. Se ele o fizesse eu o ajudaria com muita alegria. “Mas será que ele vai ligar?” foi a dúvida que surgiu no coração daquela mãe aflita.
Então contei-lhe que no passado uma mãe na mesma situação que ela, me telefonou e pediu que eu ligasse para o filho dela. Eu afirmei que eu só poderia ajudá-lo se ele demonstrasse que quer ajuda, e ele é que deveria me procurar. Aquela mãe ao telefone retrucou que se eu não ligasse o filho viciado nunca me ligaria e que ele iria morrer. Mas assim mesmo eu não podia fazer nada. Ele nunca me ligou e talvez já tenha morrido. A funcionária do hospital concordou comigo e disse que ia falar com o filho. E não é que ele me ligou? Marcamos um encontro lá no HC mesmo, e não é que ele foi?! Veio com a irmã e com a mãe. Dispensei as duas para ficar mais à vontade com ele. Assim que elas saíram perguntei:
- Que time você torce?
- Corinthians.
- Então tchau. Falei isso e fingi que ia embora.
Isso quebrou o gelo entre nós. Conversamos um pouco sobre assuntos diversos até que perguntei objetivamente qual era o problema dele. “Eu não tenho problema nenhum”, foi a resposta que recebi.
- Então por que você veio me ver?
- Minha mãe falou para eu vir e eu vim.
- Ela me falou que você é usuário de drogas.
- Eu uso drogas, mas isso não é problema para mim.
- Então até logo, e agora eu vou de verdade. Não posso fazer nada por você.
Estendi a mão para me despedir. Nisso ele falou: “Não vai, espera ... eu reconheço que tenho um problema”.
O passo seguinte foi explicar para aquele jovem que ele estava no fundo de um poço, e que eu ia lhe jogar uma corda e uma pá. Se ele quisesse, a corda serviria para eu ajudá-lo a sair daquela situação. Mas se não quisesse, com o tempo ele perceberia que aquilo que era o fundo do poço fatalmente seria cavado mais fundo ainda, até o ponto de não ser mais possível alcançar a ponta da corda. Aí seria o fim.
Falei a mesma coisa, numa outra ocasião, para um alcoólatra que havia perdido o emprego, a família, bens e a dignidade. Ele agarrou a corda, largou a bebida, se converteu, arrumou outro emprego e a família o recebeu de volta. A mulher e o filho foram com ele à Igreja e também se converteram.
“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Romanos 8:2)
Não posso dizer que aquele rapaz filho da funcionária do HC já se converteu, mas posso afirmar que ele largou as drogas, se afastou das más companhias, arrumou um emprego e já não é uma tristeza para aquela mãe. Vou continuar trabalhando com ele enquanto ele quiser.
“Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal;” (Deuteronômio 30:15)

Um comentário:

  1. "Corinthians". "Então tchau". hahauhau
    Como Deus é criativo, não??
    Bastou uma zoeira dessa, e foi o pontapé inicial pra salvar uma vida e encobrir uma multidão de pecados...
    Bom trabalho!
    J.W.

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