quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

VOCÊ OLHA O MEU FILHO? É RAPIDINHO.



Perguntei a algumas pessoas que trabalham comigo ali no Serviço de Capelania do HC-UNICAMP, que lições podemos tirar da experiência que tivemos ao cuidar do Josenildo, o garoto que era mantido pela madrasta em um canil (esse caso está contado no texto “EM UM CANIL” postado ontem aqui no Blog). Fiz essas perguntas porque foi uma experiência chocante demais para ficar sem uma reflexão mais profunda.
Conversando sobre isso com a Celinha, secretária da Capelania, ficamos refletindo sobre o até que ponto o “não-amor” pode levar uma pessoa. O “não-amor” faz com que a pessoa que deve ser o alvo do nosso amor seja vista como um objeto, ou na melhor das hipóteses, como um animal. Animal no pior sentido da palavra, não como esses cachorrinhos que são muito mais bem tratados do que muitíssimas crianças que passam fome.
Quando não amamos, as pessoas se tornam coisas. E coisas são para ser usadas, não amadas. É assim que chegamos ao ponto, o qual alguém definiu muito bem: “Hoje nós usamos as pessoas e amamos as coisas”.
No caso do Josenildo, eu e a Celinha chegamos a questionar se o irmão e o pai dele não viam que o garoto não estava sendo bem tratado. Quem ama vê o que está acontecendo com o(a) amado(a). Eu costumo dizer que nas enfermarias o melhor dos aparelhos que medem as condições dos pacientes é o olho da mãe, esposa, filho ou qualquer acompanhante que realmente ame o doente. Se uma mãe afirma “Meu filho não está bem”, mesmo que os aparelhos e exames não acusem nada, tendo a acreditar mais na mãe.
Pode-se amar só com um olhar:
“E Jesus, fitando-o, o amou ...” (Marcos 10:21)
Eu creio que o olhar registrado no versículo seguinte foi cheio de amor:
“Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.” (Lucas 22:60-62)
Só para exercitar a imaginação, tente criar mentalmente os olhares que Maria dava para seu filho Jesus.
Mas há o outro lado da moeda. Por exemplo, a mulher está com os olhos extremamente inchados de tanto chorar, o marido chega do serviço e não vê.
O inverso do amor não é o ódio, é a indiferença.

2 comentários:

  1. Conheci o Josenildo, bem como sua estória. Fiquei impressionado com tal atitude. O que me leva a refletir sobre nossa natureza e pensar que Jesus precisa voltar MUITO rápido. Essas situações me deixam sem esperança na vida aqui...

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  2. É verdade, Fabiano, todo dia devemos esperar por sua volta. Mas, ainda tem muita gente para ser evangelizada, não é mesmo?
    Abraço, Xyko.

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